close

Abra sua conta

Indústria volta a crescer após dois meses de queda, mas mantém ritmo fraco

A produção industrial brasileira interrompeu dois meses de queda, mas resultado ficou abaixo das expectativas e reforçou o cenário de desaceleração gradual da atividade, segundo o Banco Safra

3 minutos
Pesquisa industrial

Produção industrial avança em julho, mas indústria de transformação e bens de consumo continuam pressionados pelas condições financeiras restritivas | Foto: getty Images

A produção industrial brasileira avançou 0,2% em julho, na comparação com junho, com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira, 2 de setembro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado interrompeu dois meses consecutivos de queda, mas ficou abaixo da projeção do Banco Safra, de alta de 0,8%, e do consenso do mercado, de 0,5%. Na comparação com julho de 2025, a indústria recuou 0,5%.

No acumulado de 2026, o setor registra crescimento de 1,1%. Em 12 meses, a alta chega a 0,6%, ligeiramente abaixo do avanço de 0,7% observado até junho. A média móvel trimestral, que ajuda a identificar a tendência recente da atividade, caiu 0,8%.

Indústria extrativa perde força

A indústria extrativa recuou 1% em julho, após resultados positivos nos meses anteriores. Ainda assim, o segmento cresceu 2,5% na comparação anual e permanece como um dos principais pontos de sustentação da produção industrial.

O desempenho reflete, em parte, a contribuição de setores ligados a commodities. No entanto, a queda mensal indica alguma perda de dinamismo na margem, segundo o Banco Safra.

A indústria de transformação, que representa 85,4% da produção industrial, avançou 0,5% no mês, mas recuou 1,1% em relação a julho de 2025. Para o banco, o resultado reforça a fraqueza da manufatura e a sensibilidade do setor à demanda interna moderada e ao custo elevado do crédito.

Bens de capital têm alta pontual

A produção de bens de capital cresceu 2,4% na comparação mensal, depois de recuar em maio e junho. O resultado indica uma recuperação pontual, mas não altera de forma relevante o quadro de demanda por investimentos.

Na comparação anual, a produção de bens de capital caiu 2,4%. Para o Banco Safra, os dados ainda não mostram uma retomada consistente dos investimentos em máquinas e equipamentos.

Os bens intermediários recuaram 0,2% em julho. Como representam 60,5% da indústria, o desempenho desse grupo sugere acomodação na produção de insumos e menor tração da atividade agregada. Apesar da queda mensal, houve alta de 0,3% em relação a julho de 2025.

Duráveis sustentam bens de consumo

A produção de bens de consumo aumentou 0,3% em julho, resultado influenciado pelo avanço de 3,2% dos bens duráveis. Na comparação anual, os duráveis cresceram 4,6%, o melhor desempenho entre os segmentos analisados.

Já os bens não duráveis avançaram 0,5% no mês, mas recuaram 2,9% em relação a julho do ano passado. O resultado mostra que a melhora da produção de bens de consumo permanece concentrada e ainda não representa uma recuperação disseminada.

Os insumos típicos da construção civil recuaram 0,1% em julho e cresceram 0,6% na comparação anual. O desempenho aponta estabilidade, sem sinais de aceleração relevante da atividade ligada à construção.

Juros limitam recuperação

Para o Banco Safra, a produção industrial deve manter ritmo moderado nos próximos meses, com possibilidade de volatilidade entre os segmentos.

A instituição avalia que setores ligados a commodities e bens de capital podem alternar períodos de sustentação com ajustes. Em contrapartida, a indústria de transformação e os bens de consumo devem continuar mais sensíveis às condições financeiras restritivas.

O gráfico do Banco Safra mostra que a indústria extrativa permanece em patamar superior ao da indústria total e da transformação. As duas últimas, porém, seguem próximas dos níveis observados nos últimos anos, sem uma trajetória clara de aceleração.

Nesse cenário, o Banco Safra mantém a projeção de crescimento de 1,9% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de 1,4% em 2027. A estimativa considera uma desaceleração gradual da atividade econômica, com os juros ainda em nível contracionista.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

Abra sua conta