Onde investir diante da ameaça de Donald Trump de taxar produtos brasileiros
Diante da ameaça de Donald Trump de impor tarifa de 50% aos produtos brasileiros, o Banco Safra recomenda os papéis da Carteira Top 10 ações
10/07/2025 3 minutos
Medita trará impacto negativo significativo sobre as exportações brasileiras aos EUA, afetando ações de exportadoras | Foto: Getty Images
Na tarde da última quarta-feira (9), o presidente dos EUA, Donald Trump, divulgou uma carta anunciando a imposição de tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil, com vigência a partir de 1 de agosto. Embora uma solução diplomática ainda não possa ser descartada, a avaliação preliminar dos especialistas do Banco Safra aponta para um impacto negativo significativo sobre as exportações brasileiras aos EUA, o que pode comprometer o comércio bilateral.
Segundo as estimativas iniciais da equipe de macroeconomia do Safra, os efeitos da nova tarifa podem resultar em uma contração do PIB de 0,3 a 0,4 p.p. Além disso, espera-se um impacto inflacionário de curto prazo devido a uma possível depreciação cambial – a exemplo do que ocorreu ontem – e potencialmente desinflacionário para o médio prazo, já que o excedente de produtos no mercado interno pode pressionar os preços para baixo.
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Setores mais afetados pela tarifa anunciada pelos EUA
O anúncio do presidente Donald Trump foi feito antes do final do pregão de quarta-feira, dia 9, acelerando a queda do Ibovespa, que já operava no campo negativo e encerrou com queda de 1,31%, enquanto os contratos futuros de índice ampliaram as perdas para 2,43%.
Os setores mais penalizados foram Indústria, Saúde e Construção Civil, expostos diretamente às tarifas ou mais alavancados. Já os setores de Petróleo e Gás, Siderurgia e Mineração, também afetados pelas tarifas norte-americanas, registraram quedas mais moderadas que a do Ibovespa.

Isso pode refletir a percepção de que essas companhias teriam maior capacidade de redirecionar suas exportações para outros mercados ou de que o impacto do câmbio ajudaria a compensar possíveis perdas de volume no curto prazo, segundo a análise do Safra.
No mercado de juros, os contratos futuros também reagiram negativamente: o vértice de 5 anos abriu 19 pontos base, enquanto o de 10 anos avançou 21 pontos base. Por fim, os contratos futuros de dólar encerraram o dia em alta de 2,30%. Impactos preliminares nos setores e nas companhias.
Os setores e as companhias diretamente impactados pelas tarifas incluem: Bens de Capital (Embraer e WEG), Papel e Celulose (Suzano), Petróleo (PRIO) e Frigoríficos (Minerva).
O Safra ressalta, no entanto, que há possibilidade de mitigação parcial desses efeitos no médio prazo, especialmente para companhias exportadoras de commodities.
A depender da demanda global, parte dessas exportações pode ser redirecionada para outros mercados, o que ajudaria a suavizar — ou até neutralizar — o impacto negativo das tarifas sobre a receita dessas companhias.
Onde investir diante da ameaça de Donald Trump de taxar compras do Brasil
Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, os setores domésticos com menor volatilidade, como Telecomunicações, Serviços básicos (água e energia) e Consumo Essencial tendem a apresentar maior resiliência no curto prazo, oferecendo uma proteção mais eficaz para carteiras de ações em momentos de aversão ao risco.
Por outro lado, setores exportadores — especialmente os ligados à indústria — devem sentir com mais intensidade os efeitos das tarifas, ficando sob maior pressão neste momento.
Nesse contexto, o Banco Safra avalia que a atual composição da Carteira Top 10 ações está bem-posicionada para o cenário vigente, com apenas 20% de exposição a empresas exportadoras e uma participação relevante de ativos considerados defensivos.
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