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Prévia da inflação surpreende em fevereiro, mas segue dentro da banda

IPCA-15 sobe 0,84% em fevereiro, e inflação acumulada em 12 meses recuou menos do que o esperado, de 4,50% para 4,10%, mas segue dentro das bandas da meta

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previa do ipca de fevereiro

Entre os administrados, a alta de 0,69% ficou acima da projeção, com surpresa concentrada em gasolina e produtos farmacêuticos | Foto: Getty Images

O IPCA-15 avançou 0,84% em fevereiro, bem acima da projeção do banco Safra e do consenso de mercado, ambos em 0,56%. No acumulado em 12 meses, a inflação recuou menos do que o esperado, de 4,50% para 4,10%, mas segue dentro das bandas da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A média dos núcleos subiu mais do que o previsto, puxada por choques concentrados em itens de serviços, o que indica um caráter parcialmente pontual da surpresa.

A análise dos especialistas em macroeconomia do Banco Safra é a de que “a leitura de fevereiro do IPCA-15 foi adversa, embora não tão preocupante quanto sugere o desvio do índice geral”.

Na abertura, a alimentação no domicílio avançou 0,09%, levemente acima da projeção de estabilidade. As altas em leite longa vida e em açúcares e derivados compensaram surpresas baixistas nos alimentos in natura, resultando em um desvio apenas moderado do grupo.

Já os bens industriais subiram 0,44% m/m, em linha com a projeção, combinando pressões em higiene pessoal e aparelho telefônico com uma menor alta de automóveis, o que acabou limitando o impacto desse componente.

Os serviços, por sua vez, avançaram 1,49% m/m, bem acima da projeção, com forte alta de passagem aérea, que subiu 11,64% m/m, e de seguro voluntário de veículo, ambos acima do esperado, o que explicou a maior parte do desvio do índice.

Prévia da inflação de fevereiro reflete inflação da gasolina e medicamentos

Entre os administrados, a alta de 0,69% m/m ficou acima da projeção, com surpresa concentrada em gasolina e produtos farmacêuticos.

As métricas estruturais pioraram na margem, mas seguem compatíveis com um quadro de desinflação gradual. A média dos núcleos avançou 0,66% m/m, acima da projeção de 0,47%, refletindo principalmente o choque em serviços mais voláteis e parte das pressões observadas em bens industriais.

Os serviços subjacentes também subiram 0,66% m/m, acima da projeção de 0,38%, impulsionados pela surpresa em seguro voluntário de veículo e pela deflação menor do que a prevista para a linha de cinema, teatro e concertos.

As métricas em bases suavizadas e com ajuste sazonal que acompanhamos mostraram piora pontual em fevereiro, mas seguem em patamar coerente com uma perda gradual de fôlego da inflação subjacente ao longo dos últimos trimestres.

Olhando à frente, avaliamos que o choque de fevereiro tende a ser parcialmente revertido, à medida que itens voláteis como passagens aéreas devolvam parte da alta e a atividade siga em ritmo moderado.

A apreciação recente do câmbio e a acomodação de algumas commodities também ajudam a conter pressões em alimentos e bens industriais, enquanto a política monetária permanece em terreno bastante restritivo.

O Banco Safra mantém a projeção de que o IPCA encerrará 2026 em 3,70%, entendendo que a leitura de hoje é negativa, mas com implicações limitadas para o cenário de desinflação gradual.

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