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Câmbio derruba expectativa para ações do setor de papel e celulose

Valorização de moedas locais frente ao dólar deve comprometer os resultados das exportadoras de papel e celulose no primeiro trimestre de 2026, com impacto mais forte sobre Suzano e Klabin e desempenho mais defensivo em Dexco e CMPC

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papel e celulose

Valorização do real frente ao dólar reduz a conversão das receitas exportadoras e deve limitar a rentabilidade das companhias de papel e celulose no 1T26 | Foto: Getty Images

A prévia de resultados do setor de papel e celulose aponta uma temporada mais fraca no primeiro trimestre de 2026, em especial pelo efeito adverso do câmbio sobre companhias com receita dolarizada e base de custos parcialmente concentrada em moeda local.

A valorização do real e de outras moedas da região frente ao dólar deve reduzir a conversão das receitas externas, comprimindo margens e pressionando o desempenho operacional, segundo a análise do Banco Safra.

Nesse contexto, o Safra manteve as estimativas para a Klabin, mas revisou para baixo as projeções de Suzano, Dexco e CMPC. A leitura setorial é de perda de tração na comparação trimestral, ainda que com comportamentos distintos entre as companhias, a depender do mix de produtos, da dinâmica de preços e do impacto de paradas de manutenção.

Suzano deve concentrar a pior deterioração operacional

A Suzano deve reportar um dos resultados mais fracos do setor no trimestre. A estimativa do Safra é de EBITDA de cerca de R$ 4,4 bilhões no 1T26, o que representa queda de 22% na comparação trimestral e um nível 17% abaixo do consenso de mercado, estimado em R$ 5,3 bilhões.

Menor volume e real forte devem superar alta de preços

No negócio de celulose, a expectativa é de queda de 31% no EBITDA QoQ, para aproximadamente R$ 4,0 bilhões. O principal vetor de pressão deve ser a retração dos embarques, projetados em 2.800 mil toneladas, com recuo de 18% frente ao trimestre anterior. Ao mesmo tempo, embora o preço da celulose deva subir para US$ 557 por tonelada, avanço de 4% QoQ, esse efeito positivo tende a ser mais do que compensado pela apreciação do real.

O custo caixa, excluindo manutenção, também deve avançar, para R$ 805 por tonelada, alta de 4% QoQ. Além disso, a companhia deve absorver despesas maiores com paradas de manutenção, com impactos em unidades como Aracruz, Imperatriz, Veracel e Cerrado, o que adiciona pressão ao trimestre.

Papel também deve enfraquecer

No segmento de papel, a projeção é de EBITDA de R$ 587 milhões, com queda de 28% QoQ. O resultado deve refletir menores volumes, retração de 14%, e preços inferiores, com recuo de 3%, ainda que haja algum alívio vindo de um custo caixa menor, estimado em queda de 2%.

Klabin deve registrar recuo com pressão sobre EBITDA por tonelada
Para a Klabin, o Safra projeta EBITDA de aproximadamente R$ 1,68 bilhão no 1T26, uma queda de 6% na comparação trimestral e desempenho 10% abaixo do consenso, de R$ 1,88 bilhão.

A expectativa é de deterioração da receita por tonelada, estimada em R$ 4.863/t, baixa de 3% QoQ, em razão do real mais forte e de preços menores em linhas como fluff e coated board. Esse movimento deve mais do que compensar os ganhos observados em hardwood.

Volumes estáveis não devem impedir compressão de margem

Os volumes, desconsiderando madeira, devem permanecer estáveis em 1.024 mil toneladas, enquanto o custo caixa total tende a recuar levemente, em 2%, para R$ 3.222/t. Ainda assim, a menor receita unitária deve comprimir a rentabilidade, levando o EBITDA por tonelada para R$ 1.641/t, queda de 8% QoQ.

Dexco deve mostrar estabilidade, com melhora parcial entre divisões
A Dexco aparece como um caso de maior resiliência relativa. O Safra estima EBITDA ajustado de R$ 421 milhões no 1T26, alta de 1% frente ao trimestre anterior, embora ainda 16% abaixo do consenso de mercado.

No negócio de Wood, o EBITDA deve ficar praticamente estável, em R$ 403 milhões, já que preços maiores devem compensar menores volumes e custos mais elevados. Em Deca, a expectativa é de avanço para R$ 25 milhões, crescimento de 10% QoQ, sustentado por melhora de preços e custos.

Segmento de revestimentos segue deprimido

A divisão de Tiles deve continuar em terreno negativo, com EBITDA de -R$ 6 milhões, sinalizando que a fraqueza operacional do segmento ainda persiste. Já a LD Celulose deve apresentar melhora, beneficiada por preços mais altos e menor impacto de paradas de manutenção.

CMPC deve avançar com suporte de biopackaging

No caso da chilena CMPC, o Safra projeta EBITDA ajustado de US$ 271 milhões no 1T26, alta de 3% QoQ, embora o número ainda fique 8% abaixo do consenso.

O desempenho mais favorável deve ser explicado pela divisão de Biopackaging, cujo EBITDA é estimado em US$ 24 milhões, ante US$ 7 milhões no trimestre anterior, apoiado por maiores volumes. Esse avanço deve compensar a fraqueza observada em outras frentes.

Pulp e Softys devem seguir sob pressão

Em Pulp, a expectativa é de queda de 4% QoQ, diante de menores volumes e maiores custos, mesmo com preços mais elevados. Em Softys, a projeção é de recuo de 2% QoQ, refletindo volumes e preços menores.

Leitura para o investidor aponta cautela no curto prazo no setor de papel e celulose

A prévia do Safra reforça uma visão mais cautelosa para o setor de papel e celulose no curto prazo. Ainda que os preços internacionais da celulose ofereçam algum suporte, a pressão cambial aparece como principal vetor de deterioração dos resultados no primeiro trimestre de 2026. Em empresas exportadoras, esse efeito tende a ser particularmente relevante, ao reduzir a alavanca operacional em moeda local.

Para o investidor, a temporada deve ser marcada menos pela direção dos preços internacionais e mais pela capacidade de cada companhia de preservar margens em um ambiente de câmbio menos favorável, custos ainda pressionados e dinâmica operacional heterogênea entre segmentos.

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