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J.Safra Conference indica os destaques do setor de recursos naturais

Maior evento anual do Banco J.Safra, conferência abordou os principais temas do setor de recursos naturais em painéis com as principais empresas do setor

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As metas de produção da Vale estão no caminho certo segundo o Safra, com avanços em Capanema e Vargem Grande | Foto: Getty Images

A J. Safra Investment Conference 2025, nos dias 16 e 17 de setembro, debateu os principais temas do setor de recursos naturais em painéis, ao mesmo tempo em que promoveu reuniões com investidores e empresas. Entre os diversos tópicos importantes abordados, o Safra destaca os seguintes pontos:

Vale

A Vale (VALE3) mantém uma visão construtiva sobre a demanda de longo prazo por minério de ferro, projetando crescimento impulsionado pela urbanização e pela transição energética. Em resposta à dinâmica de mercado, a empresa está aumentando a flexibilidade em seu portfólio de produtos.

As metas de produção da Vale estão no caminho certo segundo o Safra, com avanços em Capanema e Vargem Grande. Em metais básicos, a expansão do cobre está planejada apesar do tradicional processo demorado de licenciamento no país, enquanto o níquel busca atingir o ponto de equilíbrio de caixa.

A orientação de custos permanece inalterada, e o capex foi revisado para baixo para US$ 5,4 bilhões–US$ 5,7 bilhões; se os preços se mantiverem até o 4T25, a Vale pode considerar dividendos extraordinários ou recompra de ações.

Aura

A Aura (AURA33) está prestes a iniciar a produção comercial em Borborema, com orientação de produção para 2025 entre 33–40 mil onças e um ramp-up completo que pode adicionar cerca de 70 mil onças até 2026. A perfuração em Matupá deve levar a uma atualização das reservas até o final do ano, enquanto Minosa continua com desempenho acima do esperado. Almas está expandindo a capacidade e estudando o potencial subterrâneo.

A aquisição da MSG deve ocorrer em breve, com uma transição desafiadora pela frente. A Aura será deslistada da bolsa canadense em 25 de setembro, e o interesse dos investidores permanece forte, apesar das preocupações com licenciamento e turnaround.

CSN/CMIN

A CSN (CSNA3) mantém uma visão construtiva para o minério de ferro, apoiada pela forte demanda chinesa por aço, recuperação de margens e cortes de capacidade, com preços esperados na faixa de US$ 100–US$ 110/t até o final do ano. O projeto P15 está no caminho para 2027–2028 e deve aumentar o teor de Fe e a rentabilidade.

No Brasil, os mercados de aço enfrentam pressão das importações e demanda fraca, mas espera-se recuperação de preços no médio prazo; os volumes de cimento estão melhorando, e podem ocorrer movimentos de M&A em logística e cimento nos próximos anos.

A CSN busca manter alavancagem abaixo de 3x, com R$ 5 bilhões em capex em 2025 e possível suspensão de dividendos para priorizar desalavancagem.

Dexco

A Dexco (DEXCO3) continua bem posicionada no mercado brasileiro de painéis de madeira, operando com utilização máxima e se beneficiando da autossuficiência em madeira, o que sustenta margens cerca de 10 p.p. acima dos pares. Na Deca, a consolidação operacional em Recife e iniciativas de terceirização estão gerando ganhos de eficiência, com ventos favoráveis do câmbio nos custos.

A divisão de Revestimentos continua enfrentando desequilíbrios entre oferta e demanda, mas o ramp-up da planta de Botucatu está aumentando a competitividade. A LD Celulose mantém operações estáveis e preços premium, com estudos de eliminação de gargalos em andamento e dividendos esperados para 2026. A disciplina de capital permanece forte, com desalavancagem potencialmente apoiada por ativos florestais valiosos e execução de capex direcionado.

Klabin

A Klabin (KLBN11) espera que os volumes de celulose permaneçam estáveis no terceiro trimestre de 2025, com preços sob pressão devido à dinâmica da fibra curta, embora os spreads em fluff devam se manter. Os volumes de kraftliner devem crescer, apoiados pela flexibilidade da MP28, enquanto novas entradas no mercado podem pesar temporariamente nos preços.

O segmento de embalagens continua com bom desempenho, com volumes fortes de caixas e navegação bem-sucedida em tarifas de sacos industriais. A MP27 está próxima da capacidade total, e a MP28 deve atingir 400 mil toneladas em 2025, com o kraft ganhando relevância no mix.

O EBITDA deve se beneficiar da sazonalidade, mas pressões de custos e paradas de manutenção no 4T25 adicionam risco; a desalavancagem continua sendo prioridade, apoiada por entradas esperadas e capex disciplinado.

Irani

A Irani (RANI3) continua focada em papelão ondulado e papel para sacos, sendo este último visto como um negócio de alta margem (“cash cow”) e o primeiro impulsionando crescimento estrutural. A empresa saiu do negócio de resinas para reduzir volatilidade e melhorar a alocação de ativos. Os custos de OCC dispararam no início de 2025, mas devem se normalizar, ajudando a restaurar margens.

A Irani busca manter a alavancagem abaixo de 2,5x, com picos recentes devendo recuar. O Projeto Gaia está quase concluído, com cerca de R$ 190 milhões em capex restantes, enquanto o crescimento futuro via Projeto Neos está suspenso em meio à incerteza macroeconômica.

Eldorado

A Eldorado permanece cautelosa em relação ao mercado de celulose, citando demanda estável. A empresa aumentou a eficiência da planta para 1,8 milhão t/ano e possui uma base florestal excedente de mais de 100 mil hectares, com infraestrutura pronta para expansão futura. A desalavancagem é uma prioridade, com meta de alavancagem entre 2,5x–3,5x até 2026. A monetização de ativos, incluindo acordos de troca de madeira como o realizado com Suzano e Arauco, faz parte da estratégia. Embora planos de expansão como a Linha 2 permaneçam no radar, grandes desembolsos de capex só ocorrerão quando a alavancagem estiver sob controle.

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