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Tríplice liderança é exceção no varejo brasileiro

Apenas três das 120 maiores empresas do varejo brasileiro dominam simultaneamente mercado, equipe e liderança: Angeloni, Ri Happy e SENAC , segundo o ranking Ibevar-FIA 2026

Ibevar

Empresas do grupo de consolidação plena são simultaneamente as preferidas do mercado, as mais admiradas pelos colaboradores e as que têm a liderança mais bem avaliada internamente | Foto: Getty Images

A admiração corporativa no varejo brasileiro é fragmentada: apenas três das 120 maiores empresas avaliadas pelo Ranking IBEVAR-FIA 2026 — Angeloni, Ri Happy e SENAC — conquistaram simultaneamente o primeiro lugar em seu segmento nas três dimensões pesquisadas: preferência do consumidor, orgulho de pertencimento dos colaboradores e confiança na liderança.

O percentual, de apenas 2,5% do total, é o retrato mais direto de uma conclusão central do levantamento: dominar um único território de admiração já é um feito notável; dominar os três é um ato de alinhamento extraordinário.

O estudo, conduzido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School, analisou companhias líderes em 42 segmentos de mercado sob três lentes: Dimensão Consumidor (a empresa mais admirada pelo cliente em seu segmento), Dimensão Colaborador (a mais admirada pelo próprio time) e Dimensão Liderança (a gestão mais bem avaliada pelos colaboradores).

Os números da fragmentação

  • 78,3% líderes em apenas 1 dimensão (94 empresas)
  • 19,2% líderes em 2 dimensões simultâneas (23 empresas)
  • 2,5% líderes nas 3 dimensões (3 empresas)

A grande maioria das companhias — 94 empresas, ou 78,3% da amostra — ocupa a liderança isolada em apenas um pilar.

É o caso de marcas fortes na mente do consumidor, como Americanas, Casas Bahia, Chanel, Localiza, Mercado Livre, Petz, Smart Fit e iFood; de empresas com o maior orgulho interno de equipe, como Itaú Unibanco, Magazine Luiza, Louis Vuitton e Assaí Atacadista; e de companhias cuja liderança é a mais bem avaliada por seus colaboradores, caso de Avon, Gucci, Mercado Pago, SPC Brasil, Sompo Seguros e SENAI.

A convergência de duas dimensões já reduz drasticamente o grupo para 23 empresas (19,2%). O maior desses blocos combina orgulho de equipe e confiança na liderança — colaborador e liderança, sem liderar necessariamente a preferência do consumidor —, reunindo 20 companhias (16,7%), entre elas Natura, Hilton, Hospital Israelita Albert Einstein, Farmácias Pague Menos, Grendene, Prevent Senior, Beach Park, DPaschoal e Guaraná Antarctica.

Já a combinação entre preferência do consumidor e confiança na liderança aparece em apenas duas empresas, Cacau Show e Porto Seguro, enquanto a única companhia a unir mercado e pertencimento interno, sem liderar isoladamente a dimensão liderança, foi a Caixa Econômica Federal.

No topo da pirâmide está o grupo da consolidação plena: Angeloni, Ri Happy e SENAC são, cada uma em seu segmento, simultaneamente a preferida do mercado, a mais admirada pelos próprios colaboradores e a que tem a liderança mais bem avaliada internamente.

Essa tríplice coroa representa a preferência absoluta do mercado, o orgulho de pertencimento dos colaboradores e a confiança na liderança reunidos em uma única marca — a convergência mais rara do estudo.


Claudio Felisoni de Angelo é professor e coordenador de Projetos da FIA Business School, ligada à Fundação Instituto de Administração da USP. Preside o conselho Laboratório de Finanças e Programa de Administração de Varejo da FIA. É professor titular do Departamento de Administração de Empresas da FEA/USP e presidente do IBEVAR - Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo.

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