Orizon (ORVR3) anuncia fusão com Vital Engenharia e amplia portfólio para gestão integrada
Movimento estratégico cria empresa com 14,3 milhões de toneladas em resíduos e contratos de longo prazo, dobrando EBITDA e diversificando receitas
18/12/2025 3 minutos
Fusão entre Orizon (ORVR3) e Vital Engenharia marca expansão para coleta e gestão integrada, com impacto relevante no mercado de resíduos | Foto: Getty Images
A Orizon (ORVR3) anunciou em 17 de dezembro a fusão com a Vital Engenharia, movimento que amplia significativamente sua atuação no setor de resíduos. A nova empresa criada terá capacidade para 14,3 milhões de toneladas e adicionará ao portfólio o segmento de coleta e gestão integrada, com contratos de longo prazo que combinam serviços de coleta e destinação final.
Segundo a companhia, a transação será realizada por meio da emissão de 41,2 milhões de ações ORVR3 e 5,6 milhões de ações como bônus de subscrição para os acionistas da Vital, totalizando R$ 23,9 milhões considerando o preço de fechamento de R$ 68,20 por ação em 16 de dezembro. Com isso, os novos acionistas terão participação aproximada de 30% na empresa, sujeita a lock-up de até 18 meses.
Impacto financeiro e estrutura societária
O valor patrimonial estimado da empresa combinada varia entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,9 bilhões, enquanto o valor de mercado (EV) deve ficar entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3,3 bilhões. O EBITDA anual projetado é de cerca de R$ 980 milhões, praticamente o dobro do resultado atual da Orizon, que gira em torno de R$ 480 milhões. O múltiplo implícito da transação é de 6,6 vezes EV/EBITDA, abaixo do patamar atual da Orizon, estimado em 10 vezes.
A nova estrutura adicionará oito contratos de gestão integrada, sendo seis com aterros, totalizando 30 unidades em 15 estados. No segmento de coleta, destaca-se o contrato da Ecourbis com a cidade de São Paulo, válido até 2044. Já no negócio de biometano, a produção combinada da BioE e GBIO deve alcançar entre 700 mil e 900 mil m³/dia, podendo chegar a 2 milhões m³/dia.
Perspectivas e desafios
Para o Safra, a fusão representa um movimento ousado e positivo, pois amplia a geração de caixa sem desembolso imediato e diversifica as fontes de receita. Além disso, reforça a capacidade da administração em capturar valor em novos segmentos, como biometano, reciclagem e geração de energia.
Apesar das oportunidades, o banco destaca que a integração dos segmentos de coleta e gestão integrada traz desafios, já que apresentam margens e drivers distintos do portfólio original da Orizon. Esse mercado ainda é menos maduro no Brasil em comparação a outros países, o que exige atenção na execução.
Confira a íntegra da análise dos especialistas do Banco Safra:
“Em 17 de dezembro, a Orizon anunciou sua fusão com a Vital Engenharia (não listada). A nova empresa criada atingirá 14,3 milhões de toneladas em volumes de resíduos e adicionará o segmento de coleta e gestão integrada ao portfólio (contratos de longo prazo com receitas combinadas de serviços de coleta e destinação f inal). Esse movimento inicia uma nova fase de crescimento para a Orizon, com novas possibilidades de receita e crescimento substancial de EBITDA.
Detalhes do negócio. A Orizon adquirirá a Vital Engenharia por meio de (i) emissão de 41,2 milhões de ações ORVR3; e (ii) emissão de 5,6 milhões de ações como bônus de subscrição para os acionistas da Vital. O bônus de subscrição totalizará R$ 23,9 milhões (considerando o preço de fechamento da Orizon de R$ 68,2/ação em 16 de dezembro de 2025). Como resultado, os novos acionistas (antigos proprietários da Vital) terão uma participação de ~30% na empresa. Esses acionistas estarão sujeitos a um lock-up de 18 meses a partir da data efetiva do acordo (ou 12 meses após a assinatura do acordo de acionistas). Os acionistas controladores da Orizon manterão papel-chave na nova empresa e nomearão o Presidente do Conselho de Administração.
Alguns cálculos. Segundo a empresa, o valor patrimonial total estimado varia de R$ 2,4 bilhões a R$ 2,9 bilhões e o EV é estimado entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3,3 bilhões. A empresa combinada gerará um EBITDA anual de ~R$ 980 milhões (vs. EBITDA standalone da Orizon de ~R$ 480 milhões). Considerando o preço médio de R$ 68,2 para as ações ORVR3, o EV/EBITDA implícito estimado para esse negócio seria de 6,6x (vs. nossos 13,8x para ORVR). A nova empresa adicionará 8 contratos de gestão integrada, dos quais 6 incluem aterros (totalizando 30 aterros em 15 estados). No negócio de coleta, a administração destacou que o contrato da Ecourbis com São Paulo termina em 2044. Em relação ao negócio de biometano, BioE e GBIO juntos produziriam 700 mil–900 mil m³/dia de biometano (~2 milhões m³/dia).
Nossa visão: Um mundo totalmente novo. Em nossa opinião, a fusão anunciada pela Orizon é um movimento ousado, mas positivo, já que a nova empresa praticamente dobrará o EBITDA pré-transação sem desembolso de caixa e adicionará novas operações ao negócio combinado. Independentemente das diferenças dos novos negócios integrados ao portfólio, o múltiplo da transação é atrativo, pois é menor que o da Orizon (6,6x vs. 10x). Além disso, a administração da empresa tem demonstrado capacidade de gerar valor não apenas a partir do core business, mas também encontrando novas oportunidades em segmentos de receita (como biometano, processamento de resíduos, reciclagem, geração de energia, entre outros). Dito isso, acreditamos que as principais preocupações estão relacionadas à adição dos segmentos de coleta e gestão integrada ao portfólio, dado que suas margens e drivers parecem diferentes dos do portfólio original da ORVR (e esse segmento de negócios parece menos maduro no Brasil em comparação com outros países). Reiteramos nossa visão positiva sobre o nome.”
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