Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia de 1976, provavelmente teria dito “Lembrem, não existe almoço grátis”, ao tomar conhecimento da ideia do fim da jornada semanal seis por um.
A eventual substituição da escala 6 por 1 por uma jornada semanal de 40 horas pode provocar uma redução relevante na geração de riqueza do varejo brasileiro no curto prazo.
Estimativas indicam que a mudança pode reduzir entre 3,6% e 6,1% o valor adicionado das operações, dependendo do segmento e do porte da empresa.
Como o conjunto desses setores representa cerca de 7% do PIB brasileiro, o impacto agregado pode significar uma redução mínima estimada de 0,32 ponto percentual no PIB.
Tal conclusão parte das seguintes premissas:
- a) redução da jornada de 44 para 40 horas semanais;
- b) queda de 9,1% no total de horas trabalhadas;
- c) produtividade constante no curto prazo;
- d) estrutura de capital (lojas, equipamentos, sistemas) inalterada e;
- e) nível de emprego mantido.
Em termos simples: se as horas trabalhadas caem e não há aumento imediato de produtividade ou investimento para compensar, o que é razoável no curto prazo, a geração de riqueza tende a diminuir.
Os efeitos variam conforme o peso do trabalho em cada tipo de operação. Ou seja: Supermercados entre -5,9% (pequenas lojas) e -5,0% (grandes redes); Material de construção entre −5,6% e −4,7%; Material de escritório entre -5,5% e -4,6%; Informática e comunicação entre −5,3% e −4,4%; Automóveis entre −5,0% e −4,1%; Combustíveis e lubrificantes entre −4,6% e −3,6%; Tecidos, vestuário e calçados entre −6,1% e −5,0%; Móveis e eletrodomésticos entre −5,5% e −4,6%.
Os resultados mostram que empresas menores tendem a sofrer impacto proporcionalmente maior, porque dependem mais intensamente da força de trabalho direta na operação diária.
Grandes operações, por contarem com maior escala, tecnologia e capital investido, apresentam perdas relativamente menores — embora ainda significativas.
Os segmentos analisados representam aproximadamente 7% do PIB nacional. Considerando a redução média estimada na geração de riqueza, o impacto agregado mínimo no PIB seria de 0,32 ponto percentual no curto prazo, mantidas as premissas do estudo.
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