close
Sidney Klajner

Sidney Klajner

O que caracteriza um bom check-up?

Muita gente considera que é a quantidade de exames realizados, o que é uma ideia equivocada. O mais importante é uma boa conversa do médico com o paciente

Check-up

O check-up só valerá a pena se, depois dele, o paciente escolher os caminhos que levam ao sinal verde para sua saúde e qualidade de vida | Foto: Getty Images

Para muitas pessoas, check-up significa realizar uma variada gama de exames laboratoriais e de imagem em um único dia, em um mesmo lugar. Quanto mais exames, melhor seria o check-up. Essa é uma visão equivocada, que deixa de lado elementos-chave desse programa voltado à prevenção/detecção precoce de doenças e à promoção da saúde: uma boa anamnese e um bom exame físico, realizados por médicos e profissionais da equipe multidisciplinar.

É na conversa com o paciente que esses especialistas levantarão informações fundamentais, como histórico pessoal e familiar, estilo de vida, aspectos emocionais, sono e outros fatores que impactam a saúde. Sem isso, o check-up vira um ritual repleto de exames padronizados, mas pobre em significado clínico.

Existem protocolos de check-up bem estabelecidos, que definem quais procedimentos devem ser realizados de forma geral. Por exemplo, mulheres precisam fazer exames de rastreamento dos cânceres de mama (mamografia a partir de 40 anos) e de colo de útero (Papanicolau ou o PCR que identifica presença do vírus HPV); homens, os exames de PSA e toque retal para identificação precoce de tumor de próstata (a partir de 50 anos); ambos os sexos, colonoscopia (a partir de 45 anos) e avaliação dermatológica para câncer de pele.

Diretrizes do gênero são importantes, mas é uma boa anamnese que transforma a “receita de bolo” em um plano de avaliação individualizado para cada paciente. Por exemplo, se há histórico familiar de câncer de intestino, a colonoscopia deve começar antes; se há fatores de risco ou histórico de doenças do coração na família, exames cardiológicos devem ser solicitados; se o paciente é fumante, pode ser indicada uma tomografia do pulmão, e assim por diante.

Enfim, é a conversa entre médico e paciente que permite personalizar o check-up, segundo o perfil, os hábitos, necessidades e potenciais riscos de cada um.

O Dr. Carlos Minanni, gerente médico do Check-up do Einstein, destaca outro aspecto importante: uma boa anamnese evita a realização de exames desnecessários. Além do desperdício de recursos, exames em excesso podem até gerar o sobrediagnóstico (over diagnosis) – “achados” que levarão a mais procedimentos mais onerosos e invasivos, sem que tenham relevância ou impacto real na saúde do paciente.

Acabam apenas provocando estresse, ansiedade e custos desnecessários. Em tempos de hipertecnologia na área da medicina, saber o que não pedir é tão importante quanto saber o que pedir.

Além de prevenção/detecção precoce de doenças, um aspecto fundamental do check-up é que ele deve estar profundamente ligado à promoção da saúde e qualidade de vida, com orientação para a adoção de comportamentos e hábitos mais saudáveis. Assim, programas de check-up como o do Einstein articulam as consultas médicas (clínico geral, urologista, ginecologista e dermatologista) com as da equipe multidisciplinar (psicólogo,

educador físico, nutricionista e fonoaudiólogo), visando mapear riscos e orientar novas rotinas. Nessas interações, passam pelo crivo de especialistas temas como sono, alimentação, consumo de álcool e fumo, atividade física e saúde emocional.

No caso do público executivo, essa abordagem ganha contornos ainda mais relevantes, pois trata-se de um grupo frequentemente submetido à alta carga de estresse, prazos, metas, reuniões e uma agenda atribulada. Ao contrário dos pacientes que buscam o check-up porque priorizam os cuidados com sua saúde, adotam bons hábitos e até comparam resultados de um ano para outro, executivos muitas vezes encaram isso como algo secundário.

Alguns acham difícil até reservar cinco ou seis horas de um único dia do ano para o check-up. E, depois dele, consideram o assunto encerrado, porque há inúmeras outras prioridades à frente. Quando há quadros que preocupam mais, a equipe do Einstein procura fazer a ponte com a área médica da empresa, sendo que algumas contam com atendimento on-site de médico de família do próprio Einstein. Isso só é feito mediante prévia autorização do paciente para o compartilhamento de dados, mas é uma medida que estimula o acompanhamento e evita que o check-up seja apenas um compromisso “para cumprir tabela”.

Afinal, check-up serve para detectar se a saúde está boa ou identificar de forma mais precoce o que pode melhorar, apontando para os cuidados necessários. Um pré-diabetes tem de ser tratado para não evoluir para diabetes. Idem para a hipertensão ou colesterol alto que, não controlados, podem levar a um infarto ou AVC.

Obesidade, maus hábitos alimentares, sedentarismo e tabagismo são vilões associados a uma série de doenças, inclusive as cardiovasculares e o câncer, que são as principais causas de mortalidade. O check-up aciona o sinal amarelo, orienta e direciona para o que precisa ser feito. E só valerá a pena se, depois dele, o paciente escolher os caminhos que levam ao sinal verde para sua saúde e qualidade de vida.


Sidney Klajner é Cirurgião do Aparelho Digestivo e Presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Possui graduação, residência e mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, além de ser fellow of American College of Surgeons. É coordenador da pós-graduação em Coloproctologia e professor do MBA Executivo em Gestão de Saúde no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Einstein.

Assine o Safra Report, nossa newsletter mensal

Receba gratuitamente em seu email as informações mais relevantes para ajudar a construir seu patrimônio

Invista com os especialistas do Safra