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Nova onda de IA favorece ações de chips, software e cibersegurança

Novo ciclo da inteligência artificial indica maior peso no uso recorrente dos modelos, novos vetores de demanda em software e cibersegurança e atenção aos riscos na cadeia de semicondutores

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inteligência artificial

Material da Safra Asset destaca a transição da inteligência artificial para a fase de inferência, com impacto sobre chips, nuvem, software de infraestrutura e segurança digital | Foto: Getty Images

A tese de inteligência artificial entrou em uma nova etapa, mais ligada à inferência — o uso recorrente dos modelos em aplicações reais — do que apenas ao treinamento.

A avaliação ganhou força após a conferência anual da Nvidia, a GTC, em que a companhia projetou receita de US$ 1 trilhão em data centers até 2027 e apresentou avanços da nova geração Vera-Rubin.

Segundo a Safra Asset, o evento reforçou que a próxima fase da IA tende a ser sustentada por agentes e sistemas em produção, o que amplia a duração do ciclo de investimentos e distribui os ganhos por mais segmentos da cadeia.

Além de GPUs para treinamento, a Nvidia apresentou soluções voltadas à inferência com LPUs, movimento visto como uma resposta à competição com chips customizados desenvolvidos por grandes empresas de nuvem.

Risco geopolítico entra no radar da cadeia de chips

Os efeitos do conflito no Irã sobre a cadeia global de semicondutores continuam no radar dos investidores. O ponto central é a dependência de Taiwan, principal polo mundial de fabricação de chips avançados, de insumos estratégicos vindos do Oriente Médio, como GNL e hélio.

Segundo o documento, cerca de 40% da energia de Taiwan vem de gás natural liquefeito, enquanto a TSMC responde por aproximadamente 10% do consumo elétrico da ilha. No cenário-base da gestora, o impacto mais provável seria de aumento de custos, e não de paralisação da produção.

No caso do hélio, porém, o risco é mais operacional. A indústria de semicondutores responde por fatia relevante do consumo global do insumo, e uma disrupção prolongada poderia afetar a produção no segundo semestre, já que os estoques do setor costumam cobrir apenas seis a oito semanas.

Oracle reforça nuvem; Micron sofre apesar do resultado

Entre os balanços divulgados até março, a Safra Asset destaca o resultado da Oracle como sinal de que os investimentos em IA começam a se traduzir em aceleração de receita nas plataformas de nuvem. A divisão OCI saiu de crescimento de 27% dois trimestres antes para 41% no resultado divulgado em março.

Já a Micron apresentou números fortes, com aceleração de receita, margem e lucro, além de projeção acima do esperado. Ainda assim, as ações caíram, em movimento que a gestora atribui mais a realização de lucros e ao receio de pico de ciclo no segmento de memória do que a uma piora dos fundamentos.

Software de infraestrutura e cibersegurança ganham espaço

Os dados recentes reforçam a visão positiva para empresas de software de infraestrutura e cibersegurança. A leitura é que a expansão dos agentes de IA tende a elevar a demanda por dados, observabilidade, roteamento, gestão de identidade e proteção de sistemas, favorecendo companhias como Cloudflare, Snowflake, Datadog, Palo Alto Networks e CrowdStrike.

Para os especialistas da Safra Asset, os agentes de IA não substituem essas plataformas; ao contrário, passam a consumir mais intensamente seus serviços à medida que entram em operação nas empresas.

Fundos caem, mas mantêm ganho acumulado

Em março, o fundo Safra Inteligência Artificial recuou 2,87%, enquanto o Safra Nvidia Plus caiu 2,49%. No acumulado de 12 meses até 31 de março de 2026, porém, os ganhos seguem elevados: 70,15% no primeiro caso e 46,25% no segundo.

A leitura da Safra Asset é que a inteligência artificial segue como uma tese estrutural de crescimento, agora menos concentrada apenas em treinamento e mais apoiada em monetização, infraestrutura crítica e uso corporativo em escala.

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