‘Saúde virou bagunça com emendas parlamentares’, afirma Marcos Lisboa
Marcos Lisboa, ex-secretário de política econômica, criticou a falta de planejamento da distribuição de verbas federais, durante a J.Safra Investment Conference
17/09/2025 2 minutos
Marcos Lisboa e Marcos Lisboa debateram a situação fiscl do brasil, mediados por Joaquim Levy | Foto: Divulgação
O desafio fiscal do Brasil foi um dos temas debatidos na J.Safra Investment Conference, realizada no hotel Grand Hyatt, em São Paulo. Especialistas criticaram a forma como os diferentes níveis de governo administram a utilização de verbas públicas.
“O uso de emendas parlamentares na área da saúde é uma bagunça, onde cada parlamentar manda recursos para a sua base eleitoral, dificultando a aplicação de uma política de saúde planejada”, afirmou o economista Marcos Lisboa, ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda. Ele defendeu que o Brasil precisa enfrentar o desafio da formação educacional e profissional, além de investir em qualidade. “Queremos ser um País moderno ou continuar sendo o País da meia entrada”, questionou.
A J.Safra Investment Conference – Don’t Stop Thinking About Tomorrow, evento anual mais importante do Banco J.Safra, reúne autoridades públicas e alguns dos principais nomes do mercado financeiro e empresarial do Brasil e do exterior.
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Marcos Mendes, economista e pesquisador associado em políticas públicas do Insper, destacou que o Brasil gasta mais com os idosos do que com a formação educacional das crianças e jovens. Ele disse que o Centro de Debates dobre Políticas Públicas (CDPP) está preparando uma série de propostas sobre como enfrentar a questão fiscal para ser apresentada a todos os presidenciáveis nas eleições de 2026.
Especialistas criticam gestão de investimentos em saúde e educação
Marcos Lisboa lembrou como a situação dos Estados foi equacionada no Plano Real, antes da nova crise a partir de 2013, aumentando em cerca de 3% o peso no PIB do Brasil desde então. “Muitos Estados judicializaram as dívidas, e todos os incentivos da nossa política são para arrebentar o cofre e aumentar a despesa da União”, comentou, citando o descontrole do Estado do Rio de Janeiro como exemplo.
“A gente nunca tratou a educação com a mesma importância que merecem outros setores, como a saúde ou as vacinas”, disse Lisboa. “A sociedade não cobra as melhores respostas da ciência para melhorar o analfabetismo”.
No encerramento do debate, marcos Lisboa fez um depoimento sobre Joseph Safra (1938-2020), controlador do Banco Safra. “Para mim é um privilégio estar aqui hoje, pois considero que Joseph Safra foi um banqueiro com capacidade impressionante, que nos deixou um legado surpreendente. ele cuidava dos detalhes que faziam a diferença”. Joaquim levy, que mediou o debate sobre a situação fiscal do Brasil, acrescentou: “A família Safra sempre se preocupou com a formação e a educação”.
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