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Nvidia enfrenta limite de oferta em meio à explosão da demanda por IA

A Nvidia permanece, assim, como uma das principais escolhas do Safra no setor de tecnologia, apoiada por três vetores: crescimento dos data centers, aumento do conteúdo por projeto de infraestrutura e geração crescente de caixa para os acionistas

4 minutos

A análise do Banco Safra mantém uma visão otimista para a Nvidia e classifica a companhia como uma das principais escolhas de investimento no setor | Foto: Getty Images

A gigante de tecnologia Nvidia (NVDC34) apresentou resultados acima das expectativas no segundo trimestre do ano fiscal de 2027, reforçando a avaliação positiva dos especialistas do Banco Safra sobre a empresa. A receita alcançou US$ 96,2 bilhões, alta de 106% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando em 4,6% o consenso do mercado.

A divisão de Data Center respondeu por US$ 89 bilhões, crescimento anual de 117%. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 2,22, 6,2% acima da projeção média dos analistas.

Para o terceiro trimestre fiscal, a Nvidia projetou receita de US$ 108 bilhões, com margem de variação de 2%. Embora o guidance esteja abaixo da estimativa do Safra, ele supera o consenso e incorpora o início da contribuição da nova plataforma Vera Rubin.

Segundo a administração, a demanda dos clientes poderia sustentar crescimento próximo de 100% caso houvesse capacidade suficiente. Na avaliação do Safra, isso indica que o principal limitador da companhia passou a ser a expansão da oferta, e não a procura por seus produtos.

Vera Rubin inaugura nova etapa de crescimento

As entregas da plataforma Vera Rubin começaram em agosto, e a tecnologia já conta com pedidos de grandes provedores de nuvem, empresas especializadas em inteligência artificial e fabricantes de sistemas. A expectativa é que Rubin represente aproximadamente 20% da receita de Data Center no terceiro trimestre fiscal de 2027.

A nova arquitetura foi projetada para aumentar a capacidade de processamento dentro de limites restritos de energia — um fator cada vez mais importante para os data centers. De acordo com a Nvidia, a solução pode oferecer rendimento cerca de 30 vezes maior por megawatt e reduzir em aproximadamente 35% o custo por token em relação à geração GB300.

Mais conteúdo por projeto de infraestrutura

A Nvidia também vem ampliando sua participação em cada “fábrica de IA”, conceito que reúne processamento, redes, software e sistemas de armazenamento. A receita potencial por gigawatt de capacidade instalada deve passar de cerca de:

  • US$ 18 bilhões com a arquitetura Hopper;
  • US$ 25 bilhões com a Blackwell;
  • US$ 40 bilhões com a Vera Rubin.

O avanço dos processadores centrais, ou CPUs, também contribui para essa expansão. A receita da linha Grace já superou US$ 5 bilhões nos últimos 12 meses, e o Safra espera que as receitas de CPUs mais que dobrem no ano fiscal de 2028.

Base de clientes se diversifica

Embora os grandes provedores de computação em nuvem continuem sendo os principais compradores, a demanda está se espalhando para outros segmentos. Neoclouds, governos, empresas e companhias especializadas em inteligência artificial devem responder por aproximadamente metade da receita de Data Center no futuro, segundo a administração da Nvidia.

A receita relacionada a clientes corporativos, governos e integradores de infraestrutura atingiu cerca de US$ 40 bilhões no segundo trimestre, alta de 138% em um ano. A capacidade instalada dos neoclouds, por sua vez, pode avançar de aproximadamente 3 gigawatts no fim de 2025 para 8 gigawatts até o fim de 2026.

Para o Safra, essa diversificação favorece o modelo integrado da Nvidia. Muitos desses clientes não têm capacidade própria para desenvolver semicondutores, redes e sistemas completos. Por isso, acabam adquirindo uma plataforma mais ampla, e não apenas aceleradores individuais.

A análise também destaca o avanço dos modelos de inteligência artificial de pesos abertos, usados por empresas, startups e governos para desenvolver aplicações próprias. A expectativa para o ano fiscal de 2028, contudo, não considera receitas de computação em data centers provenientes da China.

