Por que a Nvidia pode voltar a surpreender Wall Street
Relatório do Banco Safra aponta receita de US$ 83 bilhões no 1º trimestre fiscal de 2027, sustentada por maior gasto de hyperscalers, demanda por inferência em IA e expansão da arquitetura Blackwell
5 minutos Publicado emNvidia deve divulgar seus resultados em 20 de maio de 2026, após o fechamento do mercado, em um contexto de forte expansão dos investimentos globais em infraestrutura para inteligência artificial | Foto: Getty Images
Safra vê espaço para surpresa positiva nos resultados da Nvidia
A Nvidia (NVDC34) chega à divulgação de resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027, marcada para 20 de maio de 2026, com um pano de fundo considerado construtivo pelo Banco Safra. Em prévia de resultados, a instituição estima que a companhia reportará receita líquida de US$ 83,1 bilhões, alta de 88,5% na comparação anual, além de lucro operacional GAAP de US$ 54,1 bilhões, avanço de 150,2%, e lucro por ação diluído de US$ 1,92, crescimento de 151,6%.
As projeções do Safra superam as estimativas de mercado. Em relação ao consenso, a casa trabalha com números cerca de 6% superiores para receita, 6% para lucro operacional e 10% para lucro por ação, o que reforça a avaliação de que o trimestre pode trazer uma nova leitura positiva para o papel.
A recomendação do banco para a ação negociada em Nova York, NVIDIA Corporation (NASDAQ: NVDA), é Outperform, com preço-alvo de US$ 300. Considerando a cotação atual de US$ 215,20 apontada no material, o potencial de valorização estimado é de 39,4%.
Data Center concentra a tese de alta da Nvidia (NVDC34)
O principal vetor para a visão mais otimista está no segmento de Data Center, que permanece como núcleo da expansão operacional da empresa. O Safra projeta receita de US$ 77,4 bilhões na divisão, o equivalente a uma alta de 98% em relação ao mesmo período do ano anterior*
Dentro dessa linha, a expectativa é de US$ 64,8 bilhões em Compute, avanço de 89,7%, e de US$ 12,6 bilhões em Networking, crescimento de 154,9%.
A leitura do banco é que o desempenho reflete a continuidade do ciclo de adoção das plataformas Blackwell e Blackwell Ultra, além do avanço de soluções de conectividade ligadas à nova geração de infraestrutura de IA.
Blackwell, NVLink e redes sustentam expansão
Segundo a análise, a área de Networking deve ser beneficiada pela aceleração dos switches NVLink scale-up nas plataformas GB200/GB300 NVL72, pela expansão do Spectrum-X Ethernet e do InfiniBand, além da mudança no mix de clientes em direção a arquiteturas em escala de rack.
Essa combinação ajuda a explicar por que o Safra enxerga uma trajetória mais forte do que a já embutida nas estimativas médias do mercado. No consenso, a receita de Data Center está em torno de US$ 72,8 bilhões, abaixo da projeção do banco.
Alta no capex dos hyperscalers reforça visibilidade de demanda
Outro pilar central da tese é a revisão altista dos investimentos dos maiores clientes globais de infraestrutura digital. Desde que a Nvidia divulgou sua orientação de receita de US$ 78 bilhões, com variação de 2% para cima ou para baixo, em 25 de fevereiro de 2026, o ambiente de demanda se fortaleceu de forma relevante.
De acordo com o Safra, os quatro maiores hyperscalers — Microsoft, Alphabet, Meta e Amazon — elevaram em conjunto sua projeção de investimentos para o ano-calendário de 2026 de aproximadamente US$ 674 bilhões para cerca de US$ 725 bilhões. Isso representa um acréscimo de US$ 51 bilhões e uma expansão anual de 77%*
Na prática, esse movimento sinaliza aumento de volumes contratados em compromissos plurianuais, além de pressão de custos em componentes. Para a Nvidia, a consequência é uma base mais robusta de demanda para embarques ao longo dos próximos trimestres.
