Um estudo inédito realizado pelo IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo, em parceria com a FIA Business School, mostra que emprego e inflação explicam 95% das variações da confiança do consumidor no Brasil — mas com efeitos diferentes no tempo.
A pesquisa analisou o período de 2021 a 2025, marcado por forte aperto monetário. Nesse intervalo, a taxa Selic saltou de 2% ao ano, em janeiro de 2021, para 13,25% ao ano em janeiro de 2025, chegando a 15% em janeiro de 2026. A estratégia contribuiu para reduzir o IPCA de 7,65% em 2021 para 4,06% em 2025. Em contrapartida, o saldo de empregos formais caiu 54%, passando de 2,78 milhões para 1,27 milhão de vagas.
O levantamento aponta que:
- 65% das variações do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) são explicadas pelo nível de emprego;
- 30% decorrem das variações da inflação;
- apenas 5% estão associados a outros fatores.
No curto prazo, o mercado de trabalho tem impacto mais intenso: um aumento de 1 ponto percentual no emprego eleva a confiança em 2,45 pontos percentuais. Já a inflação produz efeito imediato negativo mais moderado: alta de 1 ponto percentual reduz a confiança em 0,6 ponto.
Embora o emprego gere reação mais forte no momento inicial, a inflação apresenta efeito acumulado mais severo. Segundo o estudo, um aumento de 1 ponto percentual na inflação provoca queda de 3,67 pontos percentuais na confiança no longo prazo.
O impacto total das variações econômicas sobre a confiança pode levar até 39 meses para se materializar integralmente — evidência de que choques inflacionários deixam marcas persistentes na percepção das famílias.
Tais resultados reforçam a ideia que o emprego é o principal determinante do humor do consumidor no curto prazo, porém a estabilidade de preços é condição essencial para sustentar a confiança ao longo do tempo.
O estudo contribui para o debate sobre política econômica ao demonstrar que crescimento do mercado de trabalho gera alívio imediato, mas o controle da inflação é fundamental para consolidar expectativas positivas de forma duradoura.
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