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Petrobras tem desempenho misto em meio à pressão do petróleo

Resultados do quarto trimestre refletem queda do petróleo tipo Brent, maior volatilidade global e resiliência dos segmentos de refino e gás

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Unidade da Petrobras no pré-sal, principal motor de produção da companhia em um cenário global marcado por preços mais baixos do petróleo e tensões geopolíticas persistentes | Foto: Andre Ribeiro/Banco de Imagens Petrobras

A Petrobras (PETR3, PETR4) apresentou resultados operacionais majoritariamente em linha com as expectativas no quarto trimestre de 2025, apesar de um ambiente externo mais desafiador para o setor de energia. O EBITDA ajustado recorrente atingiu US$ 10,9 bilhões, queda de 9% em relação ao trimestre anterior, refletindo principalmente o desempenho mais fraco do segmento de Exploração e Produção.

A retração esteve associada à combinação de preços mais baixos do Brent, menor produção e custos de extração mais elevados, em um contexto global marcado por excesso de oferta e crescimento moderado da demanda. Relatórios da Agência Internacional de Energia indicam que o mercado de petróleo encerrou 2025 sob pressão de um aumento relevante da produção fora da OPEP+, enquanto o consumo avançou de forma mais contida.

Lucro líquido sofre impacto pontual

O lucro líquido da Petrobras somou US$ 2,9 bilhões no 4T25, abaixo das estimativas do Safra, impactado principalmente por um impairment de US$ 1,6 bilhão.

O resultado contrasta com o lucro de US$ 6,0 bilhões registrado no terceiro trimestre e reflete, além do ajuste contábil, a contração operacional e maiores perdas cambiais, parcialmente compensadas por despesas tributárias menores.

Ainda assim, a companhia voltou a apresentar lucro em base anual.

Refino e gás compensam fraqueza de produção e exploração

O segmento de refino, transporte e comercialização foi o principal destaque positivo do trimestre. O EBITDA ajustado alcançou US$ 1,9 bilhão, acima do esperado, com margem de 9%. O desempenho refletiu o aumento das exportações de petróleo, em linha com a estratégia da Petrobras de ampliar sua presença em mercados asiáticos, em um cenário de reconfiguração dos fluxos globais de energia.

No segmento de gás e energias de baixo carbono, o EBITDA ajustado avançou para US$ 440 milhões, impulsionado pelo reconhecimento de receitas contratuais e pelo início antecipado do fornecimento associado ao leilão de reserva de capacidade de 2021.

Capex maior reduz fluxo de caixa livre

O fluxo de caixa livre atingiu US$ 3,6 bilhões no trimestre, queda de 27% frente ao trimestre anterior. O movimento refletiu tanto a redução dos resultados operacionais quanto o aumento de 35% do capex em caixa, que totalizou US$ 6,6 bilhões. Ainda assim, a Petrobras distribuiu US$ 1,5 bilhão aos acionistas, em linha com as expectativas.

O aumento dos investimentos ocorre em um momento em que grandes petroleiras buscam equilibrar disciplina financeira e expansão seletiva, diante de um cenário geopolítico ainda instável. Tensões no Oriente Médio, ajustes de produção da OPEP+ e incertezas sobre o ritmo de cortes de juros nas economias centrais seguem influenciando os preços do petróleo e as decisões estratégicas do setor.

Perspectivas seguem ligadas ao cenário externo

Para 2026, o desempenho da Petrobras deve continuar fortemente condicionado à dinâmica do mercado internacional de petróleo. A combinação de oferta elevada, demanda global moderada e riscos geopolíticos mantém o Brent em patamares mais baixos e voláteis, segundo análises do mercado e de órgãos internacionais.

Nesse contexto, a diversificação de resultados entre segmentos e a eficiência operacional seguem como fatores centrais para sustentar a geração de caixa e a política de remuneração aos acionistas.

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