Mercado de caminhões e ônibus derruba produção de veículos
Queda de 16% na produção de veículos em dezembro, na comparação com o mês anterior, é atribuída à produção fraca de veículos pesados, com caminhões e ônibus
16/01/2026 3 minutos
A produção de automóveis de passeio atingiu 140 mil unidades em dezembro, queda de -0,6% na comparação anual | Foto: Getty Images
A Anfavea divulgou produção de 184,5 mil veículos em dezembro de 2025 (-4% na comparação anual e -16% em relação ao mês anterior). Esse desempenho pode ser atribuído à produção fraca de veículos pesados, com caminhões e ônibus caindo -46% e -59% a/a, respectivamente.
Em uma divisão por segmento, o Banco Safra destaca:
- (i) a produção de automóveis de passeio atingiu 140 mil unidades (-0,6% a/a e -15% m/m);
- (ii) a produção de comerciais leves alcançou 38 mil unidades (-1,5% a/a e -12% m/m);
- (iii) a produção de caminhões ficou em 5,7 mil unidades (-46% a/a e -40% m/m); e (iv) a produção de ônibus totalizou 0,7 mil unidades (-59% a/a e -47% m/m.
Guidance de 2026
A associação está projetando uma visão cautelosamente otimista para o ano. O Safra destaca os seguintes fatores:
- (i) a produção de veículos leves (+3.8% a/a) deve impulsionar o crescimento anual dos volumes, e os veículos elétricos devem continuar ganhando tração. Notavelmente, a produção de veículos leves está superando as estimativas de vendas (+2.8% a/a), em parte devido à inclusão de unidades SKD/CKD nos números de produção — uma mudança em relação a 2025, quando essas unidades não eram contabilizadas.
- (ii) A produção de veículos pesados (+1.4% a/a) deve permanecer pressionada pelos juros elevados. No entanto, o programa Move Brasil deve dar suporte aos volumes de caminhões. Dada a demanda reprimida significativa no mercado de caminhões pesados, a Anfavea antecipa que esse segmento será o mais beneficiado pelo programa — potencialmente impulsionando volumes da Randoncorp, dada sua maior exposição a esse segmento.
Durante a conference call, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou vários pontos importantes, incluindo:
- (i) Programa Move Brasil – a associação vê o programa como um pilar fundamental para apoiar volumes de caminhões
pesados em 2026. A iniciativa permanecerá aberta até maio de 2026, oferecendo financiamento de até BRL 50
milhões por beneficiário, com taxas de juros entre 11.8% e 14% — significativamente abaixo das taxas atuais de
mercado, de 18% a 22%. Espera-se que o mercado de caminhões pesados sofra o maior impacto, impulsionado pela
demanda reprimida no segmento; - (ii) Tarifas de importação de SKD/CKD – a Anfavea espera que a cota de isenção de importação expire conforme programado, em 31 de janeiro;
- (iii) O programa Carro Sustentável continua a apoiar a demanda – desde seu lançamento em 11 de julho (com expiração em 30 de dezembro), o programa contribuiu para um aumento de 15.6% a/a nas vendas dos modelos elegíveis.
Análise do Banco Safra sobre o mercado de veículos
O Banco Safra avalia os dados da Anfavea como negativos para Marcopolo (POMO4). A ação tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 10.50.
A avaliação também é negativa para a Randoncorp (RAPT4). A ação tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 7.80.
Os números são considerados mistos para Iochpe-Maxion (MYPK3), que tem recomendação de ompra e preço-alvo de R$ 15.00.
O segmento de ônibus registrou números fracos de produção em dezembro, queda de 59% a/a, principalmente devido
à menor demanda doméstica e exportações estagnadas, que permanecem fracas na Argentina em meio à incerteza
pós-eleitoral.
Para a Randoncorp, a produção de caminhões registrou mais um desempenho negativo, caindo 46% a/a e levando o acumulado do ano (Desde o início do ano) a -12%. Por fim, para Iochpe vemos resultados mistos, com produção de veículos leves praticamente estável (-0.8% a/a), mas impactada pelos menores volumes de produção de veículos pesados.
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