Prévia da inflação de agosto recua 0,40% e reforça cenário benigno
IPCA-15 ficou abaixo das projeções, enquanto núcleos e serviços mostram sinais de desaceleração; especialistas do Banco Safra estimam IPCA de 4,9% em 2026
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Queda da energia elétrica residencial, das passagens aéreas e dos combustíveis puxou o resultado negativo do IPCA-15 em agosto de 2026 | Foto: Getty Images
A inflação medida pelo IPCA-15 recuou 0,40% em agosto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Considerado uma prévia do IPCA, índice oficial de inflação do país, o resultado veio abaixo da projeção de -0,32% do Banco Safra e do consenso de mercado, também estimado em -0,32%.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumulou alta de 4,24%, nível considerado compatível com o cumprimento da meta de inflação, de acordo com análise da equipe do Safra.
O resultado reforça o cenário de inflação mais favorável observado nas leituras recentes, embora a composição do índice ainda exija cautela. Para os especialistas do Safra, houve surpresas baixistas em diferentes grupos, com destaque para serviços e bens industriais.
Serviços e bens industriais surpreendem positivamente
A desaceleração dos preços de serviços foi um dos principais fatores de surpresa no índice de agosto. Os preços do grupo avançaram 0,07%, abaixo da projeção de 0,20%.
Entre os itens que contribuíram para o resultado estão os serviços de transporte por aplicativo e a alimentação fora do domicílio. A leitura sugere uma moderação mais disseminada das pressões associadas à demanda, em um ambiente de desaceleração gradual da atividade econômica.
No grupo de bens industriais, a alta de 0,08% também ficou abaixo da estimativa de 0,39%. A principal diferença em relação à previsão veio dos preços dos cigarros, que subiram menos do que o esperado após uma alteração tributária no início do mês.
A queda nos preços do etanol também ajudou a reduzir a inflação do grupo.
Alimentos mantêm deflação, mas efeito tende a perder força
A deflação dos alimentos consumidos no domicílio permaneceu intensa, com queda de 0,97% em agosto. O resultado, contudo, está alinhado à sazonalidade típica do período, segundo o Safra.
A principal contribuição veio dos alimentos in natura, cujos preços seguem em queda. A avaliação dos economistas é que esse movimento deve perder intensidade nas próximas divulgações, reduzindo parte do impulso desinflacionário observado no curto prazo.
Bônus de Itaipu influencia resultado mensal
Entre os preços administrados, a principal contribuição para a deflação do IPCA-15 veio do retorno do bônus de Itaipu. O mecanismo ajudou a levar o grupo a uma queda de 1,13% no mês e foi apontado como a principal razão para a deflação expressiva do índice cheio.
Ainda assim, o impacto sobre as tarifas de energia elétrica foi menor do que o esperado pela equipe do Safra. Essa surpresa parcialmente compensou os resultados mais favoráveis registrados em serviços, bens industriais e alguns componentes dos preços de mercado.
Os preços de mercado recuaram 0,14% em agosto, ante uma projeção de alta de 0,06%. O desempenho evidencia que a surpresa baixista não ficou concentrada exclusivamente nos itens administrados.
Núcleos de inflação desaceleram
Além do resultado cheio, os indicadores de inflação subjacente também apresentaram melhora. A média dos núcleos de inflação caiu de 4,2% em julho para 3,5% em agosto, considerando dados dessazonalizados e médias móveis anualizadas de três meses.
Os núcleos são acompanhados pelos bancos centrais porque procuram medir a tendência da inflação sem os efeitos mais voláteis de determinados preços. A desaceleração observada, portanto, indica uma redução marginal das pressões persistentes sobre os preços.
O índice de difusão — que mede a parcela de itens em alta dentro da cesta do IPCA — também continua em trajetória de queda. Apesar disso, permanece em patamar relativamente elevado, o que recomenda uma leitura ainda prudente sobre a disseminação da inflação.
Desaceleração da atividade pode aliviar serviços
Na avaliação do Safra, o enfraquecimento gradual da atividade econômica começa a produzir efeitos mais relevantes sobre a dinâmica dos preços.
A economia apresentou crescimento forte no início do ano, impulsionado, entre outros fatores, pelo aumento da renda disponível das famílias. A perspectiva de expansão mais moderada nos trimestres seguintes, contudo, tende a reduzir as pressões de demanda, especialmente no setor de serviços.
Esse movimento pode ajudar a compensar os efeitos inflacionários de um choque negativo de oferta de alimentos associado ao fenômeno El Niño. A combinação entre menor dinamismo econômico e eventual perda de força da alta dos alimentos sustenta a projeção de que o IPCA encerre 2026 com variação de 4,9%.
Mercado deve monitorar composição e persistência
Apesar da deflação expressiva em agosto, a análise do resultado deve considerar a composição do índice. Parte relevante do alívio veio de fatores específicos, como o bônus de Itaipu, a sazonalidade favorável dos alimentos e a alta menor dos cigarros.
Por outro lado, a desaceleração dos serviços e a queda dos núcleos representam sinais mais construtivos para a trajetória da inflação. A continuidade desse processo dependerá do ritmo de moderação da atividade, da evolução da renda das famílias e do comportamento dos preços de alimentos nos próximos meses.
Para o mercado financeiro, o dado reduz a pressão imediata sobre as expectativas de inflação, mas não elimina os riscos associados à inflação de serviços, à disseminação dos reajustes e aos choques de oferta.
Todas as regiões pesquisadas registram deflação
As 11 áreas pesquisadas pelo IBGE apresentaram variações negativas em agosto. A maior queda foi registrada em Curitiba, de 0,82%, influenciada pelos recuos das passagens aéreas e da energia elétrica residencial.
São Paulo teve a menor deflação, de 0,06%, resultado influenciado por altas do leite longa vida, de 4,66%, e do conserto de automóvel, de 2,97%.
| Região | Variação em agosto | Acumulado no ano | Acumulado em 12 meses |
|---|---|---|---|
| Curitiba | -0,82% | 1,91% | 2,68% |
| Belém | -0,74% | 3,05% | 3,88% |
| Salvador | -0,71% | 2,99% | 3,74% |
| Porto Alegre | -0,62% | 3,05% | 4,53% |
| Belo Horizonte | -0,55% | 2,77% | 3,27% |
| Recife | -0,51% | 3,71% | 4,82% |
| Rio de Janeiro | -0,51% | 3,54% | 4,36% |
| Goiânia | -0,42% | 3,32% | 5,39% |
| Fortaleza | -0,37% | 3,72% | 4,75% |
| Brasília | -0,25% | 3,02% | 4,33% |
| São Paulo | -0,06% | 3,21% | 4,64% |
| Brasil | -0,40% | 3,09% | 4,24% |
Coleta ocorreu entre 16 de julho e 14 de agosto
O IPCA-15 de agosto foi calculado com base nos preços coletados entre 16 de julho e 14 de agosto de 2026, comparados aos valores vigentes entre 17 de junho e 15 de julho.
O indicador considera famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.
A metodologia é a mesma do IPCA. A diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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