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Inteligência artificial amplia demanda por infraestrutura de cibersegurança

A adoção de agentes de IA aumenta a superfície de ataque das empresas e exige monitoramento em tempo real, enquanto gastos com proteção tendem a resistir a cortes nos orçamentos de tecnologia

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IA investimentos

A expansão dos agentes de inteligência artificial cria novas necessidades de proteção, identidade digital e monitoramento contínuo nos ambientes corporativos | Foto: Getty Images

A expansão da inteligência artificial, especialmente por meio da adoção de agentes capazes de executar tarefas e operar fluxos de informação, tornou a cibersegurança uma das principais frentes de investimento em infraestrutura tecnológica. O avanço da IA amplia a capacidade operacional das empresas, mas também exige controles capazes de acompanhar, em tempo real, as ações realizadas por esses sistemas.

“Você tem que proteger o que os agentes de IA estão fazendo. Isso demanda um controle maior, em tempo real, para monitorar as atividades e controlar eventuais danos”, afirma Lúcio Rebouças, especialista do Safra em renda variável internacional. Ele aborda o assunto em vídeo no canal do Banco Safra no Youtube.

Segundo o especialista, o movimento abre espaço para um ecossistema de soluções voltadas à proteção de identidades, redes, dados, aplicações e ambientes em nuvem. A avaliação é que a demanda por segurança tende a crescer à medida que as empresas incorporam a inteligência artificial aos processos corporativos.

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Três ondas transformam o mercado de proteção digital

A evolução dos investimentos em cibersegurança ocorreu em diferentes etapas. Na década de 1990, a proteção era concentrada no ambiente físico das empresas, com foco em impedir acessos não autorizados aos sistemas internos. Firewall e antivírus eram os principais instrumentos dessa primeira fase.

A partir da década de 2010, a mobilidade ampliou a superfície de proteção. Notebooks e smartphones passaram a ser utilizados com mais intensidade como ferramentas de trabalho, levando as empresas a proteger um número maior de dispositivos e pontos de acesso.

Na segunda metade da década de 2010, a adoção de soluções em nuvem adicionou uma nova camada de complexidade. As organizações deixaram de operar exclusivamente em estruturas internas e passaram a distribuir dados, aplicações e servidores em ambientes híbridos.

A chegada do trabalho remoto, especialmente a partir de 2020, intensificou esse processo. Funcionários passaram a acessar sistemas corporativos de suas residências, o que exigiu novos mecanismos de autenticação, controle de acesso e proteção de redes.

A consolidação do modelo híbrido

Para Rebouças, a expansão da nuvem e do trabalho remoto ainda constitui uma das principais ondas em curso no setor. As empresas continuam migrando aplicações e processos para a nuvem, ao mesmo tempo que mantêm parte de suas estruturas em ambientes próprios.

Essa combinação cria uma arquitetura mais distribuída e complexa. Em consequência, aumenta a quantidade de pontos que precisam ser monitorados e protegidos contra invasões, fraudes e interrupções operacionais.

Zero Trust muda a lógica de proteção

A segunda onda destacada pelo especialista está relacionada à adoção do conceito de Zero Trust, ou confiança zero. A filosofia parte do princípio de que nenhum usuário, dispositivo ou aplicação deve receber acesso automático aos sistemas corporativos.

Na prática, cada tentativa de acesso precisa ser verificada de acordo com a identidade do usuário, o dispositivo utilizado, o ambiente e o nível de autorização necessário. A mudança representa uma ruptura com modelos baseados exclusivamente na proteção do perímetro da rede.

Nesse cenário, não basta manter um “castelo” digital protegido. É preciso verificar continuamente quem está tentando entrar, quais recursos podem ser acessados e se o comportamento observado é compatível com o perfil autorizado.

Agentes de IA adicionam uma nova camada de risco

A terceira onda é formada pelos agentes de inteligência artificial. Ao contrário de aplicações tradicionais, esses sistemas podem executar tarefas, consultar informações e interagir com diferentes ferramentas de forma mais autônoma.

A autonomia cria ganhos de produtividade, mas também exige mecanismos de supervisão. Um agente mal configurado, manipulado ou utilizado de forma indevida pode acessar informações sensíveis, alterar processos ou produzir efeitos não previstos pela empresa.

Por isso, o crescimento da IA não se limita à demanda por capacidade computacional. Também impulsiona investimentos em autenticação, governança, monitoramento e resposta a incidentes.

