IA acelera investimentos, mas não pesa na inflação dos EUA
Investimentos em IA impulsionam a economia dos EUA, elevam custos em setores específicos e reforçam a perspectiva desinflacionária no longo prazo
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Expansão de data centers e infraestrutura energética sustenta a alta dos investimentos em inteligência artificial nos Estados Unidos | Foto: Getty Images
A rápida expansão dos investimentos em inteligência artificial impulsiona a atividade econômica americana e eleva preços em nichos ligados à tecnologia. No entanto, a desaceleração do mercado de trabalho e a retração de outros segmentos da construção limitam o risco de uma nova onda inflacionária, avalia o Banco Safra.
Os investimentos privados ganharam força nos Estados Unidos em 2026, em um movimento liderado por equipamentos de alta tecnologia, softwares, data centers e infraestrutura energética. A inteligência artificial ocupa posição central nessa expansão e já produz efeitos sobre categorias específicas de preços.
Ainda assim, a análise dos especialistas do Banco Safra indica que esse avanço não configura, até agora, uma fonte persistente de inflação ao consumidor. A alta dos custos tecnológicos ocorre em paralelo ao arrefecimento das despesas trabalhistas e à perda de fôlego em áreas tradicionais da construção civil.
Investimento privado ganha força
O investimento não residencial nos Estados Unidos cresceu 10,6% no primeiro trimestre e 8,5% no segundo trimestre de 2026, em termos anualizados. Em 2025, a expansão média havia sido de 4,8%.
O ritmo deve continuar elevado na segunda metade do ano. Encomendas e importações de bens de capital seguem em trajetória de alta, sinalizando que as empresas mantêm planos de expansão, sobretudo em equipamentos e propriedade intelectual.
O crescimento tem maior concentração em tecnologia. Dentro da categoria de propriedade intelectual, os gastos com software se destacam como um dos principais vetores da aceleração.
Tecnologia já pressiona preços específicos
A demanda por equipamentos de alta tecnologia começa a pressionar preços em algumas categorias. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, conhecido pela sigla CPI, mostrou inflação acumulada de 3,9% para computadores em 12 meses, o maior resultado em mais de quatro anos.
No mesmo período, a inflação de software e acessórios alcançou 21,2%. Esse movimento pode elevar os custos de empresas que dependem de tecnologia para expandir operações e modernizar processos.
O risco, portanto, está em uma eventual disseminação desses aumentos para outros segmentos da economia. Por enquanto, porém, a pressão permanece concentrada em grupos específicos de bens e serviços ligados à transformação tecnológica.
Mercado de trabalho compensa parte dos custos
A economia americana também mostra sinais de menor dinamismo no mercado de trabalho. A população ocupada recuou em 624 mil pessoas nos últimos 12 meses, enquanto o número de vagas abertas permaneceu praticamente estável.
Além disso, a criação de postos de trabalho reportada pelos empregadores passou a registrar resultados negativos com maior frequência. Esse cenário contribui para a desaceleração dos salários e da massa de rendimentos.
Segundo o Banco Safra, a moderação do custo do trabalho tem compensado, no agregado, a alta das despesas relacionadas à inovação tecnológica. Como a folha de pagamentos ainda representa parcela mais relevante dos custos empresariais, não há evidência de pressão generalizada sobre a inflação ao consumidor.
Data centers elevam gastos em construção
A construção de data centers representa outro foco de atenção. Os gastos anualizados com esses projetos superaram US$ 75 bilhões em julho de 2026, ante menos de US$ 50 bilhões no mesmo mês de 2025.
Também crescem os investimentos em infraestrutura energética, necessários para atender à demanda adicional por eletricidade gerada pelo uso mais intensivo de inteligência artificial. A expansão da capacidade de geração, transmissão e distribuição de energia tende a ganhar importância nos próximos anos.
No entanto, esses investimentos ainda não compensam a fraqueza de outros segmentos. A construção residencial acumulou queda nominal de 7,3% em 12 meses, enquanto a construção de fábricas recuou 21,7% no mesmo intervalo. No agregado, os gastos totais em construção civil caem desde o fim de 2025.
IA deve ampliar produtividade no longo prazo
A inteligência artificial pode produzir efeitos mistos sobre os preços durante sua fase de adoção. A necessidade de investir em equipamentos, softwares, data centers e energia cria gargalos pontuais e amplia custos em alguns mercados.
No longo prazo, porém, a principal consequência tende a vir dos ganhos de produtividade. Ao permitir que empresas aumentem a produção com a mesma quantidade de insumos, a tecnologia pode reduzir custos operacionais e elevar o potencial de crescimento da economia.
A avaliação do Banco Safra é que os dados atuais da economia americana favorecem uma leitura desinflacionária no horizonte estrutural. A IA pode pressionar preços em setores específicos durante a transição, mas não há sinais de que ela represente uma nova fonte permanente de inflação nos Estados Unidos.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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