Inflação de alimentos perde força, e preço da cerveja desacelera
IPCA do mês confirma alimentos e bebidas abaixo do índice cheio, com pressão concentrada em proteínas e feijão, enquanto bebidas perdem fôlego e grãos registram deflaçã
13/03/2026 2 minutos
Os preços da cerveja subiram 4,8% em 12 meses, levemente abaixo dos 4,9% registrados em janeiro | Foto: Getty Images
A inflação de alimentos e bebidas manteve, em fevereiro, a tendência geral de desaceleração no Brasil, permanecendo abaixo do IPCA cheio. Os dados divulgados pelo IBGE mostram alta média de 0,3% no mês para o grupo, ante 0,7% do índice geral, reforçando um cenário de alívio relativo para o consumo das famílias — ainda que com mudanças relevantes na composição das pressões de preços.
A leitura do mês indica um quadro mais heterogêneo: enquanto proteínas e alguns itens básicos voltaram a pressionar, bebidas e produtos de indulgência perderam tração, sobretudo no consumo fora do domicílio.
Consumo de cerveja perde fôlego fora de casa
Os preços da cerveja subiram 4,8% em 12 meses, levemente abaixo dos 4,9% registrados em janeiro, movimento puxado pela desaceleração do componente fora do domicílio, que ficou estável no mês e acumula alta anual de 3,1%.
Consumo no domicílio volta a pressionar
Na direção oposta, a inflação da cerveja consumida em casa acelerou, com alta de 0,4% no mês e 6,1% em 12 meses, interrompendo a tendência de convergência entre os canais observada anteriormente.
Nos refrigerantes, a inflação anual avançou para 4,9%, encerrando um ciclo de desaceleração iniciado em agosto de 2025. O consumo doméstico subiu 0,7% no mês, enquanto o componente fora do domicílio registrou deflação marginal.
Carne bovina ganha tração
Os preços da carne bovina subiram 0,8% em fevereiro, acumulando 2,8% em 12 meses, movimento semelhante ao observado nas carnes processadas. Já carne suína e cortes de frango registraram deflação mensal, de 1,2% e 0,2%, respectivamente.
Apesar dessas oscilações, a inflação anual das proteínas segue abaixo do IPCA cheio, em 3,8%, reforçando um quadro ainda benigno do ponto de vista macroeconômico.
Spreads sinalizam mudança de rentabilidade
Os spreads domésticos se deterioraram para aves e suínos — quedas de 5% e 15% no mês, respectivamente —, enquanto a carne bovina apresentou recuperação de 1%, alterando a leitura relativa de rentabilidade entre segmentos do setor.
Alimentos básicos: feijão dispara, grãos aliviam
Entre os alimentos selecionados, o feijão foi o principal vetor de pressão, com alta expressiva de 11,7% no mês e 11,5% em 12 meses. A margarina também apresentou aceleração relevante.
Em contrapartida, itens amplamente consumidos no dia a dia registraram deflação:
- Arroz: -2,4% m/m
- Massas: -0,4% m/m
- Biscoitos e bolachas: -0,2% m/m
Na comparação anual, apenas feijão, margarina e biscoitos seguem acima da média do IPCA e do próprio grupo de alimentos e bebidas.
Leitura para o mercado e empresas
Do ponto de vista de investimentos, o conjunto de dados reforça uma leitura negativa para aves e suínos, neutra para alimentos básicos, indulgência e bebidas, e levemente positiva para carne bovina, refletindo mudanças nos spreads e na dinâmica de preços domésticos.
A fotografia de fevereiro sugere que a desaceleração da inflação de alimentos segue intacta, mas com vetores mais concentrados e maior dispersão entre categorias — um fator relevante para projeções de margens, consumo e política monetária ao longo de 2026.
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