Compromissos de infraestrutura aumentam

A Nvidia vem avançando na cadeia de fornecimento para garantir memória, componentes, redes, energia e espaço em data centers necessários ao crescimento da inteligência artificial. Os compromissos de fornecimento e capacidade subiram de US$ 119 bilhões para US$ 279 bilhões em um trimestre, enquanto os compromissos futuros totais chegaram a US$ 366 bilhões.

A avaliação do Safra é que esses compromissos refletem a confiança da companhia na expansão da plataforma Vera Rubin e na demanda do próximo ano fiscal. Ao mesmo tempo, eles mostram que o crescimento dependerá da velocidade de expansão de toda a infraestrutura de inteligência artificial.

A complexidade crescente da chamada inferência — etapa em que os modelos geram respostas e executam tarefas — também sustenta a demanda. Segundo a Nvidia, aplicações baseadas em agentes podem exigir entre 15 e 100 vezes mais capacidade computacional do que interações convencionais.

Margens sofrem com custo da memória

O principal ponto de atenção está nas margens. A margem bruta foi de 75% no segundo trimestre, mas a companhia espera que o indicador recue para uma faixa entre 71% e 72% no quarto trimestre fiscal de 2027. Para o ano fiscal de 2028, a projeção é de estabilização entre 72% e 73%.

A pressão decorre principalmente da alta dos preços de memória, impulsionada pela corrida global para construir infraestrutura de inteligência artificial. A Nvidia ampliou antecipadamente seus contratos de fornecimento para sustentar o lançamento da Vera Rubin, o que elevou os custos.

A companhia pretende começar a implementar aumentos de preços dos sistemas a partir do primeiro trimestre fiscal de 2028. Na avaliação do Safra, o crescimento mais forte da receita deve compensar amplamente a redução das margens em termos absolutos de lucro.

Geração de caixa reforça tese de investimento

A Nvidia devolveu aproximadamente US$ 26 bilhões aos acionistas no segundo trimestre, sendo US$ 20 bilhões em recompras de ações e US$ 6 bilhões em dividendos. No acumulado do ano, a distribuição já corresponde a cerca de 60% do fluxo de caixa livre, acima da política anterior de pelo menos 50%.

O fluxo de caixa livre trimestral foi de US$ 21,3 bilhões, afetado temporariamente pelo aumento dos estoques antes do lançamento da Vera Rubin e pela elevação do prazo médio de recebimento de clientes em contratos de longo prazo.

Com base na estimativa de crescimento de aproximadamente 70% da receita no ano fiscal de 2028, o Safra projeta faturamento próximo de US$ 720 bilhões e lucro por ação de US$ 16,60, acima dos US$ 14,85 previstos anteriormente pelo banco.

A estimativa também aponta para fluxo de caixa livre entre US$ 360 bilhões e US$ 375 bilhões, equivalente a mais de US$ 1,1 bilhão por dia. Com essa capacidade financeira, a Nvidia teria espaço para ampliar recompras e dividendos, mesmo mantendo investimentos elevados na cadeia de infraestrutura.

Safra mantém Nvidia como principal escolha

Na avaliação do Banco Safra, os resultados acima das expectativas, o ritmo mais acelerado de crescimento projetado para 2028 e o lançamento da Vera Rubin sustentam novas revisões positivas nas estimativas de lucro.

Mesmo com a pressão temporária sobre as margens, o banco estima que a Nvidia possa negociar a cerca de 13 vezes o lucro projetado, abaixo da relação de aproximadamente 19 vezes do S&P 500. Para os especialistas, o desconto não reflete adequadamente o ritmo de crescimento da companhia e a expansão estrutural da demanda por inteligência artificial.

A Nvidia permanece, assim, como uma das principais escolhas do Safra no setor de tecnologia, apoiada por três vetores: crescimento dos data centers, aumento do conteúdo por projeto de infraestrutura e geração crescente de caixa para os acionistas.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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