Safra eleva preço-alvo do Ibovespa para 198 mil pontos no fim de 2026
Estratégia do banco combina crescimento de lucros, reprecificação de múltiplos e efeito da queda de juros; carteiras trazem opções para cenários base, otimista e conservador
17/12/2025 3 minutos
Ibovespa viveu um “bull market” pouco celebrado em 2025, com recordes de preço e ceticismo de fluxo; para 2026, cortes de juros e fundamentos corporativos sustentam a projeção | Foto: Getty Images
O Safra projeta o Ibovespa em 198 mil pontos no fim de 2026. A estimativa considera o início do ciclo de cortes na taxa de juros no Brasil, impulsionado pela atividade econômica moderada, somado a um cenário externo mais estável, que também deve permitir a continuidade da redução de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Esses fatores sustentam a visão otimista do banco para o mercado acionário. No novo modelo, as premissas foram ajustadas: a taxa livre de risco caiu para 4,1% (de 4,3%) e o risco-país para 2,4% (de 2,7%), resultando em um custo de capital próprio de 14,3% (ante 14,8%).
O lucro por ação (LPA) foi levemente revisado para 21.283 pontos (vs. 21.179 anteriormente), aplicado sobre um múltiplo preço/lucro-alvo de 9,3 vezes, o que levou ao preço-alvo de 198 mil pontos.
Desempenho em 2025 e a dicotomia do mercado
Em 2025, o índice registrou 32 novas máximas históricas e valorização de 33% em reais (50% em dólares), mas com menor apetite por risco: poucas ofertas públicas, giro abaixo da capitalização e maior dependência do investidor estrangeiro. O fluxo em ETFs sinalizou rotação para emergentes, enquanto o DXY recuou cerca de 9,3% no ano.
“Vemos uma aparente dicotomia entre um índice mais valorizado, em modo de ‘bull market’, e um mercado ainda cético, que escolheu setores mais conservadores para se posicionar”, descreve o documento.
Queda de juros: histórico favorável e impactos setoriais
O início do ciclo de cortes na Selic deve ser um dos principais vetores para a valorização do Ibovespa em 2026. Segundo o relatório do Safra, em todos os nove ciclos anteriores de redução de juros, o índice avançou nos seis meses seguintes ao primeiro corte, com ganho médio de 22,6%, e acumulou alta média de 38,6% em 12 meses.
Esse movimento tende a favorecer setores mais sensíveis ao custo do capital e à renda disponível, como Construção, Serviços Financeiros, Consumo e Varejo, Saúde e Utilidades Básicas logo após o início da queda dos juros.
Em um horizonte de um ano, entram também Bens de Capital e Distribuição de Combustíveis entre os destaques.
Fundamentos corporativos: receita e lucro superam a inflação
Nos últimos dez anos, a receita das empresas do índice cresceu 191% e o lucro 218%, acima da inflação acumulada (IPCA de 79%).
Apesar da expansão de lucros, o P/L futuro caiu de 10,1 vezes para 9,4 vezes, indicando desconto relativo e potencial para reprecificação em um cenário de alívio no prêmio de risco.
Segmentos: onde há crescimento e desconto de múltiplos
Para 2025–2027, setores domésticos mais alavancados devem liderar o crescimento de lucros, com destaque para Consumo, Construção, Saúde e Tecnologia.
Entre os maiores descontos de valuation, Educação, Distribuição de Combustíveis, Consumo, Transportes e Construção. Commodities tendem a limitar a expansão média dos lucros no índice.
Como se posicionar: carteiras e ações preferidas por cenário
Apesar de um cenário ainda favorável para a bolsa, as incertezas relacionadas às eleições podem influenciar a percepção sobre o ciclo fiscal e econômico no longo prazo.
Além disso, o desconto dos múltiplos do Ibovespa em relação à média histórica é menor do que no início de 2025, o que exige maior seletividade.
Para enfrentar 2026, o Safra opta por nomes que combinam qualidade de ativos e gestão, alavancagem controlada e potencial de crescimento, preparados para um ambiente de maior volatilidade.
Entre as principais escolhas estão Gerdau (GGBR4), Rede D’Or (RDOR3), Copel (CPLE3), Motiva (MOTV3) e Telefônica Brasil (VIVT3).
O relatório também apresenta cenários alternativos caso as expectativas fiscais e econômicas melhorem ou piorem diante do quadro eleitoral.
Cenário base
O Safra prioriza qualidade de ativos e gestão, alavancagem controlada e potencial de crescimento. Entre os nomes destacados: JBS (JBSS3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), Tenda (TEND3), Rede D’Or (RDOR3), BTG Pactual (BPAC11), Telefônica Brasil (VIVT3), Copel (CPLE3), Motiva (MOTV3) e Vibra Energia (VBBR3).
Cenário otimista
Com juros mais baixos e crescimento sustentado, o banco aceita teses de recuperação e small caps: XP (XPBR31), Cosan (CSAN3), Ecorodovias (ECOR3), C&A Brasil (CEAB3), Totvs (TOTS3), Marcopolo (POMO4), Ânima (ANIM3), Orizon (ORVR3), Cyrela (CYRE3) e Usiminas (USIM5).
Cenário conservador
Com beta baixo e foco em dividendos e defensivos: BB Seguridade (BBSE3), Prio (PRIO3), Raia Drogasil (RADL3), Multiplan (MULT3), WEG (WEGE3), Telefônica Brasil (VIVT3), Fleury (FLRY3), Alupar (ALUP11), Aura Minerals (AURA33) e Suzano (SUZB3).
“Selecionamos nomes que unem qualidade de ativos e de gestão, alavancagem controlada e algum potencial de crescimento, para enfrentar a maior volatilidade esperada”, sintetiza o relatório.
Riscos no radar
Entre os principais riscos, o banco cita:
- Desaceleração mais forte da economia global (e seu impacto sobre as commodities);
- Deterioração fiscal adicional no Brasil;
- Menor taxa de crescimento do PIB;
- Piora do ambiente geopolítico;
- Maior austeridade da política monetária nos EUA (influenciando o diferencial de juros);
- Mudanças tributárias que impactem negativamente as companhias.
Aprofunde: confira na íntegra o relatório “Navegando mares agitados: cenários para o Ibovespa em 2026”.
Leia também