Brasil pode ser maior ganhador com a isenção tarifária dos EUA para carne bovina
Nova cota dos EUA exclui grandes exportadores e pode favorecer o Brasil; Minerva (BEEF3) aparece bem posicionada para capturar os efeitos da medida
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Nova cota de importação dos Estados Unidos pode ampliar as exportações brasileiras de carne bovina e beneficiar empresas como a Minerva | Foto: Getty Images
A Casa Branca publicou uma proclamação que isenta as aparas magras de carne bovina da tarifa de importação de 25% aplicada pelos Estados Unidos. A medida havia sido anunciada pelo presidente Donald Trump na semana anterior.
A cota terá volume total de 300 mil toneladas e será dividida em três parcelas de 100 mil toneladas por mês, a partir de 1º de setembro. Toda a cota será destinada ao grupo denominado “outros países ou áreas”, que inclui o Brasil e exclui Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Uruguai e Reino Unido.
A distribuição seguirá o critério de ordem de chegada, conhecido como “first-come, first-served”. Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, esse mecanismo tende a favorecer países geograficamente mais próximos dos Estados Unidos.
Medida prevê venda com desconto
A isenção tarifária está condicionada a algumas regras. Entre elas, está a exigência de que as aparas magras de carne bovina importadas sob a cota sejam vendidas com desconto de 25% em relação ao preço de mercado.
Além disso, a administração americana poderá revogar ou alterar a medida. Essa possibilidade mantém um nível de incerteza para os exportadores e exige acompanhamento das próximas decisões do governo dos Estados Unidos.
Brasil aparece como principal beneficiário
Na avaliação do Safra, o Brasil é o principal candidato a se beneficiar da nova cota por três razões.
A primeira é a relevância da carne bovina moída na pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos. A segunda está relacionada à capacidade do país de atender ao volume destinado à categoria “outros países ou áreas”.
Por fim, a proximidade geográfica relativa com os Estados Unidos, especialmente por meio dos portos da região Norte, pode representar uma vantagem para os exportadores brasileiros em um sistema baseado na ordem de chegada.
Minerva pode capturar efeitos positivos
Entre as empresas listadas na bolsa brasileira, a Minerva (BEEF3) aparece como a ação mais bem posicionada para capturar os potenciais benefícios da medida, segundo o Safra.
A companhia apresenta elevada exposição ao negócio de carne bovina, enquanto o Brasil responde por aproximadamente 57% de suas receitas. Esse perfil pode favorecer a empresa caso os exportadores brasileiros conquistem uma parcela relevante da cota americana.
Atualmente, a tarifa de importação sobre a carne bovina brasileira nos Estados Unidos é de 26,4%. Mesmo com a exigência de venda dos produtos com desconto de 25%, a operação ainda pode permanecer economicamente positiva, de acordo com a análise do Safra.
Exportações aos EUA podem compensar China
O aumento potencial das exportações brasileiras para os Estados Unidos também pode ajudar a compensar a redução esperada nos embarques para a China, em razão da cota de importação estabelecida pelo país asiático.
A cota americana de 300 mil toneladas representa aproximadamente 55% da redução projetada nos volumes exportados para a China. Dessa forma, a medida pode oferecer uma alternativa relevante para os frigoríficos brasileiros, embora o impacto efetivo dependa da velocidade de utilização da cota, dos preços praticados e das condições logísticas.
Para o Safra, a Minerva reúne a maior exposição aos fatores que podem impulsionar as exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos. A evolução da regulamentação americana e a efetiva distribuição da cota, no entanto, serão determinantes para a materialização desse potencial.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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