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Ilton Caldeira

O ajuste de contas em 2025

A pandemia exigiu gastos gigantescos. Governos injetaram trilhões para salvar empresas, empregos e sistemas de saúde. Mas a conta sempre chega

Dólar

Como todo cenário desafiador, os ventos também podem oferecer oportunidades para quem souber fazer as corretas leituras de cenários e demonstrar agilidade para se adaptar | Foto: Getty Images

Depois de anos de expansão fiscal em praticamente todas as principais economias do mundo, 2025 pode ditar um tom diferente, mais focado em equilibrar as contas e oferecer algum sinal de estabilidade para o cenário futuro. Mas o ajuste fiscal é apenas uma das peças em um quebra-cabeça mais abrangente que envolve inflação, geopolítica, inovação tecnológica e mudanças climáticas.

A pandemia exigiu gastos gigantescos. Governos injetaram trilhões para salvar empresas, empregos e sistemas de saúde. Mas a conta sempre chega. Muitos países enfrentam o desafio de reduzir suas dívidas, seja cortando gastos, aumentando impostos ou ajustando programas.

O problema é que medidas como essas são impopulares, pesam no bolso das pessoas e podem intensificar tensões sociais. Ao mesmo tempo, governos e bancos centrais terão que calibrar muito bem as escolhas para evitar que ajustes muito duros coloquem suas economias em rota recessiva.

Ainda sentindo os efeitos de choques na cadeia de suprimentos e de crises climáticas, a inflação continua sendo uma pedra no sapato. Bancos centrais, como o Federal Reserve, nos Estados Unidos, passaram os últimos anos aumentando os juros para trazer o indicador que estava acima de 9% ao ano para a casa de 3% ao ano, com tendência de uma estabilização gradual. O segredo está, mais uma vez, na busca pelo equilíbrio. Mantendo os preços ao consumidor sob controle sem estrangular o crescimento.

As disputas comerciais entre os Estados Unidos e a China seguirão incentivando empresas no redesenho de suas cadeias de abastecimento e de distribuicão, priorizando regiões que ofereçam melhores vantagens competitivas. Esse movimento de friendshoring incentiva a regionalização de indústrias estratégicas, como semicondutores, por exemplo.

Ao mesmo tempo, economias emergentes, como o Brasil, e agora boa parte dos BRICS ampliado, enfrentam outro tipo de pressão. Com alto desequilíbrio nas contas públicas e custos crescentes de financiamento, especialmente em dólar, esses países precisarão colocar em prática estratégias factíveis para atravessar as turbulências e sobreviver a esse período de ajustes globalmente.

Como todo cenário desafiador, os ventos também podem oferecer oportunidades para quem souber fazer as corretas leituras de cenários e demonstrar agilidade para se adaptar. Isso vale tanto para os governos, como também para as empresas e pessoas físicas. Afinal, mais do que um ajuste de contas, o novo ano pode nos surpreender, de repente, com novas abordagens que possibilitem caminhos que levem a uma transformação para um cenário econômico, e também político, menos nebuloso, de maior equilíbrio e moderação.


Ilton Caldeira é jornalista de Economia e Política e especialista em Relações Internacionais pela FGV-SP. Nos Estados Unidos é Head de Comunicação da Dell’Ome Law Firm e sócio da consultoria Smart Planning Advisers.

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