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IA concentra apostas do mercado, e ações favoritas são da Nvidia e TSMC

Relatório do Banco Safra mostra mercado amplamente comprometido com a tese de inteligência artificial, e os semicondutores e manufatura avançada lideram a preferência

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Chips

A inteligência artificial dominou as conversas com investidores em reuniões do Safra, com preferência por empresas posicionadas na infraestrutura crítica do ciclo global de tecnologia | Foto: Getty Images

O mercado já decidiu comprar IA. Agora tenta decidir quanto ela vale

Há momentos em que um tema de investimento deixa de ser tese e passa a ser linguagem comum do mercado. É isso que o relatório mais recente do Banco Safra sugere sobre inteligência artificial. Depois de uma rodada de encontros com investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre 18 e 22 de maio, os analistas captaram um ambiente em que a IA não é mais uma aposta de nicho nem uma narrativa em disputa. Ela se tornou o eixo de organização do fluxo global em tecnologia.

O ponto mais relevante, no entanto, não é esse. O mais importante é que o mercado parece ter saído da fase de adesão e entrado na fase de discriminação. A pergunta já não é mais se vale a pena ter exposição ao tema, mas quais ativos devem concentrar capital quando a exuberância inicial começa a esbarrar em limitações físicas, valuation esticado e dúvidas sobre quem ficará, no fim, com a maior parte da rentabilidade econômica.

É por isso que o material do Safra merece leitura além da fotografia setorial. O relatório captura uma mudança de regime. A IA continua dominante, mas o prêmio já não é dado a qualquer empresa com discurso tecnológico. O capital está migrando para os pontos da cadeia em que a escassez é real, a execução é mais mensurável e o poder de captura parece menos contestável.

A bifurcação do investidor: mais risco global ou leitura cruzada com Brasil

Um dos achados mais interessantes do relatório é a divisão do público investidor em dois blocos.

O primeiro reúne quem está aumentando exposição a ações globais e alocando praticamente todo o risco incremental na infraestrutura da IA. Aqui, o raciocínio é quase industrial: a corrida por modelos, treinamento e inferência exige chips, memória, rede, capacidade fabril, energia, data centers e mão de obra especializada. Portanto, faz mais sentido investir nos “fornecedores da corrida” do que em aplicações cujo valor ainda depende de monetização futura e competição aberta.

O segundo grupo está menos focado em ampliar risco no exterior e mais empenhado em interpretar o que a revolução de IA significa para os ativos brasileiros sob cobertura. Esse investidor quer entender os cross-reads: o que a reprecificação de Microsoft, SAP ou Nvidia ensina sobre TOTVS? O que o novo ciclo tecnológico muda para telecoms locais? Como separar empresas expostas a produtividade de empresas expostas à erosão de preço?

Essa bifurcação é reveladora. Ela indica que a IA já não é apenas um tema de crescimento; é também um novo filtro de valuation.

Nvidia e TSMC: o mercado prefere os donos do gargalo

Entre os nomes globais, dois ativos surgem como quase consensuais: Nvidia e TSMC. Não por acaso, ambos ocupam posições centrais em pontos de estrangulamento da cadeia.

No caso da Nvidia, a leitura do Safra é sofisticada e ajuda a explicar por que a ação continua no núcleo da preferência mesmo após a forte valorização acumulada e apesar dos temores recorrentes sobre pico de capex dos hiperescaladores. O banco propõe enxergar a companhia não como uma fabricante cíclica de chips, mas como uma plataforma.

Essa distinção importa. Uma empresa cíclica tende a viver de reposição e normalização; uma plataforma, de recorrência, dependência e expansão do ecossistema. O argumento do Safra é que CUDA, a cadência anual de arquitetura e a integração entre computação, rede e software mudam a natureza da receita. Em vez de um cliente substituir capacidade apenas ao fim de um ciclo clássico, ele passa a ser incentivado a atualizar continuamente sua “fábrica de IA” para capturar melhor economia unitária.

O temor com ASICs e capex não desapareceu — mas perdeu centralidade

O relatório mostra que ainda há duas grandes reservas no debate sobre Nvidia: o receio de que o investimento dos hiperescaladores esteja perto do pico e o risco de que ASICs (Circuitos Integrados de Aplicação Específica) avancem sobre a inferência (modelo de IA já treinado que aplica seu conhecimento para analisar dados novos, fazer previsões ou tomar decisões em tempo real).

Nenhuma delas, porém, apareceu como tese dominante nas conversas. Na prática, a percepção dos investidores parece ser a de que o problema imediato continua sendo insuficiência de oferta computacional, não substituição relevante. Em outras palavras, antes de discutir quem vai tirar participação da Nvidia, o mercado ainda precisa resolver a falta de capacidade para atender à demanda.

Essa mudança de ênfase é crucial. Quando o mercado deixa de discutir competição marginal e volta a discutir gargalo estrutural, o poder de preço e a duração da tese tendem a ganhar sustentação adicional.

A TSMC ocupa posição semelhante por outro caminho. Se a Nvidia é vista como o centro lógico da aceleração computacional, a TSMC aparece como o centro fabril. E talvez por isso muitos investidores a tratem como a forma mais limpa de capturar a tese de IA. A empresa combina crescimento em high-performance computing, previsibilidade derivada de sua posição dominante, barreiras tecnológicas quase intransponíveis e rentabilidade que se sustenta mesmo em ciclos pesados de investimento.

O subtexto é simples: em momentos de transformação tecnológica profunda, o mercado costuma premiar quem controla o elo menos substituível da cadeia.

