Nvidia e CrowdStrike elevam aposta em cibersegurança com IA agêntica
Parceria entre Nvidia (NVDA) e CrowdStrike (CRWD) combina modelos abertos, dados proprietários e agentes autônomos para acelerar a defesa contra ataques digitais cada vez mais automatizados
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Integração entre os modelos Nemotron, da Nvidia (NVDA), e a plataforma Falcon, da CrowdStrike (CRWD), busca transformar dados de ameaças em respostas automatizadas de cibersegurança | Foto: Getty Images
A Nvidia (NVDA) e a CrowdStrike (CRWD) anunciaram uma nova etapa de sua parceria em cibersegurança, com o lançamento do SafeMind, sistema de inteligência artificial agêntica voltado à detecção, à prevenção e à resposta automatizada a ameaças digitais.
A Nvidia (NVDA), líder mundial em computação de Inteligência Artificial, é a empresa mais valiosa do mundo, com valor de mercado em torno de US$ 5,4 trilhões.
A CrowdStrike Holdings, com sede em Austin, no Texas (EUA), é uma empresa de tecnologia de segurança que fornece proteção e serviços de resposta a ataques cibernéticos. Em 2024, uma falha no software Falcon, da CrowdStrike Holdings, provocou um apagão tecnológico que atingiu aeroportos, afetou bolsas de valores e tirou do ar centenas de aplicativos em todo o mundo.
A parceria da CrowdStrike com a Nvidia e a surge em um momento de aceleração dos ataques conduzidos com inteligência artificial. Segundo dados apresentados pela CrowdStrike (CRWD), as ofensivas com uso de IA cresceram 89% no último ano, enquanto o menor intervalo registrado entre uma invasão e o início de atividades criminosas chegou a 27 segundos.
Nesse cenário, a resposta humana perde capacidade de acompanhar a velocidade dos incidentes. A proposta das empresas é transferir parte relevante da operação defensiva para agentes autônomos, capazes de identificar vulnerabilidades, testar caminhos de ataque, criar regras de detecção e bloquear ameaças em ciclos contínuos.
Durante a conferência Fal.Con 2026, em Las Vegas, o fundador e CEO da Nvidia (NVDA), Jensen Huang, afirmou que a automação deixou de ser uma escolha para se tornar uma exigência da área de segurança digital. A avaliação é que, à medida que invasores passam a usar modelos avançados de IA, as empresas precisam adotar ferramentas de capacidade equivalente para reduzir a assimetria na defesa.
Para os especialistas do Banco Safra, os gastos com proteção digital tendem a ser menos sensíveis a cortes orçamentários, mesmo em períodos de desaceleração da atividade corporativa, tendo em vista os investimentos necessários para garantir o funcionamento e a segurança da operação, independentemente do ambiente econômico. Com essa tese, o banco lançou o Fundo Safra de Segurança Digital – Cybersecurity.
Fundo Safra Segurança Digital – Cybersecurity
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SafeMind combina modelos e dados proprietários
O SafeMind, primeiro sistema de inteligência artificial agêntica (agentic AI) voltado para a cibersegurança, foi desenvolvido pela CrowdStrike (CRWD) com base nos modelos abertos Nemotron, da Nvidia (NVDA), e em dados proprietários de ameaças acumulados pela empresa de cibersegurança ao longo de sua atuação no mercado.
A arquitetura reúne modelos de defesa, agentes especializados e mecanismos próprios de orquestração. Na prática, a plataforma simula uma dinâmica de ataque e defesa: agentes ofensivos procuram brechas em um ambiente digital, enquanto agentes defensivos monitoram a atividade, identificam sinais de invasão e criam mecanismos para neutralizar o risco.
Os aprendizados desse processo alimentam novas regras de proteção, que podem ser distribuídas pela plataforma Falcon, da CrowdStrike (CRWD). A lógica é criar um ciclo contínuo de aperfeiçoamento, no qual os sistemas de defesa se fortalecem à medida que enfrentam ataques simulados e reais.
A CrowdStrike (CRWD) informou que o modelo Blue Solano, baseado no Nemotron 3 Super, alcançou maior precisão do que modelos avançados concorrentes em testes internos, com custo 99% menor. Como se trata de uma avaliação da própria companhia, os resultados devem ser observados como um indicativo da eficiência pretendida pela nova arquitetura.
Modelos abertos ganham espaço na segurança
A escolha dos modelos abertos da Nvidia (NVDA) reforça uma tendência relevante para empresas que lidam com dados sensíveis. Diferentemente de modelos fechados, que dependem de plataformas externas, sistemas abertos podem ser adaptados e treinados com informações internas, em ambientes controlados pelas próprias organizações.
No campo da cibersegurança, essa característica ganha importância porque dados sobre incidentes, vulnerabilidades e infraestrutura costumam ter alto grau de confidencialidade. A possibilidade de ajustar os modelos sem enviar informações estratégicas a terceiros pode se tornar um diferencial para setores como bancos, saúde, energia, governo e infraestrutura crítica.
Para a Nvidia (NVDA), a parceria amplia o alcance dos modelos Nemotron além das aplicações tradicionais de computação acelerada e inteligência artificial generativa. A empresa busca posicionar sua infraestrutura como base para aplicações corporativas de alto valor, nas quais modelos especializados exigem desempenho, capacidade de treinamento e integração com fluxos operacionais complexos.
Cibersegurança entra na era dos agentes autônomos
Além do SafeMind, a CrowdStrike (CRWD) apresentou o Falcon IQ, solução que utiliza mais de 50 agentes de IA para automatizar tarefas de avaliação, priorização e remediação de riscos. A ferramenta opera dentro da plataforma Charlotte AI AgentWorks, ambiente sem código para desenvolvimento de agentes voltados à segurança.
A estratégia aponta para uma mudança na forma como as empresas estruturam suas operações de defesa. Em vez de usar a inteligência artificial apenas como assistente para analistas, fornecedores de segurança passam a oferecer equipes digitais capazes de executar tarefas em conjunto, com supervisão humana e foco em velocidade de resposta.
A Nvidia (NVDA) também testou os modelos e os mecanismos do SafeMind em uma simulação de alta fidelidade de sua própria rede. O ambiente digital replica parte da infraestrutura de computação acelerada da companhia e permite que agentes ofensivos e defensivos disputem, em tempo real, o controle de vulnerabilidades e mecanismos de proteção.
Impacto para investidores
A parceria reforça uma frente de crescimento para a Nvidia (NVDA) em software, modelos de IA e infraestrutura corporativa. Embora a companhia ainda tenha nos chips para data centers seu principal vetor de receita, o avanço de aplicações especializadas amplia o potencial de demanda por sua plataforma de computação acelerada.
Para a CrowdStrike (CRWD), o anúncio fortalece a tese de diferenciação em um mercado no qual velocidade de detecção, automação e acesso a dados proprietários podem definir a competitividade. A companhia reúne uma ampla base de clientes e trilhões de eventos diários de segurança, ativos que alimentam seus modelos e ampliam sua capacidade de resposta a novas ameaças.
A expansão da IA também altera a dinâmica do setor. Se a tecnologia aumenta o poder de ataque de criminosos digitais, ela tende a elevar, ao mesmo tempo, a necessidade de investimentos em ferramentas de proteção. Para empresas de cibersegurança e fornecedores de infraestrutura de IA, esse movimento pode abrir uma nova frente de receitas associada à defesa automatizada de ambientes corporativos.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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