PIB cresce 0,5% no trimestre, mas atividade perde força em 2026
Produto Interno Bruto do Brasil cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, mas consumo recua e atividade perde força; Safra mantém projeção de alta de 1,9% no ano
3 minutos Publicado em
PIB brasileiro cresce no segundo trimestre de 2026, sustentado principalmente pela agropecuária, enquanto consumo das famílias perde força | Foto: Getty Images
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, em termos reais e com ajuste sazonal. O resultado superou a projeção de 0,3% do Banco Safra e a estimativa média do mercado, de 0,4%, mas confirmou a desaceleração gradual da economia.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB cresceu 2,0%. O desempenho indica uma perda progressiva de ritmo da atividade, especialmente nos setores mais dependentes do consumo e das condições financeiras.
Segundo análise dos especialistas do Banco Safra, a economia brasileira segue em expansão, mas o crescimento se apoia cada vez mais em componentes menos cíclicos.
A combinação de consumo mais fraco, investimento irregular e normalização dos estímulos temporários observados no início do ano aponta para uma trajetória mais moderada ao longo de 2026.
Agropecuária lidera
Pela ótica da oferta, a agropecuária apresentou o melhor desempenho do trimestre, com alta de 2,8% em relação ao primeiro trimestre, já descontados os efeitos sazonais.
O setor sustentou o crescimento do PIB acima do ritmo registrado por outros segmentos da economia. O resultado também favoreceu atividades ligadas ao transporte, à armazenagem e à logística, especialmente em função do escoamento da safra.
A indústria cresceu apenas 0,1% no trimestre, sinalizando perda de ritmo após o desempenho mais forte observado no início do ano. Dentro do setor, a indústria extrativa mineral foi destaque, com expansão de 3,4%.
Por outro lado, as atividades industriais mais sensíveis ao ciclo doméstico permaneceram enfraquecidas, reforçando a percepção de moderação da economia.
Serviços avançam em ritmo moderado
O setor de serviços registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre, em linha com a expectativa dos especialistas do Banco Safra. O resultado mostra uma atividade mais contida nos segmentos ligados à demanda interna.
O desempenho, porém, foi heterogêneo. Os serviços de informação se destacaram positivamente, com alta de 2,1% no trimestre. Transportes, armazenagem e correio também apresentaram reação, acompanhando o aumento dos fluxos logísticos associados à safra.
Outros segmentos de serviços mantiveram uma evolução mais moderada, em um ambiente de menor impulso do consumo das famílias.
Consumo das famílias recua
Pela ótica da demanda, o principal destaque negativo foi o consumo das famílias, que recuou 0,4% no segundo trimestre, em termos dessazonalizados. O resultado contrariou a projeção do Banco Safra, que esperava crescimento de 0,6%.
A queda indica perda de dinamismo após o avanço expressivo registrado no trimestre anterior. Além disso, o movimento é compatível com a dissipação dos efeitos do impulso fiscal observado no início do ano.
Com o consumo mais fraco, a absorção doméstica ficou praticamente estável no período. O setor externo também contribuiu negativamente, uma vez que as importações cresceram enquanto as exportações recuaram.
Investimento mostra recuperação
A formação bruta de capital fixo avançou 1,2% no trimestre. O desempenho sugere uma retomada gradual dos investimentos, mesmo diante de condições financeiras ainda restritivas.
Apesar do resultado positivo, os especialistas do Banco Safra avaliam que a recuperação permanece irregular. O ambiente de juros elevados e a desaceleração da demanda doméstica ainda limitam uma expansão mais consistente da formação de capital.
A variação dos estoques contribuiu positivamente para o resultado do PIB, com impacto estimado em aproximadamente 0,9 ponto percentual.
Safra projeta alta de 1,9% em 2026
Os dados do segundo trimestre reforçam a expectativa de desaceleração gradual da atividade econômica ao longo de 2026. O crescimento permanece positivo, mas conta com menor contribuição dos componentes mais ligados ao ciclo doméstico.
Para os especialistas do Banco Safra, a moderação do consumo, a recuperação ainda irregular dos investimentos e a normalização dos estímulos temporários devem resultar em uma expansão mais contida nos próximos trimestres.
Nesse cenário, o Banco Safra mantém a projeção de crescimento de 1,9% para o PIB brasileiro em 2026.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
Leia também