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El Niño eleva risco no setor elétrico, mas não muda tese de investimento

El Niño, revisão de riscos e demanda menor podem elevar a volatilidade dos preços de energia, sem mudar a tese estrutural

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Possível retorno do fenômeno climático El Niño aumenta a incerteza para os preços de energia no Brasil no curto prazo | Foto: Getty Images

O risco climático voltou ao centro das atenções do mercado de energia. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, passou a indicar probabilidade elevada de ocorrência de El Niño entre junho e agosto, com chance de permanência até janeiro. No Brasil, o fenômeno tende a produzir efeitos distintos entre as regiões, com chuvas abaixo da média no Nordeste e precipitações mais fortes no Sul.

Para o setor elétrico, esse movimento pode influenciar diretamente a formação de preços. Em episódios anteriores, a melhora da hidrologia nas regiões Sul e Sudeste ajudou a recompor reservatórios e a reduzir os preços spot na comparação anual, mesmo em um ambiente de temperaturas mais elevadas e maior consumo de energia.

Debate sobre CVaR pode mexer com os preços

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha a consulta pública aberta pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica para revisar a metodologia do valor em risco condicional, o CVaR, nos modelos de precificação.

O CVaR é uma métrica de risco financeiro que calcula a perda média esperada em cenários extremos, superando o limite do Value at Risk (VaR).

Na prática, a discussão trata de como calibrar o peso atribuído a cenários hidrológicos mais severos. Se o processo levar a uma redução dessa ponderação, como defendem entidades ligadas aos consumidores, os preços médios de energia podem ceder no curto prazo. Eventuais mudanças, no entanto, só devem entrar em vigor a partir de 2027.

Demanda mais fraca também amplia a pressão

Outro fator relevante é a revisão para baixo das estimativas de demanda entre 2026 e 2030. Esse ajuste reduz a pressão estrutural sobre o sistema no horizonte mais próximo e reforça a possibilidade de preços menos apertados no curto prazo.

Ainda assim, o Safra avalia que esse vetor não altera a leitura estrutural para o setor. Isso porque a matriz elétrica brasileira segue marcada pelo peso crescente da geração distribuída, pela volatilidade das fontes renováveis e pelo retorno mais alto exigido para viabilizar novos projetos.

Longo prazo segue sustentado

Embora os próximos trimestres possam ser mais turbulentos, a visão central para o longo prazo permanece positiva para os preços de energia. O Safra segue confiante de que o equilíbrio estrutural do mercado deve continuar próximo de R$ 240/MWh.

Além disso, o banco avalia que custos mais elevados de gás natural e petróleo no mercado internacional podem funcionar como contrapeso à pressão baixista de curto prazo. Isso porque o encarecimento dos combustíveis eleva o custo variável das térmicas e, por consequência, sustenta parte da curva de preços.

Impactos variam entre distribuidoras e geradoras

No mercado acionário, os efeitos tendem a ser assimétricos. Distribuidoras como Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11) e CPFL Energia (CPFE3) podem se beneficiar de um consumo maior de eletricidade em razão de temperaturas mais altas.

Por outro lado, geradoras com menor nível de contratação podem enfrentar pressão adicional caso o El Niño se confirme com mais força e contribua para preços de curto prazo mais baixos. Nesse grupo, o Safra vê risco potencial para os resultados do segundo e do terceiro trimestres de 2026 de companhias como Copel (CPLE6), Auren Energia (AURE3) e Axia Energia (AXIA3).

Já companhias com portfólio mais contratado tendem a atravessar esse período com maior proteção. Para a Auren Energia, por exemplo, a leitura é mais favorável nesse contexto. No caso da Pampa Energía (PAMP), a avaliação é neutra, diante da combinação entre possível aumento da geração hídrica e menor necessidade de despacho térmico.

Volatilidade maior, sem mudança de recomendação

A conclusão dos especialistas do Banco Safra é que o mercado de energia pode enfrentar uma estrada mais turbulenta no curto prazo, mas sem ruptura da tese estrutural.

O avanço do El Niño, a revisão dos parâmetros de aversão ao risco e a demanda mais fraca podem pressionar os preços nos próximos anos. Ainda assim, o Safra não altera suas recomendações para o setor, embora reconheça um ambiente de volatilidade mais elevada.

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