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IPCA aponta desinflação lenta e mantém juros restritivos no radar

Inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,44% e voltou ao intervalo da meta, mas a pressão em serviços e núcleos reforça a cautela sobre a trajetória dos juros

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Supermercado ipca

Composição do IPCA de julho mostra surpresa altista em serviços, enquanto bens industriais e preços administrados ajudaram a conter o índice; análise é do Banco Safra | Foto: Getty Images

A inflação oficial medida pelo (Índice de Preços ao Consumidor amplo) IPCA avançou 0,07% em julho, acima da projeção de 0,02% do Banco Safra e do consenso de mercado, de 0,01%.

Embora a inflação acumulada em 12 meses tenha recuado de 4,64% para 4,44%, retornando ao intervalo de tolerância da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a composição do resultado foi menos favorável do que a observada em junho.

A principal surpresa veio dos serviços e de algumas categorias de alimentos. O resultado reforça a avaliação de que o processo de desinflação continua, mas ocorre de forma gradual e ainda depende da moderação da atividade econômica e da manutenção dos juros em nível restritivo.

Inflação retorna ao intervalo da meta

Com a leitura de julho, o IPCA voltou a ficar dentro das bandas de flutuação da meta de inflação. Pelo regime de meta contínua, o descumprimento ocorre quando o índice permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.

Na avaliação do Banco Safra, o resultado de julho assegura o cumprimento da meta pelo menos até o fim de 2026, embora as projeções indiquem uma possível aceleração da inflação acumulada no encerramento do ano.

O banco estima que o IPCA em 12 meses alcance 4,90% em dezembro, pressionado pelos efeitos do fenômeno climático El Niño e por uma sazonalidade menos favorável nos últimos meses do ano.

Serviços concentram a surpresa negativa

A inflação de serviços subiu 0,54% em julho, ante uma projeção de 0,39%. Entre os itens que contribuíram para o desvio estão conserto de automóvel, transporte por aplicativo e hospedagem.

O núcleo de serviços subjacentes, que exclui componentes mais voláteis e busca captar tendências persistentes da inflação, avançou 0,42%, acima da estimativa de 0,29%. O resultado indica que a desaceleração dos preços ligados à demanda ainda não ganhou força suficiente.

Núcleos recuam, mas menos do que o esperado

A média dos núcleos de inflação, em média móvel trimestral com ajuste sazonal, caiu de 4,8% para 4,5%. O Safra esperava uma desaceleração mais intensa, para 4,1%.

O índice de difusão — que mede a proporção de itens com aumento de preços — também apresentou apenas um movimento descendente tímido. Em conjunto, esses indicadores sugerem que a desinflação prossegue, mas sem uma disseminação ampla e consistente entre os componentes do índice.

Alimentos ajudam, mas queda foi menor que a projetada

A alimentação no domicílio registrou deflação de 1,14% em julho, mesma variação observada no IPCA-15. A queda foi influenciada principalmente pelos preços de produtos in natura.

Ainda assim, a retração ficou aquém da esperada pelo banco. Batata-inglesa, leite longa vida e frutas apresentaram recuo menos intenso do que o projetado, limitando o impacto baixista do grupo sobre o índice geral.

A contribuição dos alimentos foi parcialmente neutralizada pela pressão em serviços, o que resultou em um IPCA mensal superior às estimativas.

Bens industriais seguem comportados

Os preços de bens industriais recuaram 0,10% em julho, enquanto o Safra projetava alta de 0,01%. O comportamento refletiu um arrefecimento disseminado entre os itens do grupo e contribuiu para compensar parte das pressões observadas em serviços.

Os preços administrados também tiveram variação ligeiramente inferior à prevista, com alta de 0,27%, ante projeção de 0,32%. A deflação mais intensa da gasolina e o aumento mais contido da tarifa de energia elétrica ajudaram a limitar o resultado.

Na composição do índice, os preços livres tiveram queda de 0,01%, enquanto os administrados subiram 0,27%.

Juros restritivos continuam determinantes

Para o Banco Safra, a atividade econômica mais moderada e a manutenção da taxa de juros em patamar bastante restritivo devem permitir a continuidade da queda gradual da inflação no curto prazo.

O resultado de julho, contudo, recomenda cautela. A surpresa altista em serviços e o comportamento dos núcleos mostram que a convergência da inflação para níveis compatíveis com a meta ainda não está consolidada.

O cenário para a política monetária, portanto, permanece condicionado à evolução dos preços de serviços, à disseminação das altas e ao comportamento da atividade.

Mesmo com a inflação acumulada dentro da meta, a resistência dos componentes estruturais pode limitar o espaço para uma flexibilização mais rápida dos juros.

Perspectivas para o fim de 2026

A expectativa do Safra é de continuidade da desinflação nos próximos meses, mas com leituras mensais mais pressionadas no fim do ano. Os efeitos climáticos e a sazonalidade desfavorável devem elevar o IPCA acumulado em 12 meses para 4,90% em dezembro.

A projeção reforça a leitura de que o retorno da inflação ao intervalo da meta em julho representa uma melhora importante, mas não elimina os riscos associados à persistência dos preços de serviços e à trajetória dos núcleos.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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