IPCA-15 sobe 0,70% em setembro: para onde vai a inflação?
Prévia da inflação acelera para 4,47% em 12 meses, acima das projeções, mas pressão se concentra em alimentos in natura e serviços voláteis. Safra mantém expectativa de desinflação gradual
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Alimentos in natura e passagens aéreas lideraram a surpresa do IPCA-15 de setembro, enquanto os indicadores subjacentes preservaram sinais de moderação inflacionária | Foto: Getty Images
O IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, após queda de 0,40% em agosto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A prévia da inflação ficou acima da estimativa de 0,59% do Banco Safra e do consenso de mercado, de 0,55%.
Em 12 meses, a prévia da inflação de setembro acumulou alta de 4,47%, ante 4,24% no mês anterior. Apesar da aceleração, o resultado ainda permanece compatível com o cumprimento da meta de inflação, na avaliação dos economistas do banco.
O dado cheio, no entanto, exige uma leitura mais detalhada. A surpresa veio sobretudo de componentes tradicionalmente mais instáveis, como alimentos in natura, passagens aéreas e transporte por aplicativo. Por isso, o avanço do índice não altera de forma relevante o cenário de desinflação gradual projetado para os próximos meses.
Alimentos in natura voltam a pressionar
A alimentação no domicílio subiu 0,38% em setembro, acima da projeção de 0,26%. Batata-inglesa e tomate foram os principais vetores de alta após registrarem quedas expressivas nos meses anteriores.
Esse movimento reforça a sensibilidade do índice a oscilações de oferta e a fatores climáticos, segundo os especialistas do Banco Safra. Embora esses produtos tenham peso relevante no orçamento das famílias, sua volatilidade tende a limitar o impacto sobre as medidas que buscam captar a tendência mais persistente da inflação.
Para os próximos meses, eventos climáticos continuam no radar como um potencial fator de oscilação para o índice cheio.
Passagens aéreas elevam inflação de serviços
A inflação de serviços acelerou para 0,59% em setembro, bem acima da previsão de 0,24%. O principal destaque foi a alta de 9,82% nas passagens aéreas, enquanto o mercado esperava estabilidade.
O transporte por aplicativo também exerceu pressão e manteve o padrão de volatilidade observado nas leituras recentes. Esses itens explicam grande parte da surpresa em serviços, mas têm comportamento menos associado ao ritmo da atividade doméstica.
Já os serviços subjacentes, que excluem componentes mais voláteis, avançaram 0,28%, em linha com a projeção do Safra. O resultado sugere que a pressão mais ampla do setor segue sob controle.
Núcleos apontam moderação inflacionária
A média dos núcleos de inflação subiu 0,34% em setembro, acima da estimativa de 0,28%. Ainda assim, a leitura não indica reversão do processo de moderação inflacionária.
As métricas subjacentes seguem em nível compatível com uma inflação um pouco acima do centro da meta, porém sem sinais de deterioração relevante. As medidas com ajuste sazonal mostraram leve alta na média móvel trimestral anualizada, mas preservaram a tendência de desaceleração gradual.
Nos bens industriais, a inflação avançou 0,43%, ligeiramente abaixo da projeção de 0,49%. A desaceleração em itens de higiene pessoal compensou parte da pressão observada em bens duráveis.
Administrados têm alta menor que a esperada
Os preços administrados subiram 1,28% em setembro, abaixo da previsão de 1,38%. A energia elétrica avançou menos do que o esperado, embora os combustíveis tenham revertido com rapidez parte da deflação registrada no mês anterior.
A composição reforça a leitura de que o resultado acima das estimativas decorreu principalmente dos preços livres, que aumentaram 0,50%, ante projeção de 0,32%. Dentro desse grupo, alimentação e serviços responderam pela maior parte da diferença.
Para onde vai a inflação em 2026
O Safra projeta alta de 4,80% para o IPCA em 2026. A estimativa considera núcleos de inflação ainda comportados, atividade econômica em desaceleração e política monetária em patamar restritivo.
A prévia de setembro trouxe um resultado mais alto do que o esperado, mas não mudou o diagnóstico central. A inflação deve continuar sujeita a oscilações mensais, sobretudo em alimentos e serviços mais voláteis. Ainda assim, os indicadores estruturais apontam para uma trajetória de desinflação gradual à frente.
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