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IOF sobre aportes em VGBL reduz ritmo da previdência privada

Dados da Fenaprevi mostram queda de R$ 4,6 bilhões nos aportes no primeiro semestre de 2026. Entidade estima que a tributação interrompeu a trajetória de crescimento do setor e gerou um déficit acumulado de R$ 130 bilhões em contribuições

3 minutos
VGBL

Previdência privada aberta administra R$ 1,9 trilhão em ativos, mas setor registra desaceleração na captação um ano após a incidência do IOF sobre aportes em planos VGBL

Um ano após a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aportes em planos Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), o mercado de previdência privada aberta apresenta sinais de desaceleração.

Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) mostram que a captação bruta do setor somou R$ 77,4 bilhões no primeiro semestre de 2026. Isso representa uma queda de 5,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na prática, o volume de contribuições foi R$ 4,6 bilhões inferior ao registrado entre janeiro e junho de 2025. Para a entidade, o desempenho evidencia os efeitos da tributação sobre um segmento que vinha registrando expansão consistente.

Apesar da retração nas entradas de recursos, os ativos administrados pelos planos de previdência privada aberta alcançaram R$ 1,9 trilhão ao fim de junho, crescimento de 13,1% na comparação anual. O montante equivale a aproximadamente 14% do PIB do Brasil.

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Fenaprevi vê ruptura na trajetória de crescimento

Além dos resultados semestrais, a Fenaprevi avalia que o impacto da tributação vai além da queda observada nos dados correntes.

Segundo estimativas da entidade, a incidência do IOF provocou uma interrupção na trajetória histórica de expansão da previdência aberta, gerando um déficit acumulado de cerca de R$ 130 bilhões em aportes desde a implementação da medida.

Desse total, aproximadamente R$ 50 bilhões teriam deixado de ingressar nos planos em 2025, enquanto outros R$ 80 bilhões representam a diferença estimada para 2026 entre o cenário projetado antes da tributação e os resultados efetivamente observados.

Segundo Edson Franco, presidente da Fenaprevi, a desaceleração deve ser analisada não apenas pela variação nominal da captação, mas também pelo crescimento potencial perdido ao longo do período.

Recursos migraram para outras aplicações

Na avaliação da entidade, parte dos recursos que tradicionalmente seriam direcionados para planos VGBL foi redirecionada para consumo ou para outros innvestimentos, especialmente aqueles que não sofreram incidência do IOF.

A Fenaprevi argumenta que o movimento reduz a formação de poupança de longo prazo no país, em um contexto de envelhecimento populacional e crescente necessidade de complementação de renda para aposentadoria.

O debate ganha relevância porque os planos de previdência privada desempenham papel importante no financiamento de longo prazo da economia, além de servirem como instrumento de planejamento financeiro para pessoas físicas.

Resgates também recuam, mas captação líquida permanece pressionada

Os resgates totalizaram R$ 71 bilhões entre janeiro e junho de 2026, uma redução de 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com isso, a captação líquida — diferença entre aportes e retiradas — alcançou R$ 6,4 bilhões no semestre, resultado 1,8% inferior ao observado nos seis primeiros meses de 2025.

Embora a redução dos resgates tenha contribuído para amenizar o impacto da queda nas contribuições, o desempenho reforça o cenário de menor dinamismo na entrada de novos recursos.

VGBL mantém liderança absoluta no mercado

Mesmo após a introdução da tributação, o VGBL permanece como o principal produto da previdência privada aberta no Brasil.

Em junho de 2026, o país contabilizava 13,7 milhões de planos ativos. Desse total, 8,6 milhões eram VGBLs, correspondendo a 63,1% do mercado.

Os planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) somavam 3,2 milhões de contratos, participação de 23,2%.

Os demais 13,7% estavam distribuídos entre produtos tradicionais de previdência, incluindo modalidades de acumulação, risco e FAPI.

Ao todo, os planos pertencem a 11,2 milhões de investidores, dos quais aproximadamente 8,9 milhões — cerca de 80% — mantêm contratos individuais.

Em termos de captação, os VGBLs receberam R$ 69,6 bilhões em aportes no primeiro semestre de 2026, volume 7,2% inferior ao registrado um ano antes.

Os PGBLs responderam por R$ 6,4 bilhões em contribuições, enquanto os planos tradicionais concentraram cerca de 1,8% da arrecadação total do período.

Mercado acompanha efeitos de longo prazo

Os números divulgados pela Fenaprevi indicam que a previdência privada aberta continua crescendo em patrimônio, impulsionada pela valorização dos ativos e pelo estoque acumulado de recursos.

No entanto, a evolução das novas contribuições permanece abaixo do padrão observado antes da tributação sobre os aportes em VGBL.

Para o setor, o comportamento da captação nos próximos trimestres será determinante para avaliar se a desaceleração representa um ajuste temporário ou uma mudança estrutural na dinâmica de formação da poupança previdenciária no país.

Cley Scholz

Editor do portal O Especialista. LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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