Catálogo de vulnerabilidades cresce 25% ao ano

A complexidade do ambiente digital é acompanhada pelo aumento contínuo do número de vulnerabilidades identificadas. De acordo com Rebouças, o catálogo mantido por um órgão americano especializado cresce cerca de 25% ao ano.

Esse avanço dificulta o trabalho das equipes de tecnologia, que precisam identificar, classificar e corrigir falhas em sistemas cada vez mais numerosos e interconectados.

Entre as ameaças estão as chamadas vulnerabilidades zero-day, falhas ainda desconhecidas pelo desenvolvedor ou pelo fornecedor do software. Como não existe uma correção disponível no momento em que são exploradas, essas vulnerabilidades representam um desafio relevante para as estruturas tradicionais de defesa.

O especialista ressalta que a participação das vulnerabilidades zero-day no conjunto de ataques aumentou significativamente ao longo da última década. O dado reforça a necessidade de monitoramento constante e de ferramentas capazes de detectar comportamentos anormais antes que um incidente provoque danos maiores.

Cibersegurança tende a resistir a cortes orçamentários

A dinâmica econômica do setor de cibersegurança também se diferencia da observada em outras áreas de tecnologia. Mesmo em períodos de desaceleração da atividade ou de revisão dos investimentos corporativos, os gastos com proteção digital tendem a ser menos sensíveis a cortes.

Historicamente, a cibersegurança vem ganhando espaço nos orçamentos de tecnologia da informação. A percepção de risco e a necessidade de manter sistemas operacionais reduzem a margem para adiamentos ou interrupções de projetos nessa área.

Rebouças compara a despesa com cibersegurança à manutenção de um elevador. Trata-se de uma função necessária para garantir o funcionamento e a segurança da operação, independentemente do ambiente econômico.

Essa característica pode favorecer as empresas do setor em um cenário de menor crescimento. Ao mesmo tempo que a expansão da inteligência artificial demanda novos investimentos em infraestrutura, a proteção dos ambientes digitais preserva um caráter essencial e recorrente.

Leia também: IA transforma cibersegurança em uma das grandes apostas da tecnologia

Ecossistema reúne soluções de diferentes naturezas

A indústria de cibersegurança é formada por empresas que atuam em diversas etapas da cadeia de proteção. Entre as soluções citadas pelo especialista estão firewalls, sistemas de gerenciamento de identidade, ferramentas de autenticação e plataformas de monitoramento.

Também fazem parte desse mercado tecnologias que avaliam o usuário antes de liberar o acesso a um site ou aplicação. Testes de verificação de identidade e mecanismos de análise de comportamento ajudam a diferenciar usuários legítimos de atividades automatizadas ou potencialmente maliciosas.

Outro segmento relevante é o de empresas que terceirizam serviços de segurança para organizações sem estrutura interna suficiente. Essas companhias oferecem painéis de controle, monitoramento contínuo e acompanhamento de tentativas de ataque.

A diversidade de soluções reflete a transformação do ambiente corporativo. A proteção deixou de ser uma barreira única na entrada da rede e passou a envolver usuários, dispositivos, aplicações, dados e agentes automatizados.

Safra acompanha oportunidades no setor de cibersegurança

Durante a entrevista, Lúcio Rebouças afirmou que o Banco Safra acompanha esse ecossistema por meio do fundo Safra Cibersegurança, voltado a empresas que desenvolvem soluções para diferentes etapas da proteção digital.

A estratégia considera segmentos como firewall, identidade, controle de acesso, verificação de usuários e serviços terceirizados de monitoramento. O objetivo é participar de um mercado impulsionado pela migração para a nuvem, pelo trabalho remoto, pela adoção do modelo Zero Trust e pelo avanço dos agentes de inteligência artificial.

Cibersegurança como tema de longo prazo

A expansão da inteligência artificial pode alterar a forma como empresas operam, produzem e tomam decisões. Entretanto, a mesma transformação aumenta a importância de mecanismos capazes de controlar o acesso a informações e limitar comportamentos indevidos.

Para os investidores, a tese de cibersegurança combina crescimento estrutural da demanda, necessidade de atualização contínua e menor propensão dos clientes a interromper gastos essenciais. A evolução das ameaças, por sua vez, mantém o setor em uma corrida permanente entre novas formas de ataque e tecnologias de defesa.

