Banco Safra reduz projeção para o Ibovespa no fim de 2025
Novo preço-alvo da Bolsa brasileira considera protecionismo no governo Trump e menor queda de juros nos EUA, além de incertezas e aperto de juros no Brasil
15/01/2025 2 minutos
Inflação e juros devem continuar pressionando negativamente o mercado de capitais, segundo análise do Banco Safra | Foto: Getty Images
O Banco Safra reduziu a projeção para o desempenho do Ibovespa em 2025 para 141,5 mil pontos. O novo preço-alvo leva em conta os efeitos de um maior protecionismo e uma menor queda nos juros nos EUA, além de incertezas fiscais domésticas, desancoragem das expectativas de inflação e o aperto dos juros no Brasil.
Os fatores citados têm exigido maior cautela dos investidores, destaca o Safra. Nesse novo cenário, o time de macroeconomia do banco elevou a estimativa para a taxa Selic no fim de 2025 para 13,75% (de 10%), e reduziu a expectativa de crescimento do PIB para 1,5% (de 2,5%).
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O Safra informa que elevou a premissa de custo de capital para 15,30% (de 13,75%). Consequentemente, atualizou a estimativa de lucro por ação (LPA) do Ibovespa para 18.776 pontos em 2026 (de 19.110 pontos), chegando ao novo preço-alvo de 141,5 mil pontos em 2025, considerando um múltiplo preço/lucro-alvo para 2026e de 7,5x.
A análise de cenário do Safra cita que, nos últimos meses de 2024, o cenário para investimentos ficou mais desafiador, com impacto muito negativo para a Bolsa brasileira. No exterior, os estímulos anunciados até agora na China parecem limitados; e nos EUA, possíveis taxações e pressões inflacionárias podem impactar os cortes de juros futuros.
Dólar pressiona inflação e afeta Ibovespa
No Brasil, a depreciação do real (acelerada por preocupações com o lado fiscal), aliada à resiliência da atividade, deve levar o IPCA a patamares entre 4,5% e 5,5% em 2025, segundo o banco.
Neste cenário, o mercado projeta que analistas devem reduzir a estimativa de vendas para diversos setores, a maior inflação aumentaria a pressão sobre custos e a inadimplência também deve aumentar, fatores que, junto com custo mais alto da dívida, possivelmente reduziriam os lucros.
Dados recentes sobre atividade e inflação sugerem que as estimativas para o IPCA ainda podem ser elevadas e, por consequência, os juros projetados pelo mercado também podem aumentar mais, o que deve continuar pressionando negativamente o mercado de capitais, que negocia com desconto versus os níveis históricos (-36%), segundo relatório do Safra.
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