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IPCA-15 acima do esperado e mantém pressão sobre inflação e juros

Prévia da inflação sobe 0,62% em maio, com surpresa em serviços e alimentos, e reforça avaliação de que os núcleos seguem em nível elevado no país

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A abertura do IPCA-15 de maio mostra pressão concentrada em serviços e alimentação no domicílio, enquanto bens industriais tiveram comportamento mais moderado | Foto: Getty Images

O IPCA-15 subiu 0,62% em maio, acima da projeção do Banco Safra e do consenso de mercado, ambos em 0,57%. Em 12 meses, o índice passou a acumular 4,64%, acima do teto da meta de inflação.

Na avaliação dos especialistas do Safra, o resultado foi ligeiramente pressionado, mas sem surpresa relevante a ponto de alterar o cenário traçado para os próximos trimestres. Ainda assim, a leitura reforça que o ambiente inflacionário segue pouco confortável, com resistência nas medidas subjacentes.

A média dos núcleos avançou 0,49% no mês, acima da estimativa de 0,46%, sinalizando pressão persistente mesmo antes de efeitos secundários mais amplos do recente choque do petróleo.

Serviços e alimentos puxam a alta

A principal pressão da leitura veio de serviços, que subiram 0,48% em maio, acima da expectativa de 0,37%. O movimento refletiu, em especial, itens mais voláteis, como segmentos ligados a turismo e comunicação.

A alimentação no domicílio avançou 1,73%, também acima da projeção de 1,62%, ainda influenciada pela alta de produtos in natura e de carnes. Entre os itens, a batata-inglesa voltou a se destacar e pode seguir pressionando a próxima leitura, segundo o Safra.

Na direção contrária, os bens industriais subiram 0,31%, abaixo da projeção de 0,37%, com recuos em bens duráveis ligados a transporte compensando parte da alta em artigos de higiene pessoal. Já os administrados tiveram alta de 0,43%, praticamente em linha com o esperado.

Núcleos seguem sem sinal claro de alívio

Apesar de a surpresa ter ficado concentrada em itens mais voláteis, as métricas estruturais seguem apontando uma inflação subjacente resistente. Os serviços subjacentes alcançaram 6,1% na média móvel de três meses, em dado dessazonalizado e anualizado.

Para o Safra, as medidas com ajuste sazonal continuam em patamar elevado e sem inflexão clara, o que indica persistência inflacionária em um momento ainda anterior ao repasse completo das pressões vindas do petróleo.

Leitura não muda cenário, mas mantém cautela

A avaliação do banco é que o dado de maio tem viés levemente altista, mas não altera de forma relevante o quadro esperado para a inflação. A composição do índice sugere que a surpresa ficou restrita a alimentos in natura e serviços mais voláteis, enquanto núcleos e serviços subjacentes vieram próximos do projetado, embora ainda elevados.

O resultado, porém, mantém o sinal de cautela para o mercado. A trajetória da inflação doméstica segue condicionada ao comportamento das commodities e à intensidade dos efeitos secundários do choque do petróleo nos próximos meses.

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