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Claudio Felisoni de Angelo

Emprego impulsiona confiança, mas inflação corrói percepção das famílias

Controle da inflação é fundamental para consolidar expectativas positivas de forma duradoura, segundo estudo do Instituto de Desenvolvimento do Varejo

Varejo

Emprego é o principal determinante do humor do consumidor no curto prazo, mas inflação é prejudicial no longo prazo | Foto: Getty Images

Um estudo inédito realizado pelo IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo, em parceria com a FIA Business School, mostra que emprego e inflação explicam 95% das variações da confiança do consumidor no Brasil — mas com efeitos diferentes no tempo. 

A pesquisa analisou o período de 2021 a 2025, marcado por forte aperto monetário. Nesse intervalo, a taxa Selic saltou de 2% ao ano, em janeiro de 2021, para 13,25% ao ano em janeiro de 2025, chegando a 15% em janeiro de 2026. A estratégia contribuiu para reduzir o IPCA de 7,65% em 2021 para 4,06% em 2025. Em contrapartida, o saldo de empregos formais caiu 54%, passando de 2,78 milhões para 1,27 milhão de vagas. 

O levantamento aponta que: 

  • 65% das variações do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) são explicadas pelo nível de emprego; 
  • 30% decorrem das variações da inflação; 
  • apenas 5% estão associados a outros fatores. 

No curto prazo, o mercado de trabalho tem impacto mais intenso: um aumento de 1 ponto percentual no emprego eleva a confiança em 2,45 pontos percentuais. Já a inflação produz efeito imediato negativo mais moderado: alta de 1 ponto percentual reduz a confiança em 0,6 ponto. 

Embora o emprego gere reação mais forte no momento inicial, a inflação apresenta efeito acumulado mais severo. Segundo o estudo, um aumento de 1 ponto percentual na inflação provoca queda de 3,67 pontos percentuais na confiança no longo prazo. 

O impacto total das variações econômicas sobre a confiança pode levar até 39 meses para se materializar integralmente — evidência de que choques inflacionários deixam marcas persistentes na percepção das famílias. 

Tais resultados reforçam a ideia que o emprego é o principal determinante do humor do consumidor no curto prazo, porém a estabilidade de preços é condição essencial para sustentar a confiança ao longo do tempo. 

O estudo contribui para o debate sobre política econômica ao demonstrar que crescimento do mercado de trabalho gera alívio imediato, mas o controle da inflação é fundamental para consolidar expectativas positivas de forma duradoura. 

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Claudio Felisoni de Angelo é professor e coordenador de Projetos da FIA Business School, ligada à Fundação Instituto de Administração da USP. Preside o conselho Laboratório de Finanças e Programa de Administração de Varejo da FIA. É professor titular do Departamento de Administração de Empresas da FEA/USP e presidente do IBEVAR - Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo.

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