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Índice SafraPay: comércio perde fôlego e serviços aprofundam retração

Indicador antecedente do Banco Safra aponta alta de 0,8% no comércio restrito, mas queda de 0,3% no conceito ampliado; em serviços, recuo de 1% reforça sinais de desaceleração

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Índice SafraPay

Desempenho de supermercados, cadeia automotiva e transportes pressionou os índices de março, em um cenário de perda de tração do consumo e dos serviços | Foto: Getty Images

O Índice SafraPay do Comércio apresentou sinais mistos em março. No conceito restrito, houve crescimento mensal de 0,8%, enquanto o indicador ampliado recuou 0,3%, em movimento que sugere perda parcial do avanço observado no mês anterior.

A principal explicação para a diferença entre os dois recortes esteve em veículos, partes e peças, segmento que registrou retração de 1,4% na margem. O resultado indica enfraquecimento em uma categoria de maior sensibilidade à renda, ao crédito e à confiança do consumidor.

Outro vetor de baixa foi o segmento de supermercados, com queda de 1,5% em relação a fevereiro, devolvendo parte da expansão anterior. Na direção oposta, combustíveis avançaram 2,4% no mês, já descontado o efeito da inflação, oferecendo algum suporte ao desempenho agregado do varejo.

Cadeia automotiva e supermercados puxam desaceleração

A leitura dos dados sugere que o consumo das famílias perdeu intensidade ao longo de março, especialmente em segmentos relevantes para a composição do comércio ampliado. A retração em supermercados e na cadeia automotiva ajuda a explicar a acomodação do indicador após o crescimento do mês anterior.

Esse comportamento é consistente com um ambiente de atividade mais moderada, em que o consumo tende a responder de forma mais cautelosa às condições financeiras e à evolução dos preços.

Serviços recuam pelo segundo mês seguido

No setor de serviços, o Índice SafraPay de Atividade de Serviços mostrou nova retração mensal de 1,0%, repetindo a intensidade da queda observada no mês anterior e reforçando um quadro de enfraquecimento mais disseminado.

Assim como em fevereiro, o principal destaque negativo foi o segmento de transportes, que recuou 1,7% na margem. Parte desse movimento foi influenciada pelo comportamento das passagens aéreas, cujos preços subiram 5,9% no IPCA-15 de março, em ritmo acima do padrão sazonal da série.

Inflação de passagens aéreas afeta transportes

A aceleração dos preços das passagens aéreas ajuda a explicar a fraqueza do setor de transportes ao comprimir demanda e distorcer o desempenho real da atividade. Com isso, o segmento voltou a exercer pressão relevante sobre o índice agregado de serviços.

O resultado reforça a percepção de que a atividade no setor segue mais sensível a choques de preços e à recomposição do orçamento das famílias, sobretudo em itens de maior elasticidade.

Indicador antecedente reforça leitura de arrefecimento

Em síntese, os dados de março do Índice SafraPay apontam para um comércio ampliado em devolução parcial do crescimento anterior e para um setor de serviços em retração de 1% pelo segundo mês consecutivo. Os principais vetores desse movimento foram as quedas em supermercados, empresas ligadas ao setor automotivo e o impacto da alta das passagens aéreas sobre transportes.

A leitura é compatível com a expectativa de arrefecimento da atividade econômica em março, em linha com sinais de moderação do consumo e dos serviços.

O que é o Índice SafraPay

O Índice SafraPay é um indicador econômico antecedente que monitora tendências de consumo e atividade de serviços com base nas transações diárias captadas por mais de 1 milhão de maquininhas de pagamento da SafraPay.

Por operar com dados em tempo quase real, o indicador funciona como termômetro da economia, oferecendo insumos para acompanhamento mais tempestivo do comportamento das vendas e da atividade. Para empresários, a ferramenta também contribui para decisões relacionadas a estoques, fluxo de caixa e monitoramento operacional.

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