Invista com o Safra em temas ligados à transformação digital

A expansão da inteligência artificial e a necessidade de proteger ambientes digitais criam um contexto em que conhecimento especializado e diversificação são importantes para avaliar oportunidades de investimento. O Banco Safra acompanha esse movimento por meio de soluções voltadas ao ecossistema de cibersegurança, com análise de diferentes segmentos do mercado.

Para quem deseja conhecer alternativas alinhadas ao próprio perfil e aos objetivos financeiros, o Safra oferece atendimento dedicado e estratégias personalizadas.

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Dúvidas frequentes

A inteligência artificial, especialmente através de agentes autônomos capazes de executar tarefas e operar fluxos de informação, amplia a capacidade operacional das empresas, mas também exige controles em tempo real para monitorar as ações realizados por esses sistemas. Um agente de IA mal configurado, manipulado ou utilizado indevidamente pode acessar informações sensíveis, alterar processos ou produzir efeitos não previstos, tornando necessários investimentos em autenticação, governança, monitoramento e resposta a incidentes.

Os quatro pilares fundamentais da segurança da informação são: Confidencialidade (proteger dados contra acesso não autorizado), Disponibilidade (garantir que sistemas e dados estejam acessíveis quando necessário), Integridade (assegurar que dados não sejam alterados indevidamente) e Autenticidade (verificar a identidade de usuários e sistemas). Esses pilares formam a base de qualquer estratégia de proteção digital eficaz.

Zero Trust, ou confiança zero, é uma filosofia de segurança que parte do princípio de que nenhum usuário, dispositivo ou aplicação deve receber acesso automático aos sistemas corporativos. Na prática, cada tentativa de acesso precisa ser verificada de acordo com a identidade do usuário, o dispositivo utilizado, o ambiente e o nível de autorização necessário. Essa abordagem representa uma ruptura com modelos baseados exclusivamente na proteção do perímetro da rede, exigindo verificação contínua de quem está tentando entrar e quais recursos podem ser acessados.

A inteligência artificial é utilizada na cibersegurança de múltiplas formas: análise de vídeos de vigilância e reconhecimento facial, proteção de aplicações de IA contra ataques maliciosos, autenticação e proteção de contas de usuário, análise de comportamento para diferenciar usuários legítimos de atividades automatizadas ou maliciosas, e detecção de comportamentos anormais em tempo real. Essas aplicações ajudam as organizações a identificar ameaças mais rapidamente e a responder a incidentes de forma mais eficiente.

A primeira onda ocorreu na década de 1990, com proteção concentrada no ambiente físico das empresas usando firewalls e antivírus. A segunda onda, a partir de 2010, expandiu a proteção para dispositivos móveis e, posteriormente, para ambientes em nuvem e trabalho remoto, exigindo novos mecanismos de autenticação e controle de acesso. A terceira onda atual é formada pelos agentes de inteligência artificial, que demandam mecanismos de supervisão, governança e monitoramento contínuo para garantir que esses sistemas autônomos operem de forma segura e controlada.

Vulnerabilidades zero-day são falhas de segurança ainda desconhecidas pelo desenvolvedor ou fornecedor do software. Como não existe uma correção disponível no momento em que são exploradas, essas vulnerabilidades representam um desafio significativo para as estruturas tradicionais de defesa. A participação das vulnerabilidades zero-day no conjunto de ataques aumentou significativamente na última década, reforçando a necessidade de monitoramento constante e ferramentas capazes de detectar comportamentos anormais antes que um incidente provoque danos maiores.

A cibersegurança é tratada como uma função essencial para garantir o funcionamento e a segurança da operação corporativa, similar à manutenção de um elevador. Mesmo em períodos de desaceleração econômica ou revisão de investimentos, os gastos com proteção digital tendem a ser menos sensíveis a cortes porque a percepção de risco e a necessidade de manter sistemas operacionais reduzem a margem para adiamentos ou interrupções de projetos nessa área. Historicamente, a cibersegurança vem ganhando espaço nos orçamentos de tecnologia da informação.

O ecossistema de cibersegurança é formado por empresas que atuam em diversas etapas da cadeia de proteção, incluindo firewalls, sistemas de gerenciamento de identidade, ferramentas de autenticação, plataformas de monitoramento, tecnologias de verificação de identidade e mecanismos de análise de comportamento. Também fazem parte desse mercado empresas que terceirizam serviços de segurança, oferecendo painéis de controle, monitoramento contínuo e acompanhamento de tentativas de ataque para organizações sem estrutura interna suficiente.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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