NTN-B e LTN oferecem dupla chance de ganho com juro alto
Banco Safra reitera NTN-Bs como recomendação principal em renda fixa, e destaca LTNs como camada complementar à carteira, diversificando fontes de retorno
11/11/2025 4 Minutos
Especialistas do Banco Safra recomendam alocação balanceada entre NTN-Bs e LTNs com foco em vértices que otimizam a relação risco-retorno | Foto: Getty Images
As taxas reais dos títulos do Tesouro atreladas ao IPCA (NTN-Bs) permanecem em patamares historicamente elevados, oferecendo boa oportunidade de alocação com carrego elevado acima da inflação.
Paralelamente, as taxas prefixadas estão em níveis que justificam entrada tática em LTNs, especialmente diante da expectativa de consolidação do processo de desinflação e possível início do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central.
Desse modo, os especialistas do Banco Safra recomendam alocação balanceada entre NTN-Bs e LTNs com foco em vértices que otimizam a relação risco-retorno.
Banco Safra reforça recomendação de entrada em NTN-B
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve no início de novembro a Selic em 15% e comunicou a possibilidade de manter a taxa nesse nível por tempo prolongado para assegurar a convergência da inflação para a meta.
É pouco provável que ocorra corte na próxima reunião em dezembro, contudo, sinais de desaceleração da atividade econômica e desinflação gradual abrem espaço para que o mercado comece a precificar início de ciclo de afrouxamento no primeiro trimestre de 2026.
Para investidores interessados em NTN-B, esse contexto é favorável para entrada: além do carrego de 7,5% a.a. a 8,0% a.a. real em níveis historicamente elevados, há potencial relevante de valorização por marcação a mercado com o recuo dos juros.
Além disso, as taxas reais permaneceram próximas às máximas históricas de 15 anos, o que leva os especialistas do Safra a reforçarem a recomendação de entrada.

Além da oportunidade estrutural em NTN-Bs, que permanece como recomendação principal do Safra e deve constituir a base da carteira de renda fixa, o momento de juros elevados também abre espaço para uma alocação complementar em títulos prefixados.
O patamar atual das taxas nominais negociando acima de 13,2% a.a. nos vértices médios, representa níveis historicamente atrativos que justificam a adição tática de Letras do Tesouro Nacional ao portfólio.
Segundo o Safra, as LTNs podem adicionar camada complementar à carteira de renda fixa, diversificando fontes de retorno sem comprometer a proteção oferecida pela posição core em títulos indexados à inflação.

Prefixados no radar: momento para LTNs
As Letras do Tesouro Nacional (LTN) negociam atualmente em patamares historicamente elevados, com taxas superiores a 14% a.a. nos vértices mais curtos e acima de 13% nos prazos intermediários.
Esse nível de remuneração nominal, combinado com expectativas de inflação convergindo para a meta, resulta em juro real implícito atrativo – mesmo quando comparado às NTN-Bs.
Por que considerar LTNs agora?
O cenário apresenta três pilares favoráveis para títulos prefixados, segundo o Banco Safra:
- (i) taxas nominais em máximas do ciclo, permitindo travar rentabilidade elevada;
- (ii) trajetória desinflacionária se consolidando, com projeções Focus indicando convergência para o centro da meta; e
- (iii) sinais de arrefecimento da atividade econômica, abrindo espaço para eventual ciclo de afrouxamento monetário em 2026.
A alocação tática em LTN reside no potencial de ganho duplo: além do carrego atrativo da taxa contratada, há oportunidade de valorização por marcação a mercado caso as taxas de juros futuros recuem.
Enquanto a NTN-B oferece proteção inflacionária (importante em cenário de incerteza), a LTN oferece maior sensibilidade, ou seja, ganhos potencialmente superiores em cenário de queda mais acentuada de juros.


Qual é o potencial de ganho das LTNs?
A alocação complementar em LTN adiciona potencial de valorização à carteira caso o ciclo de cortes se materialize.
Simulações (Figura 6) indicam que uma compressão de 50 bps nas taxas prefixadas, geraria valorização adicional de até 1,6% no preço da LTN 2029.
Para quedas mais acentuadas de 100 bps, a valorização poderia alcançar 3,2%, demonstrando o potencial de ganhos de marcação a mercado. Caso mantido até o vencimento, o retorno na curva será o próprio valor contratado na compra.
Comparativamente aos retornos da NTN-B (Figura 5), os títulos LTNs superam ligeiramente os retornos para duration de até 3 anos.
O Banco Safra ressalta que esses ganhos adicionais não substituem, mas sim complementam, os ganhos esperados na posição em NTN-B.
Enquanto a NTN-B se valoriza pela compressão do juro real e tem maior potencial de ganho no longo prazo, a LTN se valoriza pelo fechamento das taxas nominais.
São movimentos correlacionados, mas que respondem a dinâmicas ligeiramente diferentes, o que reforça o benefício da diversificação entre os dois instrumentos.
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