Galeão é leiloado por R$ 2,9 bi e Aena amplia presença no setor aeroportuário
Com ágio de 210,88% sobre o valor mínimo, disputa em viva-voz na B3 reforça o apetite por ativos de infraestrutura e consolida a expansão da espanhola Aena no mercado brasileiro
31/03/2026 3 minutos
Leilão do Aeroporto Internacional do Galeão, realizado na B3, em São Paulo, terminou com vitória da Aena após disputa acirrada e sinalizou renovado interesse de investidores por ativos aeroportuários no Brasil | Foto: Getty Images
O Aeroporto Internacional do Galeão – Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, foi arrematado nesta segunda-feira (30) pela espanhola Aena, que apresentou a proposta vencedora de R$ 2,9 bilhões em leilão realizado na sede da B3, em São Paulo. O valor corresponde a um ágio de 210,88% sobre o lance mínimo previsto em edital, de R$ 932 milhões.
O resultado confirma o interesse do mercado por ativos de infraestrutura com potencial de geração de caixa e reforça a estratégia de expansão da Aena no país, onde a companhia já administra aeroportos relevantes como Congonhas, Recife, Maceió, João Pessoa e Aracaju.
Disputa foi decidida no viva-voz após empate na fase inicial
A concorrência pelo ativo reuniu ainda a Zurich Airport e a RIOgaleão, atual concessionária do terminal. Na primeira etapa do certame, com entrega de propostas em envelopes fechados, Aena e Zurich Airport empataram com ofertas de R$ 1,5 bilhão, o que levou a disputa para uma rodada em viva-voz.
Após 26 lances, a Aena superou a rival e garantiu a concessão. Já a RIOgaleão apresentou proposta de R$ 934.045.874, pouco acima do piso estabelecido em edital.
Ativo estratégico para turismo e aviação doméstica
O Galeão é considerado um ativo estratégico para o setor aéreo brasileiro. Além de funcionar como uma das principais portas de entrada de turistas estrangeiros no país, o aeroporto mantém relevância na malha doméstica. Em 2025, o terminal movimentou cerca de 18 milhões de passageiros, o equivalente a 13% do tráfego aéreo nacional.
Esse peso operacional ajuda a explicar a competição pelo ativo, em um momento em que operadores globais buscam ampliar exposição a mercados com perspectiva de crescimento de demanda e melhora de rentabilidade no longo prazo.
Modelo de venda assistida redesenha estrutura da concessão
O leilão foi conduzido pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com participação do ministro Silvio Costa Filho. O processo ocorreu sob o modelo de venda assistida, mecanismo desenhado em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU) para permitir a reorganização contratual do ativo, com foco em modernização regulatória e recomposição do equilíbrio econômico-financeiro da concessão.
Atualmente, a gestão do aeroporto está nas mãos da RIOgaleão, sociedade controlada pela Vinci Airports (70%) e pela Changi Airports (30%). Com o desfecho do leilão, a nova concessionária assumirá o controle integral do terminal.
Infraero deixará participação no negócio
A operação também marca a saída da Infraero, que atualmente detém 49% da operação. Com isso, a estrutura societária do Galeão será simplificada, o que tende a dar maior autonomia à futura controladora para executar investimentos, rever estratégias comerciais e buscar maior eficiência operacional.
Receita futura da União também entra na conta
Além da contribuição inicial de R$ 2,9 bilhões, a vencedora assumiu o compromisso de pagar à União uma contribuição variável anual de 20% do faturamento bruto da concessão até 2039. Para investidores e agentes do setor, esse componente reforça o potencial de geração de receitas públicas atreladas ao desempenho do ativo, ao mesmo tempo em que exige disciplina operacional da concessionária para preservar margens ao longo do contrato.
Leilão reforça apetite por infraestrutura e consolidação do setor
A vitória da Aena amplia a presença da operadora espanhola no país e consolida um movimento de concentração entre grandes grupos internacionais no setor aeroportuário brasileiro. O resultado do leilão também sinaliza que ativos de infraestrutura continuam atraindo interesse relevante, mesmo em um ambiente de exigência maior por retorno e previsibilidade regulatória.
Para o mercado, o desfecho do Galeão tem leitura que vai além do setor aéreo: ele funciona como termômetro da disposição de investidores estratégicos em alocar capital em concessões brasileiras de longo prazo, especialmente em segmentos com demanda resiliente, capacidade de expansão comercial e relevância logística.
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