PIB cresce 0,1% e confirma perda de fôlego da economia
Resultado do PIB do terceiro trimestre confirma a desaceleração da atividade ao longo de 2025, decorrente dos juros altos, entre outros fatores
04/12/2025 3 minutos
Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 0,9% no terceiro trimestre, impulsionada pela importação de uma plataforma de petróleo, enquanto o setor externo voltou a contribuir positivamente para o PIB | Foto: Getty Images
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 0,1% em termos reais no terceiro trimestre de 2025, considerando os ajustes sazonais, após alta de 0,3% no trimestre anterior. A desaceleração na passagem de trimestre confirma o arrefecimento esperado da atividade econômica, destaca análise dos especialistas do Banco Safra.
Na comparação com o mesmo período de 2024, o crescimento cedeu de 2,4% para 1,8%, em linha com o cenário projetado pelo Safra para a economia brasileira em 2025.

Série histórica do PIB é revista e muda projeções
Houve uma revisão significativa da série histórica do PIB, que elevou a expansão interanual dos trimestres anteriores. Com isso, o Safra revisou a projeção de crescimento real do PIB em 2025 de 2,1% para 2,3%.
Pelo lado da oferta, a agropecuária, impulsionada pelo bom desempenho das colheitas de milho, laranja e algodão, apresentou expansão de 0,4% no trimestre, com robusto crescimento na variação interanual (10,1% em comparação ao terceiro trimestre de 2024).
A análise do Banco Safra destaca que o setor foi especialmente afetado pela revisão histórica, com os dois primeiros trimestres sendo ajustados de 10,2% e 10,1% para 12,9% e 11,5% na comparação com igual periodo do ano passado, respectivamente.
A indústria avançou 0,8% em relação ao trimestre anterior, com destaque para o segmento da indústria extrativa mineral (+1,7% t/t), que, impulsionada pela expansão da produção de petróleo, registrou crescimento interanual de dois dígitos (11,9% a/a).
Apesar de ter registrado alta na margem (+0,3% t/t), a indústria de transformação – segmento mais sensível ao ciclo conômico – mostrou recuperação apenas parcial, após queda acumulada de 1,5% no primeiro semestre em relação ao fim do ano passado. Com isso, esse segmento segue frágil, com variação interanual negativa (-0,6% a/a no 3T25).
O setor de serviços registrou crescimento modesto na margem (+0,1% t/t). Entre as aberturas, destaque positivo para transporte (+2,7% t/t), impulsionado pelo escoamento da produção de commodities, e para serviços de informação e comunicação (+1,5% t/t).

PIB do 3T25: serviços financeiros recuam 1%
Pelo lado negativo, a surpresa ficou por conta dos serviços financeiros, que recuaram 1,0% t/t.
Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias apresentou virtual estabilidade, com alta de apenas 0,1% t/t, refletindo os efeitos da política monetária restritiva sobre a renda disponível.
O consumo do governo acelerou para +1,3% t/t, compensando parcialmente a fraqueza do consumo privado.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 0,9% t/t, impulsionada pela importação de uma plataforma de petróleo, enquanto o setor externo voltou a contribuir positivamente para o PIB: as exportações avançaram 3,3% t/t, enquanto as importações subiram apenas 0,3% t/t, refletindo a desaceleração da absorção doméstica.
Segundo a avaliação dos especialistas do Banco Safra, o resultado do PIB do terceiro trimestre confirma o cenário de
desaceleração da atividade ao longo de 2025, decorrente, dentre outros fatores, dos efeitos da política monetária.
A revisão da projeção do crescimento real do PIB para 2,3% no ano foi motivada primordialmente pela atualização da série histórica, e não por mudanças significativas na dinâmica recente da economia, que segue mostrando sinais de moderação.
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