Ritmo de embarques pode acelerar ao longo do ano
O Safra observa ainda que, com gastos de aproximadamente US$ 131 bilhões no primeiro trimestre desse grupo de clientes, o ritmo implícito para os três trimestres seguintes ficaria próximo de US$ 198 bilhões por trimestre. A inferência é que a cadência de entregas da Nvidia pode ganhar tração adicional à frente, sobretudo se a oferta continuar apertada.
Também entram nessa equação os sinais de alta nos preços de aluguel de GPUs como A100, H100, H200 e B200, indicativo tanto de restrição de oferta quanto de maior retorno econômico extraído por unidade de processamento à medida que as cargas de inferência avançam.
Demanda reforça tese de monetização da IA
Se o aumento de capex dos hyperscalers sustenta a ponta da infraestrutura, a leitura do Safra é que os sinais vindos das empresas de software completam a fotografia da demanda. Nos resultados do primeiro trimestre do ano-calendário de 2026, diversas companhias relataram aceleração do consumo de tokens de IA em produtos e processos internos.
Esse ponto é especialmente relevante porque ajuda a demonstrar que a capacidade computacional adquirida vem sendo efetivamente absorvida por aplicações de inferência, o que dá maior sustentação à visibilidade de receita da Nvidia.
Entre os exemplos citados no relatório, a Shopify indicou expansão do uso de modelos de linguagem em seu produto Sidekick. A Spotify atribuiu parte da aceleração de despesas operacionais à capacidade de inferência e a treinamentos internos com dados proprietários. A Pinterest relacionou maior gasto em infraestrutura à ampliação de capacidade de GPUs para modelos visuais. Já a Duolingo sinalizou pressão em margem bruta com o crescimento do uso de funcionalidades baseadas em IA.
A lista inclui ainda a Airbnb, que informou que cerca de 60% do código produzido por sua engenharia já é cocriado com IA, e a Uber, que ampliou seu orçamento de investimento em inteligência artificial após afirmar que o retorno das ferramentas superou o planejamento inicial*
Valuation segue exigente, mas crescimento ampara recomendação
Mesmo após a expressiva valorização acumulada e com a companhia avaliada em US$ 5,25 trilhões, o Safra sustenta visão favorável para o papel com base no crescimento operacional e na geração de caixa esperada. Os múltiplos projetados indicam P/L de 23,9 vezes para FY27E, 18,2 vezes para FY28E e 14,7 vezes para FY29E.
Pelo lado de fluxo de caixa, o banco projeta FCF Yield de 3,4% em FY27E, com expansão para 4,8% em FY28E e 6,1% em FY29E. A leitura implícita é que, embora a ação não negocie em patamares baratos em termos absolutos, a velocidade de crescimento ainda justifica prêmio relevante.
O que o mercado deve monitorar no resultado
Mais do que os números do trimestre, o mercado tende a concentrar atenção em três frentes principais:
- A qualidade do guidance para os próximos trimestres, especialmente diante da aceleração dos investimentos em IA;
- O ritmo de ramp-up da plataforma Blackwell, incluindo disponibilidade de oferta e mix de produtos*
- A sustentabilidade da demanda de inferência, que passou a ganhar protagonismo ao lado do treinamento de modelos.
Caso a companhia confirme uma combinação de receita acima do consenso, expansão robusta em Data Center e sinalizações positivas para a segunda metade do ano, o resultado poderá reforçar a tese de continuidade do ciclo estrutural de monetização da inteligência artificial.
Leitura para o investidor
A prévia do Safra sugere que a Nvidia entra em sua próxima divulgação de balanço com vetores simultâneos de suporte: aumento dos investimentos dos grandes clientes de nuvem, avanço tecnológico na família Blackwell, expansão de networking de alto desempenho e evidências crescentes de uso efetivo de IA no ecossistema corporativo.
Para o investidor, o ponto central é que a tese da companhia parece cada vez menos dependente apenas de expectativa e mais apoiada em sinais concretos de demanda, tanto na camada de infraestrutura quanto na aplicação final.
Em um mercado que segue sensível à execução e ao ritmo de monetização da IA, esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a Nvidia continua entre os ativos mais estratégicos do setor global de tecnologia.
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