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Minerais do futuro: o projeto estratégico da Virinis no Sul de Minas

Companhia australiana avança em terras raras no Brasil com foco em baixo custo, parceria industrial e integração fora da China, em meio à transição energética global

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terras raras

Viridis desenvolve um ativo estratégico de terras raras voltado à cadeia global de minerais no Projeto Colossus, no Planalto Vulcânico de Poços de Caldas (MG)críticos | Foto: Getty Images

Com atuação internacional, a australiana Viridis Mining and Minerals se posiciona como uma empresa voltada à descoberta e ao avanço responsável de novos ativos minerais com alto potencial econômico. Listada na Australian Securities Exchange (ASX: VMM), a companhia concentra sua estratégia em minerais considerados críticos para a economia do futuro, em um contexto de transição energética, reconfiguração industrial e segurança das cadeias globais de suprimento.

No Brasil, a Viridis desenvolve o Projeto Colossus, localizado no Planalto Vulcânico de Poços de Caldas, em Minas Gerais. O plano de longo prazo prevê investimentos superiores a R$ 1,35 bilhão em pesquisa, mineração e processamento de terras raras — insumos essenciais para tecnologias avançadas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e aplicações industriais e de defesa.

Uma alternativa fora da China em uma cadeia concentrada

O interesse crescente de investidores por minerais críticos está diretamente ligado à elevada concentração da cadeia global de terras raras. A China responde por aproximadamente 65% da produção mineral e por mais de 90% das etapas downstream, incluindo separação, refino, produção de ligas e fabricação de ímãs permanentes.

Nesse cenário, o projeto da Viridis se destaca como uma alternativa relevante fora da Ásia, segundo os especialistas em investimentos do Banco Safra.

A companhia pretende atuar tanto no upstream quanto no midstream da cadeia, por meio da mineração de argila iônica e da produção de carbonato misto de terras raras (MREC), com foco no fornecimento a players não chineses.

Vantagens competitivas do Projeto Colossus

Geologia favorável e eficiência operacional

Segundo a administração, o Projeto Colossus reúne atributos que o posicionam entre as operações de menor custo do setor em escala global. O depósito de argila iônica apresenta mineralização rasa, logística favorável e taxas médias de recuperação em torno de 77%, patamar elevado quando comparado a projetos similares no Brasil.

Atualmente, apenas cerca de 12% da área da concessão está incluída na estimativa de recursos, o que reforça o potencial de expansão via novas campanhas de exploração. A planta piloto instalada no local demandou investimento aproximado de US$ 5 milhões e possui capacidade de processamento de cerca de 25 toneladas por hora, funcionando como base para testes metalúrgicos e para o escalonamento industrial.

Parceria estratégica com a Solvay

Um dos principais vetores de valor do projeto é a parceria com a Solvay. A carta de intenções assinada entre as companhias combina acordo de offtake com cooperação técnica, voltada à viabilização comercial e à integração downstream fora da China.

A expectativa da administração é que um contrato vinculante seja formalizado até meados de julho, podendo incluir mecanismos como preço mínimo. Caso confirmado, o acordo tende a reduzir riscos comerciais e a reforçar a atratividade do projeto junto ao mercado.

Licenciamento ambiental e cronograma

O licenciamento ambiental permanece como um dos principais pontos de atenção da tese. A Viridis já detém a licença de pré-viabilidade e submeteu recentemente o pedido da Licença de Instalação (LI), considerada o principal marco regulatório do projeto. A Licença de Operação (LO) seria exigida apenas mais próxima do início da produção comercial, estimada, no cenário-base, para 2028.

Próximos catalisadores para o mercado

Entre os principais marcos esperados nos próximos meses estão:

  • Atualização das estimativas de recursos e reservas;
  • Continuidade das campanhas de perfuração;
  • Conclusão dos estudos QRA/SRA, prevista para meados de junho;
  • Avanço no processo de aprovação da LI, esperado para o segundo semestre de 2026;
  • Testes adicionais na planta de demonstração.

A companhia mantém a meta de decisão final de investimento (FID) em setembro, ao mesmo tempo em que ressalta a complexidade técnica e regulatória envolvida no desenvolvimento de projetos de argila iônica em escala comercial.

Leitura estratégica para investidores

Em um ambiente de crescente demanda por minerais críticos e de busca por cadeias de suprimento mais resilientes, o Projeto Colossus posiciona a Viridis como um player emergente relevante no segmento de terras raras fora da China.

A combinação entre baixo custo potencial, integração parcial da cadeia, parceria industrial e presença no Brasil confere ao ativo um papel estratégico no médio e longo prazo — ainda que o sucesso dependa do avanço regulatório e da execução disciplinada do cronograma.

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