PIB cresce abaixo do potencial com demanda doméstica enfraquecida
Desempenho do PIB no 3T25 sofreu revisão para baixo, de 0,1% para 0,0%, o que reforça o quadro de desaceleração da atividade observado na segunda metade do ano
03/03/2026 2 minutos
Segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico de juros altos mostraram fraqueza, com destaque para o recuo da construção civil | Foto: Getty Images
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025, em comparação ao trimestre anterior, em termos reais, considerando os ajustes sazonais. O resultado veio de acordo com a projeção do Banco Safra (+0,1% t/t) e levemente abaixo do consenso de mercado (0,2% t/t).
Além disso, o desempenho do 3T25 sofreu revisão baixista, passando de +0,1% t/t para 0,0% t/t, movimento que reforça o quadro de desaceleração da atividade observado ao longo da segunda metade do ano. Assim, o PIB apresentou crescimento real de 2,3% em 2025.
Pelo lado da oferta, mais uma vez as atividades não cíclicas surpreenderam positivamente. A agropecuária avançou 0,5% t/t, enquanto a indústria extrativa mineral registrou alta de 1,1% t/t, desempenhos acima do esperado.
Juros afetam construção civil e investimentos
Em contraste, segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico mostraram fraqueza, com destaque para o recuo da construção civil, que também ajudou a explicar parte da surpresa negativa observada na Formação Bruta de Capital Fixo pelo lado da demanda.
Sob a ótica da demanda, o quadro foi marcado pela perda adicional de dinamismo. O consumo das famílias ficou estável na margem, após a leve queda registrada no trimestre anterior, refletindo os efeitos defasados da política monetária que elevaram o serviço da dívida e comprimiram o orçamento pessoal.
A Formação Bruta de Capital Fixo recuou 3,5% t/t, uma contração mais intensa do que antecipávamos, influenciada pela piora da construção civil e pela queda da produção de bens de capital observada na Pesquisa Mensal Industrial (PIM).
Em sentido oposto, o consumo do governo avançou 1,0% t/t, compensando parcialmente a fraqueza dos demais componentes da demanda interna. Com isso, a absorção doméstica recuou 0,4% t/t no 4T25.
Setor externo contribui para o resultado do PIB no 4T25
O setor externo voltou a exercer papel relevante como amortecedor da atividade. As exportações cresceram 3,7% t/t, enquanto as importações caíram 1,8% t/t, refletindo o desaquecimento da demanda interna.
Como resultado, a contribuição líquida do setor externo para o PIB foi de +1,0 ponto porcentual no trimestre. Os estoques, por sua vez, recuaram e contribuíram negativamente em -0,4 p.p..
Com o fechamento do ano, o carrego estatístico para 2026 ficou em apenas 0,2 p.p..
Segundo a análise dos especialistas do Banco Safra, o conjunto dos dados confirma que a economia brasileira encerrou o ano passado em ritmo abaixo do potencial, com sinais de enfraquecimento da demanda doméstica.

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