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Ação da Meta pode subir até 47% com novas frentes de inteligência artificial

Banco Safra projeta crescimento no lucro por ação da controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, à medida que a inteligência artificial cria novas frentes de monetização

4 minutos
Meta

Meta Platforms (META) amplia investimentos em infraestrutura de inteligência artificial para sustentar novas fontes de receita além da publicidade digital, segundo análise do Safra | Fptp: Getty Images

A Meta Platforms (META), controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, passou por uma reprecificação para baixo nos últimos meses. A ação da companhia negocia hoje a aproximadamente 17,5 vezes o lucro por ação futuro, patamar inferior tanto à média do S&P 500, próxima de 19 vezes, quanto à média histórica da própria empresa, de cerca de 22 vezes.

Segundo análise do Banco Safra, esse movimento reflete a preocupação do mercado com a magnitude dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e com a capacidade desses aportes de gerar retorno adequado. Os analistas do banco, no entanto, discordam dessa leitura e enxergam a companhia como uma oportunidade atrativa.

Para o Safra, a inteligência artificial já eleva o engajamento dos usuários, aprimora a precificação de anúncios e amplia a conversão no negócio principal de publicidade. Ao mesmo tempo, a mesma expansão de infraestrutura abre caminho para novas fontes de monetização, entre elas assinaturas para consumidores, planos pagos de inteligência artificial, assinaturas profissionais, agentes para consumidores e empresas, APIs de modelos e serviços de computação em nuvem.

Inteligência artificial já eleva engajamento e receita de anúncios

De acordo com a avaliação dos especialistas do Safra, os sistemas de recomendação baseados em inteligência artificial ampliam a descoberta de conteúdo além da rede tradicional de conexões sociais, migrando para uma rede mais ampla, baseada em interesses dos usuários. Esse avanço aumenta o tempo de engajamento do público e, consequentemente, cria mais oportunidades para exibição de anúncios.

A otimização dinâmica da carga publicitária permite à Meta (META) converter esse maior engajamento em impressões adicionais, sem comprometer a experiência do usuário. Além disso, melhorias em recuperação de informações, ranqueamento, criatividade e mensuração elevam as taxas de conversão e o retorno sobre o investimento em publicidade dos anunciantes, o que sustenta lances mais elevados e amplia a demanda por espaço publicitário.

Como resultado, o Safra observa crescimento de dois dígitos tanto em impressões quanto em preços de anúncios, o que permite à companhia capturar uma parcela desproporcional do crescimento incremental dos gastos com publicidade digital.

O banco também destaca que o recente acordo firmado entre a empresa e procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos reduziu riscos regulatórios ligados aos sistemas de recomendação que sustentam a monetização do conjunto de aplicativos da companhia.

Assinaturas e agentes de inteligência artificial abrem novas receitas

Além da publicidade, a Meta (META) começa a monetizar sua base de usuários e empresas por outras vias. As assinaturas para consumidores adicionam funcionalidades pagas ao Instagram, ao Facebook e ao WhatsApp, enquanto o programa batizado de Meta One amplia a monetização entre usuários intensivos de inteligência artificial e ferramentas profissionais voltadas para criadores de conteúdo e empresas.

Os produtos baseados em agentes de inteligência artificial reforçam essa frente. O Meta Business Agent, por exemplo, automatiza conversas com clientes, recomendações, qualificação de leads, agendamentos e vendas.

Já o agente para consumidores, conhecido como Hatch, executa tarefas em múltiplas etapas por meio de serviços de terceiros. Segundo o Safra, a distribuição já consolidada da companhia oferece a esses produtos um caminho direto para alcançar usuários e empresas em larga escala.

Expansão de data centers amplia oportunidades corporativas

O Safra também ressalta que a Meta (META) tem uma quantidade significativa de nova capacidade computacional entrando em operação a partir do segundo semestre de 2026. Essa expansão deve acelerar a evolução de modelos e produtos, além de transferir para a infraestrutura própria da empresa uma parcela crescente das cargas de trabalho de programação, agentes autônomos e inferência atualmente realizadas por provedores terceirizados.

A chamada Meta Model API disponibiliza esses modelos para desenvolvedores e empresas, enquanto os serviços de computação em nuvem criam uma via adicional de monetização para a mesma infraestrutura. Assim, a companhia pode alocar sua capacidade computacional de forma flexível entre usos internos e externos, conforme a demanda de cada frente de negócio.

Safra projeta alta de até 47% no lucro por ação

Utilizando o consenso de mercado para 2027 como referência, o Safra construiu três cenários para medir o potencial de lucro das novas iniciativas de inteligência artificial da companhia. No cenário conservador, o banco projeta alta de aproximadamente 6% na receita, 14% no EBIT e 14% no lucro por ação. No cenário base, a projeção sobe para 13% na receita, 29% no EBIT e 29% no lucro por ação. Já no cenário otimista, o Safra estima avanço de 20% na receita, 47% no EBIT e 47% no lucro por ação.

Os analistas reconhecem que a transição para um modelo mais intensivo em capital eleva custos relacionados a energia, redes, operação de data centers, pesquisa em inteligência artificial, contratação de engenheiros, uso de modelos de terceiros e depreciação de novos ativos. Contudo, avaliam que o consenso de mercado já incorpora essa estrutura de custos mais pesada, ao mesmo tempo em que subestima os ganhos de receita decorrentes do mesmo ciclo de investimentos.

Ação da Meta pode passar por reprecificação positiva

Para o Safra, a expansão da inteligência artificial fortalece as vantagens competitivas da Meta (META), em vez de representar apenas um risco de execução.

A companhia adiciona capacidade computacional escassa, capaz de gerar retorno superior ao custo de construção em recomendações, publicidade, agentes autônomos, treinamento e inferência de modelos, além da Meta Model API e dos serviços de computação em nuvem.

O banco conclui que a continuidade do forte momento do negócio principal de publicidade deve sustentar o crescimento dos resultados da companhia no curto prazo.

Enquanto isso, as novas fontes de receita ligadas à inteligência artificial ampliam a base de lucros da empresa e, na avaliação dos analistas, justificam uma reprecificação positiva da ação nos próximos trimestres.

Cley Scholz

Editor do portal O Especialista. LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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