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Entenda o cenário de inflação e o impacto para os investimentos

Na avaliação do Banco Safra, o cenário-base continua sendo de desinflação gradual, sustentada pela política monetária restritiva e pela moderação das pressões inflacionárias

4 minutos

Para 2026, o Banco Safra projeta inflação de 4,90% e taxa básica de juros de 13,50% em dezembro | Foto: Getty Images

A trajetória da inflação brasileira passou a exibir sinais mais consistentes de acomodação ao longo de 2026. A combinação entre indicadores correntes mais benignos, redução sucessiva das projeções do mercado e manutenção de condições monetárias restritivas fortalece a avaliação de que o processo de desinflação segue em curso no país.

Na visão dos especialistas do Banco Safra, os dados mais recentes reforçam um cenário de desaceleração gradual dos preços, embora a convergência para a meta do Banco Central ainda demande cautela. As expectativas inflacionárias permanecem acima do limite superior do sistema de metas, enquanto segmentos relevantes da economia continuam apresentando pressões localizadas.

O Banco Safra projeta inflação de 4,90% acumulada em 2026. E a taxa básica de juros deve encerrar o ano em 13,50%.

O principal sinal de melhora veio das expectativas dos agentes econômicos. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a projeção para o IPCA de 2026 caiu pela quinta semana consecutiva, passando de 5,12% para 5,03%.

Embora a direção seja positiva, o número ainda supera o teto da meta contínua de inflação, estabelecida em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central permanece em 3%.

O movimento também alcançou as expectativas para os juros. Pela primeira vez desde março, a mediana das projeções para a taxa Selic ao final de 2026 recuou, de 14% para 13,75%, indicando que os agentes financeiros passaram a considerar um ambiente mais favorável para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária.

Pesquisa Focus e Firmus apontam melhora da inflação

A apresentação realizada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em recente event em São Paulo, mostrou que as expectativas captadas pela pesquisa empresarial Firmus permanecem alinhadas às projeções observadas no Focus.

Os dados de maio indicavam expectativa mediana de inflação de 5,0% para 2026 entre empresas participantes da Firmus, praticamente em linha com os 5,1% registrados no Focus. Para 2027, ambas as pesquisas convergem para uma inflação próxima de 4%.

A sinalização é relevante porque demonstra que tanto agentes do mercado financeiro quanto empresas da economia real compartilham percepção semelhante sobre a trajetória futura dos preços.

Segundo Galípolo, a ampliação das sondagens do Banco Central tem permitido captar de forma mais granular a formação de expectativas, custos, margens e comportamento dos preços em diferentes setores da economia.

IPCA de junho reforça leitura de desinflação

A melhora das expectativas encontra respaldo nos dados correntes da inflação. O IPCA de junho registrou alta de apenas 0,16%, resultado inferior tanto à projeção do Banco Safra, de 0,24%, quanto ao consenso de mercado, de 0,31%.

Para os especialistas do Safra, o aspecto mais relevante não foi apenas a surpresa positiva do índice cheio, mas a composição dos dados.

A média dos núcleos de inflação — indicador acompanhado de perto pelo Banco Central por excluir componentes mais voláteis — recuou de 0,45% para 0,21% no mês. Em termos anualizados, a média móvel trimestral dos núcleos desacelerou de 5,2% para 4,8%.

Alimentos lideram movimento de alívio

O principal fator de desaceleração veio do grupo alimentação no domicílio, que apresentou deflação de 0,39% em junho.

A reversão ocorreu após uma alta expressiva de 1,65% em maio e foi impulsionada principalmente pelos alimentos in natura. Produtos que haviam pressionado o índice nos meses anteriores registraram forte desaceleração.

Entre os destaques, a inflação da batata-inglesa passou de 29,42% para 3,57%, enquanto o tomate saiu de alta de 17,27% para queda de 2,02%. As carnes também contribuíram para o alívio, com recuo de 0,64%.

Por outro lado, alguns itens ainda mostraram pressão, como o feijão-carioca, cuja alta alcançou 8,31% no período.

Serviços seguem em desaceleração gradual

Outro ponto observado pelo Safra foi o comportamento dos serviços subjacentes, tradicionalmente mais sensíveis ao mercado de trabalho e ao nível de atividade econômica.

O segmento avançou 0,22% em junho, indicando perda gradual de intensidade das pressões inflacionárias mais persistentes.

Essa dinâmica é considerada particularmente importante pelo Banco Central porque ajuda a avaliar se a desaceleração dos preços está se tornando mais disseminada e sustentável ao longo do tempo.

Política monetária continua desempenhando papel central

Apesar da melhora observada nos indicadores, os especialistas do Banco Safra avaliam que a política monetária ainda desempenha papel fundamental para consolidar o processo de convergência da inflação.

A Selic permanece em 14,25% ao ano, nível considerado significativamente restritivo para os padrões históricos brasileiros. O ambiente de juros elevados contribui para moderar o consumo, reduzir pressões de demanda e ancorar expectativas inflacionárias.

Nesse contexto, a expectativa predominante é de que o Banco Central mantenha uma postura prudente ao longo dos próximos meses, mesmo diante dos sinais favoráveis recentes.

A avaliação é que cortes adicionais de juros dependerão da confirmação de que a trajetória de desaceleração dos preços continuará consistente e capaz de aproximar o IPCA da meta nos horizontes mais longos de política monetária.

O que observar nos próximos meses

A perspectiva para a inflação tornou-se mais favorável do que a observada no início do ano, mas ainda há fatores que exigem monitoramento.

Principais vetores para a inflação

  • Evolução dos preços de alimentos após o alívio recente.
  • Comportamento dos serviços e dos núcleos de inflação.
  • Expectativas captadas pelas pesquisas Focus e Firmus.
  • Ritmo de atividade econômica e mercado de trabalho.
  • Decisões futuras do Copom sobre a Selic.
  • Impactos de fatores externos sobre commodities, câmbio e preços administrados.

Na avaliação do Banco Safra, o cenário-base continua sendo de desinflação gradual, sustentada pela política monetária restritiva e pela moderação das pressões inflacionárias subjacentes. A melhora recente dos indicadores fortalece essa visão, mas o processo de convergência para a meta ainda deverá ocorrer de forma lenta e gradual.

Cley Scholz

Editor do portal O Especialista. LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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