Nvidia tem potencial de alta elevado em novo ciclo prolongado de IA
Banco Safra eleva projeções para a fabricante de chips indicando potencial valorização de 50% após identificar expansão estrutural da demanda por infraestrutura de inteligência artificial, com avanço além das big techs e maior monetização do ecossistema de IA
4 minutos Publicado em Atualizado emRelatório do Safra aponta que a Nvidia amplia sua presença em toda a cadeia de infraestrutura de IA, incluindo GPUs, CPUs, redes e software, reforçando geração de caixa e retorno ao acionista | Getty Images
O Safra revisou para cima suas estimativas para a Nvidia e elevou o preço-alvo das ações da companhia de US$ 300 para US$ 320, indicando potencial de valorização de aproximadamente 50% em relação ao fechamento recente do papel. A revisão reflete uma avaliação mais otimista sobre a duração e a abrangência do ciclo global de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Em relatório, os analistas Guilherme Bellizzi Motta e Silvio Dória afirmam que a tese de crescimento da Nvidia deixou de depender exclusivamente dos grandes hyperscalers — como Microsoft, Amazon e Google — e passou a incorporar uma base mais ampla de demanda, incluindo empresas, nuvens nativas de IA, clientes industriais e projetos soberanos de inteligência artificial.
Na avaliação dos especialistas do Safra o Safra, a Nvidia consolidou uma posição estruturalmente dominante na cadeia de infraestrutura de IA, combinando crescimento acelerado, margens elevadas e forte geração de caixa, mesmo em meio às preocupações do mercado com competição crescente, pressão sobre margens e possível desaceleração dos investimentos das gigantes de tecnologia.
Mercado passa a precificar riscos excessivos
O Safra argumenta que a ação já desconta grande parte dos principais riscos levantados pelos investidores. Atualmente, a Nvidia negocia a cerca de 14,3 vezes o lucro estimado para o ano fiscal de 2028, abaixo do múltiplo do S&P 500, de pares de tecnologia e até de empresas do setor de semicondutores.
Na avaliação do banco, essa discrepância entre fundamentos operacionais e valuation permanece “incomumente ampla”.
“O mercado continua procurando gargalos na cadeia de IA, mas a Nvidia segue ampliando monetização, participação tecnológica e capacidade de execução”, destacam os especialistas.
Expansão da IA vai além dos hyperscalers
Empresas e governos entram no ciclo de investimento
Um dos principais pilares da revisão positiva é a diversificação da demanda por infraestrutura de IA. O Safra observa que a receita proveniente de clientes corporativos, industriais e provedores especializados em IA já alcança escala comparável à dos hyperscalers.
Essa mudança reduz a dependência da companhia em relação aos ciclos de investimento de um grupo restrito de gigantes de tecnologia e tende a tornar a demanda menos volátil ao longo do tempo.
Além disso, o banco vê crescimento relevante em iniciativas de “IA soberana”, movimento em que governos e países investem em infraestrutura própria de inteligência artificial por razões estratégicas e geopolíticas.
Nova geração de chips amplia eficiência
Outro fator central para a revisão das projeções é a evolução tecnológica da plataforma da Nvidia. O relatório destaca o avanço da arquitetura Vera Rubin, sucessora da Blackwell, que promete multiplicar a eficiência energética e reduzir significativamente o custo operacional de aplicações de IA.
Segundo estimativas citadas pelo Safra, o sistema Vera Rubin NVL72 pode entregar até dez vezes mais tokens por megawatt e reduzir em até dez vezes o custo por milhão de tokens em determinadas aplicações de IA generativa e agentes autônomos.
Na prática, isso amplia o número de aplicações economicamente viáveis para inteligência artificial e sustenta uma nova onda de demanda computacional.
CPUs e software ganham relevância estratégica
Nvidia busca ampliar participação na infraestrutura de IA
O Safra também aponta que a Nvidia deixou de ser apenas uma fornecedora de GPUs para se tornar uma plataforma integrada de infraestrutura de IA.
O relatório destaca crescimento da participação da empresa em redes, software e agora também no mercado de CPUs para servidores, estimado pela própria Nvidia em cerca de US$ 200 bilhões.
Os analistas afirmam que o avanço da chamada “IA agentic” — sistemas capazes de executar tarefas complexas de forma autônoma — tende a elevar significativamente a demanda por processamento em CPUs, especialmente em tarefas de orquestração, memória, análise de código e execução de ferramentas.
A expectativa da Nvidia é alcançar cerca de US$ 20 bilhões em receita anual com CPUs já no ano fiscal de 2027.
Política de retorno ao acionista reforça tese
Além do crescimento operacional, o Safra avalia que a nova política de alocação de capital da Nvidia fortalece o caso de investimento.
A companhia elevou em 25 vezes seu dividendo trimestral, autorizou um novo programa de recompra de US$ 80 bilhões e assumiu o compromisso de devolver ao menos 50% do fluxo de caixa livre anual aos acionistas.
O banco estima que a Nvidia poderá distribuir cerca de US$ 1,345 trilhão entre dividendos e recompras entre os anos fiscais de 2027 e 2031 — o equivalente a aproximadamente 26% do valor de mercado atual da companhia.
As projeções do Safra indicam crescimento médio anual de 35% para receita; 35% para lucro líquido e
40% para fluxo de caixa livre entre FY2026 e FY2031.
Riscos permanecem no radar
Apesar da visão construtiva, o relatório ressalta riscos relevantes para a tese de investimento.
Entre os principais pontos monitorados estão a desaceleração dos investimentos globais em IA; o avanço competitivo de chips proprietários (ASICs); as pressões geopolíticas e restrições comerciais; gargalos energéticos e de infraestrutura elétrica e dependência da cadeia de suprimentos de memória e semicondutores avançados.
O Safra também alerta para potenciais riscos de transição entre arquiteturas tecnológicas e para a elevada dependência estratégica da liderança executiva da companhia.
Nvidia amplia posição como principal aposta da infraestrutura de IA
Mesmo diante do aumento da concorrência e das discussões sobre sustentabilidade do ciclo de IA, o Safra entende que a Nvidia permanece como o principal ativo exposto ao crescimento estrutural da inteligência artificial global.
Para o banco, a combinação entre expansão da demanda, ganhos de eficiência tecnológica, avanço em novos mercados e forte geração de caixa sustenta um cenário de crescimento prolongado para a companhia ao longo dos próximos anos.
A visão do Safra é que a Nvidia deixou de ser apenas uma fabricante de chips para se consolidar como a principal plataforma global de infraestrutura para inteligência artificial.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
Leia também