Como posicionar os investimentos com juros de 15% ao ano
Especialistas do Banco Safra revisam projeções para inflação, taxa de juros e PIB e reforçam a importância de diversificar aplicações com ações defensivas e cíclicas
24/06/2025 3 minutos
Apesar de limitados até o momento, os impactos da crise no Oriente Médio tendem a ser inflacionários, o que pode influenciar o rumo dos juros, segundo relatório do Safra | Foto: Getty Images
O Banco Central surpreendeu as expectativas da maior parte do mercado financeiro ao anunciar mais um aumento da taxa básica de juros, para 15% ao ano, aprovada no dia 18 de junho pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O comunicado reforçou a intenção da autoridade monetária de manter os juros em patamar elevado por mais tempo, por conta da atividade econômica que ainda demonstra dinamismo, embora com sinais de moderação.
O time de macroeconomia do Banco Safra reavaliou o cenário para investimentos, mantendo a visão de que a taxa Selic “significativamente contracionista” deverá promover a desaceleração da economia e a convergência da inflação para a meta. A projeção do Safra para a Selic no fim de 2025 subiu de 13,75% para 14,50%. E no fim de 2026 a taxa deve chegar em 11,50% – a projeção anterior era de 11,00%.
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Qual é o impacto da alta dos juros para os investimentos?
A atividade econômica e o mercado de trabalho continuam a mostrar resultados resilientes, e o time de macroeconomia do Banco Safra elevou sua estimativa para o PIB de 2025 de 1,7% para 2,1%. Contudo, os dados de inflação divulgados recentemente já apontam para uma tendência mais benigna, e o mercado revisou para baixo suas projeções para esse indicador.
O Safra destaca que, no mercado de ações, o que realmente importa são os juros de longo prazo. Nesse contexto, os juros reais de 25 anos mantiveram a trajetória de queda: desde maio de 2025, a taxa da NTNB 2050 recuou 30 pontos-base, situando-se atualmente em 6,8% ao ano. Ou seja, apesar da surpresa com a elevação da Selic na última reunião do Banco Central, a sinalização firme do Comitê de Política Monetária quanto ao compromisso com a convergência da inflação para a meta foi bem recebida pelos agentes econômicos e se refletiu nos vértices mais longos da curva de juros.
Esse movimento tende a ser positivo para o mercado de renda variável no horizonte de médio e longo prazos. O Safra mantém o cenário e prevê melhora nos fundamentos e avaliações ainda atrativas no Brasil.
Os elementos que levaram o Safra a estimar 170 mil pontos para o Ibov em meados de 2026 seguem presentes, e o banco destaca os seguintes fatores:
- (i) o múltiplo de negociação está descontado (7,4x P/L 2026e, 26% abaixo da média histórica de 10 anos);
- (ii) os fundamentos sólidos das empresas brasileiras devem ser sustentados por atividade em expansão e controle de custos, embora em moderação;
- (iii) a política monetária de juros mais altos já está ajudando a conter a inflação, e o Safra acredita que em 2026 haverá condições menos restritivas que devem favorecer a migração dos investidores locais da renda fixa para renda variável; e
- (iv) a provável continuidade da entrada de fluxo estrangeiro na B3, considerando que a bolsa brasileira continua descontada ante seus pares emergentes (desconto de 36%).
Impacto dos conflitos geopolíticos nos investimentos
Um dos riscos que o Safra destaca em seu último relatório de atualização das estimativas para o Ibovespa em maio era a intensificação dos conflitos geopolíticos — cenário que se concretizou em meados de junho, com os ataques coordenados de Israel e dos Estados Unidos a instalações nucleares no Irã. A ofensiva, motivada pela tentativa de ambos os governos de conter o avanço do programa nuclear iraniano, provocou uma forte reação nos mercados, e o preço do petróleo chegou a subir mais de 20% no mês.
Apesar de limitados até o momento, os impactos do conflito tendem a ser inflacionários, o que pode influenciar as decisões de política monetária no curto prazo.
Como se posicionar?
Os especialistas do Banco Safra acreditam que um posicionamento mais balanceado, como o da Carteira Safra Top 10 Ações, com 74% de exposição a empresas defensivas (Commodities, Utilidades Básicas, Serviços Financeiros e Shoppings) e a alguns nomes mais cíclicos (Construção, Consumo Discricionário e Bens de Capital), que representam 26% da carteira, parece fazer mais sentido nesse momento. O desempenho acumulado no mês, mesmo após a alta da Selic, continua gerando resultados (alta de 0,19% vs. -0,60% do Ibovespa) e reflete a resiliência do portfólio, segundo os especialistas do Safra.
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