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Governo cumpre meta fiscal, apesar do aumento do déficit

Com superávit de R$ 22,11 bilhões, governo central encerra 2025 atendendo à meta fiscal, apesar da piora do déficit

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meta fiscal

Em 2025, os órgãos do governo mostraram maior capacidade de gastarem os recursos autorizados em comparação a anos anteriores | Foto: Getty Images

O resultado primário do governo central em dezembro de 2025 registrou superávit de R$ 22,11 bilhões, superando a projeção de R$ 12,36 bilhões dos especialistas do Banco Safra.

Esse desempenho decorreu, principalmente, da surpresa positiva de R$ 14,5 bi na receita líquida, que mais do que compensou o desvio de R$ 4,8 bilhões na despesa total.

Em 2025, a receita líquida cresceu 2,8% em termos reais, ritmo abaixo do crescimento real de 3,4% das despesas. A receita líquida e as despesas alcançaram 18,3% e 18,8% do PIB, respectivamente, levando a um resultado primário de aproximadamente -0,5% do PIB (em linha com nossa expectativa para o PIB em 12 meses).

Piora do déficit

Esse resultado representa uma pequena piora frente ao déficit de 0,4% do PIB em 2024. Essa piora foi puxada pelas despesas, que subiram 0,1 p.p. do PIB em relação à despesa do ano anterior (18,7% do PIB), enquanto a receita líquida ficou praticamente estável em relação a 2024.

Em dezembro, a receita líquida ficou R$ 14,55 bilhões acima da projeção do Banco Safra. A principal surpresa veio em Receitas Não Administradas pela Receita Federal (R$ 11,3 bilhões) e decorrente, principalmente, da arrecadação de R$ 8,8 bilhões em leilões de petróleo no fim do ano passado, cuja entrada financeira dos recursos em dezembro não foi capturada pelas coletas dos analistas do Safra.

Apesar da surpresa positiva, trata-se de uma receita pontual e não de uma melhora recorrente da arrecadação.

Quanto às despesas, o resultado de dezembro ficou R$ 4,8 bilhões acima do projetado por nós, com as principais surpresas vindo em Obrigatórias com Controle de Fluxo (R$ 2,6 bilhões) e Despesas Discricionárias (R$ 1,5 bilhão).

Particularmente no fim do ano essas linhas (principalmente a de despesas discricionárias) são afetadas pela capacidade de os órgãos executarem recursos autorizados (empenhados) acumulados dos meses anteriores.

Quanto menor a capacidade de execução, maior o “empoçamento” de despesas. De acordo com o relatório do Tesouro, o ano
de 2025 fechou com R$ 8 bilhões de recursos empoçados, bem abaixo da média histórica de R$ 17 bilhões (valores nominais) entre 2021 e 2024.

Ou seja: em 2025, os órgãos mostraram maior capacidade de gastarem os recursos autorizados em comparação a anos anteriores, reduzindo o empoçamento.

Apesar do gasto mais elevado ao fim de 2025, esse movimento suaviza a pressão em 2026: menos recursos empoçados
significam menos restos a pagar que migram para o ano corrente, reduzindo o espaço para gastos extras em relação ao orçamento deste ano.

Meta fiscal: segundo ano do novo arcabouço

Excluindo as despesas não computadas para a meta fiscal (principalmente precatórios), que somam quase 0,4% do PIB, do cálculo de déficit de 0,5% do PIB, chegase num resultado primário ajustado de -0,1% do PIB, dentro da banda inferior da meta (de zero a -0,25% do PIB). Isto implica mais um cumprimento da meta de resultado primário.

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