Nas Ilíadas, obra de Homero, Mentor foi um personagem da mitologia grega, foi um amigo idoso e sábio do herói Ulisses. Quando Ulisses partiu para a guerra de Troia, que durou dez anos, ele confiou a Mentor uma demanda desafiadora: ser o conselheiro, protetor e educador de seu filho, Telêmaco. No entanto, a verdadeira força por trás de Mentor era a deusa Atena, da sabedoria e da estratégia.
A figura de Mentor se tornou um arquétipo universal do guia experiente e sábio que investe no desenvolvimento de alguém menos experiente. E o termo mentoria captura exatamente essa relação: uma orientação baseada em experiência e repertório, em que o mentor oferece apoio, bagagem e conselhos para ajudar o mentorado, como Telêmaco, a crescer e encontrar seu próprio caminho.
Desde então, o processo da mentoria não é uma novidade, mas é uma prática que vem ganhando força nas organizações e em diversos espaços do mundo corporativo, em inúmeros formatos. As mentorias podem ser formais (estruturada por uma organização), ou informais (surgindo organicamente de uma relação, com base em afinidade e nas necessidades do momento). E os tipos de mentoria são:
- Mentoria individual (1:1): o modelo clássico e mais comum, em que o mentor oferece atenção total, confidencialidade e um relacionamento profundo.
- Mentoria em grupo: um mentor orienta um pequeno grupo de mentorados, promovendo a troca entre pares, networking e aprendizado a partir das experiências compartilhadas.
- Mentoria em pares (peer mentoring): ocorre entre colegas de nível hierárquico semelhante, com foco na troca mútua de conhecimentos, apoio e responsabilização, sem hierarquia clara de expertise.
- Mentoria reversa: um jovem ou profissional menos experiente orienta alguém mais sênior, sendo muito comum para ensinar líderes sobre transformação digital, novas tecnologias, cultura jovem ou diversidade.
- Mentoria de sessão única: ocorre em alguma oportunidade pontual, em que há uma consultoria relâmpago, por um tempo limitado (geralmente entre 60 e 90 minutos), para tratar de um tema, problema ou decisão específica e bem delimitada.
Há quase 10 anos, tenho coordenado e acompanhado essas práticas em empresas, associações, grupos alumni e, não importa qual o contexto, sempre vejo resultados incríveis. O sentimento de crescimento e evolução dos mentorados é bem positivo, cheio de insights e aprendizados, enquanto os mentores se sentem muito gratos por entenderem que seu histórico será bem aproveitado por outros talentos, com um ensinamento genuíno.
Quando as mentorias são feitas para públicos específicos e há um objetivo mais direcionado, o desempenho é ainda maior. É muito interessante observar o quanto que mentores também aprendem – até mais que os mentorados! – e se sentem orgulhosos de contribuir com o desenvolvimento de outros profisisonais. Ao final dos programas, os relatos são cheios de afetividade, emoção e gratidão.
Certamente, a mentoria diminui a rotatividade dos colaboradores, promove o crescimento profissional e pessoal dos envolvidos, traz ganhos relacionados à sinergia para a empresa (quando feito nesse espaço), gera um networking fortalecido e melhora os aspectos de comunicação. Mais de 80% dos CEOs apontaram ter contado com um mentor ao longo da sua trajetória. Não seria à toa!
Fica o meu convite para que você também participe de um programa de mentoria, sendo mentorado(a) ou mentorando. Ou nos dois papéis – costumo praticá-los com frequência. E se já participou, pode participar novamente, em outros grupos. Como mentorado(a), mapeie os possíveis mentores na sua rede e aproveite as oportunidades para refletir sobre seus próximos passos e avançar. Como mentor(a), busque redes que precisam desse capital intelectual, que será muito valioso, e sua contribuição voluntária fará toda a diferença para muitas vidas. Estamos sempre aptos a aprender algo a mais.