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Os melhores títulos do Tesouro para investir no atual cenário

Com a Selic em 14,75% após o primeiro corte em quase dois anos, preferência é por títulos indexados à inflação de prazos curto e intermediário; confira as resomendações do Banco Safra

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Títulos do Tesouro

Relatório do Safra indica que o início do ciclo de flexibilização monetária favorece NTN-Bs 2028-2030 e 2032-2035, em um ambiente ainda marcado por inflação pressionada, risco fiscal e volatilidade extern | Foto: Getty Images

O primeiro corte da taxa Selic em quase dois anos recolocou os títulos públicos no centro da estratégia de alocação dos investidores brasileiros. No relatório de estratégia de renda fixa publicado de abril, os especialistas em investimentos do Banco Safra defendem que o atual momento favorece uma postura ativa, com foco em papéis capazes de combinar carrego elevado com risco de perda mais contido.

A leitura da casa é de que a redução da Selic de 15,00% para 14,75%, decidida pelo Copom em 18 de março, não representa o início de um ciclo linear e previsível de afrouxamento monetário.

Ao contrário, o banco vê um ambiente de elevada dispersão de expectativas, inflação ainda desconfortável em sua composição, quadro fiscal frágil e maior sensibilidade ao cenário externo.

Nesse contexto, a recomendação do Safra privilegia títulos do Tesouro que possam capturar a reprecificação da curva de juros sem expor excessivamente o investidor à volatilidade dos vértices mais longos.

NTN-Bs concentram a posição central da estratégia

A principal recomendação dos especialistas recai sobre as NTN-Bs de vencimentos curtos e intermediários, que aparecem como o núcleo da alocação sugerida.

Segundo o relatório, as NTN-Bs 2028 a 2030 lideram o movimento de fechamento de taxas desde março e ainda negociam com juro real ao redor de 7,8%, nível considerado elevado e significativamente acima da taxa neutra.

Para o Safra, esses papéis reúnem duas vantagens: sensibilidade maior ao início do ciclo de cortes e risco de duration mais controlado.

Já no trecho intermediário da curva, a preferência recai sobre as NTN-Bs 2032 a 2035, vistas como a posição central da carteira. A avaliação é que esses vencimentos oferecem carrego real ainda robusto, com volatilidade moderada e prêmio relevante em relação às pontas longas. Na prática, o banco enxerga a “barriga” da curva como um ponto de equilíbrio entre retorno potencial e risco de mercado.

Curto prazo para capturar a reprecificação, médio prazo para alongar o ganho

A lógica da estratégia é escalonada. Nos papéis mais curtos, o ganho tenderia a vir mais rapidamente, à medida que o mercado incorpora os efeitos iniciais da queda da Selic. Nos vencimentos intermediários, a captura de valor ocorreria em uma segunda etapa, conforme o fechamento da curva migrasse do curto para o médio prazo.

Essa combinação, na visão do Safra, permite ao investidor montar uma carteira com assimetria positiva em um momento ainda incerto para a política monetária.

LFTs funcionam como reserva tática de liquidez

Ao lado das NTN-Bs, o Safra recomenda manter uma parcela relevante do portfólio em LFTs com vencimento entre 2031 e 2032. O papel atribuído a esses títulos não é o de protagonismo em retorno, mas o de estabilidade e liquidez.

Como acompanham a Selic e têm baixa sensibilidade à marcação a mercado, as LFTs aparecem como uma âncora defensiva em um cenário no qual o Banco Central iniciou o ciclo de cortes, mas ainda sob cautela.

O relatório destaca que esses títulos seguem oferecendo carrego nominal elevado, com risco de mercado próximo de zero, além de funcionarem como reserva tática para eventual migração a ativos mais atrativos quando houver maior visibilidade sobre os próximos passos do Copom.

Prefixados curtos entram como aposta tática

A terceira perna da estratégia envolve os prefixados de curto prazo, com destaque para a LTN janeiro de 2028. O Safra vê nesse papel uma oportunidade tática de carrego, dada a taxa nominal em torno de 13,74% observada no início de abril.

A avaliação é que, com duration relativamente curta, o título limita a exposição a movimentos adversos mais intensos da curva. Ao mesmo tempo, se o ciclo de cortes avançar em linha com a mediana das projeções de mercado, o investidor ainda pode capturar ganho de capital adicional. Se o Banco Central mantiver postura mais conservadora, o carrego segue competitivo.

Por que os títulos longos ficam em segundo plano

Embora reconheça retorno esperado elevado em papéis mais longos, o Safra adota postura mais comedida com as NTN-Bs 2050 em diante. A recomendação para esse trecho é neutra.

Duration longa amplia sensibilidade ao risco fiscal

O ponto central da cautela está na duration muito elevada desses papéis. Em um ambiente de dívida bruta em alta, necessidade de financiamento relevante do setor público e incerteza sobre a trajetória fiscal, o banco entende que os ganhos potenciais dos títulos longos vêm acompanhados de volatilidade significativamente maior.

Isso não significa exclusão total desses ativos da carteira, mas sim um uso complementar, voltado a investidores com maior tolerância a oscilações e horizonte mais extenso.

O pano de fundo macroeconômico segue desafiador

A estratégia proposta pelo Safra parte da leitura de que o Brasil entrou em um ciclo de cortes de juros, mas ainda distante de um ambiente plenamente benigno para a renda fixa.

A atividade doméstica mostra desaceleração controlada, sem colapso, enquanto a inflação em 12 meses cedeu, mas segue com composição considerada desconfortável, especialmente nos serviços e nos núcleos.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a precificar uma trajetória de afrouxamento monetário cercada de incerteza, com grande dispersão nas estimativas para a Selic ao fim de 2026.

No exterior, o quadro também adiciona pressão. A volatilidade dos Treasuries, o aumento da aversão ao risco ao longo de março e a instabilidade geopolítica ligada ao conflito envolvendo o Irã reforçam a leitura de que o investidor deve evitar apostas excessivamente direcionais e privilegiar combinações mais equilibradas entre retorno e proteção.

Como fica a carteira recomendada pelo Safra

De forma resumida, a distribuição sugerida pelos especialistas do banco é a seguinte:

  • NTN-B 2028–2030: posição de curto prazo, com 40% da alocação sugerida;
  • NTN-B 2032–2035: posição central da carteira, com 30% de alocação;
  • LFT 2031–2032: âncora de liquidez, com 20% do portfólio;
  • Prefixado LTN jan/28: posição tática, com 10% de alocação;
  • NTN-B 2050+: alocação complementar, com viés neutro.

A recomendação sintetiza a visão de que, no atual estágio do ciclo, o investidor brasileiro tende a ser melhor remunerado ao combinar proteção inflacionária, carrego real elevado, liquidez e exposição moderada a duration.

O que monitorar daqui para frente

O Safra destaca três vetores de risco que podem alterar a atratividade relativa dos títulos do Tesouro nos próximos meses:

  • desancoragem das expectativas de inflação, que pode exigir juros elevados por mais tempo;
  • deterioração fiscal acelerada, com impacto mais direto sobre a curva longa;
  • choques externos de aversão ao risco, capazes de reabrir prêmios e elevar a volatilidade.

Em outras palavras, a mensagem central do relatório é que o início do corte da Selic melhora o pano de fundo para a renda fixa pública, mas não elimina a necessidade de seletividade.

No diagnóstico dos especialistas do Banco Safra, os melhores títulos do Tesouro para o investidor brasileiro no cenário atual são aqueles posicionados entre a proteção inflacionária de curto e médio prazo, a liquidez das LFTs e o carrego oportunístico dos prefixados curtos.

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