Memória: o consenso comprado começa a parecer consenso desconfortável

Se Nvidia e TSMC representam convicções de alta qualidade, o segmento de memória parece estar entrando em uma zona menos confortável. O relatório mostra que a maior parte do buy side continua comprada no tema, mas com cautela crescente.

A razão é menos operacional do que econômica. Margens brutas acima de 70% entre os principais fabricantes — Micron, SK Hynix e Samsung — podem até ser explicáveis no auge de escassez trazido pelo ciclo de HBM, mas são difíceis de conciliar com a história longa de uma indústria estruturalmente cíclica e de natureza quase comoditizada.

HBM melhorou a indústria, mas talvez não tenha mudado sua essência

Esse é um ponto central para o investidor sofisticado. O mercado reconhece que HBM trouxe avanços reais: contratos mais longos, visibilidade maior de demanda e uma oferta mais apertada. Mas isso não significa, necessariamente, que a indústria tenha escapado da lógica de boom e ajuste que a definiu nas últimas décadas.

O sinal talvez esteja no próprio método de precificação. Como observa o relatório, o mercado continua olhando para o setor por métricas patrimoniais, como P/TBV, mais do que por lucro. Isso sugere uma recusa em capitalizar o pico de earnings como se ele fosse recorrente. É uma mensagem importante: o mercado aceita pagar pelo aperto do ciclo, mas ainda não comprou a tese de mudança estrutural completa.

As big techs continuam fortes — o problema é que agora precisam caber no preço

No universo das plataformas, o que aparece nas reuniões do Safra é menos um debate sobre qualidade operacional e mais um debate sobre quanto dessa qualidade já foi absorvida pelo valuation.

A Meta divide opiniões porque talvez concentre, ao mesmo tempo, uma das operações mais resilientes da internet aberta e uma das estruturas de capital mais difíceis de antecipar. O caso altista parece intuitivo: Family of Apps reacelera, IA melhora engajamento, eleva eficiência publicitária e pode abrir avenidas adicionais de monetização em WhatsApp e Threads. Tudo isso em um negócio que, por estar no topo do funil de atenção, seria relativamente mais protegido do que players dependentes da conversão final da compra.

O contraponto é igualmente plausível: o mercado nunca consegue precificar Meta sem embutir algum desconto de governança e de alocação de capital. O “fator Zuckerberg”, combinado ao peso crescente de capex e despesas, limita a disposição de parte dos investidores a expandir múltiplo mesmo diante de melhora operacional.

Google e Amazon mostram duas formas distintas de defender qualidade

A Google polariza por outro motivo. Sua tese é talvez uma das mais completas dentro da IA: modelo proprietário competitivo, acelerador próprio, infraestrutura global, canais gigantescos de distribuição e monetização. Poucas empresas conseguem ligar, dentro de uma mesma arquitetura, modelo, hardware, cloud e demanda final.

Mas a história recente de mercado ensina que qualidade sem desconto raramente basta. Depois da reprecificação, vários investidores passaram a se perguntar se o ativo ainda oferece assimetria suficiente. Esse é o típico caso em que a tese continua boa, mas o debate deixa de ser direcional e passa a ser de entry point.

A Amazon, em contraste, parece gerar menos atrito porque oferece uma combinação singular entre tese de IA e tese de ativo físico. Seu avanço com Graviton e Trainium sustenta a visão de que a empresa pode capturar eficiência relevante em nuvem e cargas de IA com silício próprio. Ao mesmo tempo, sua malha logística, aprofundada por last mile e grocery, adiciona uma segunda avenida de expansão de margem e difícil replicação.

Em termos de portfólio, isso faz diferença. Amazon aparece menos como “narrativa pura de IA” e mais como uma tese híbrida, em que o investidor compra tecnologia e infraestrutura real ao mesmo tempo.

O grande tema escondido do relatório está no software

Embora os holofotes naturais recaiam sobre semicondutores e big techs, talvez a parte mais importante do relatório esteja em outra frente: a leitura sobre software.

O Safra descreve o momento do setor como uma tensão entre melhora operacional de curto prazo e incerteza profunda sobre valor terminal. Essa formulação é especialmente poderosa porque evita tanto o entusiasmo simplista quanto o pessimismo automático.

De um lado, praticamente todos reconhecem que IA pode ser vento a favor para software no curto e médio prazo: ganho de produtividade, aceleração de desenvolvimento, novas formas de empacotar preço e talvez expansão de monetização. De outro, justamente por reduzir barreiras em criação de produto, automação e customização, a IA também pode corroer parte do poder de precificação que sustentava a tese clássica de software como ativo de duration longa.

Não é apenas re-rating. É recomposição de duration

Esse é o conceito-chave. O que o relatório sugere é que o software não está apenas passando por uma correção de múltiplo conjuntural. Ele está sofrendo uma recomposição de duration. O investidor continua disposto a reconhecer resultados próximos, mas passou a descontar mais fortemente os fluxos de caixa do horizonte final do modelo.

Essa mudança é profunda, porque altera a forma de pensar valor. Em vez de pagar antecipadamente por uma década de crescimento previsível e margens crescentes, o mercado quer mais evidência no presente e mais desconto no futuro. Em categorias em que a IA ainda pode reescrever dinâmica competitiva, o prêmio de certeza caiu.

TOTVS: a tese brasileira em que o conflito ficou mais nítido

No Brasil, nenhuma empresa sintetiza melhor esse debate do que TOTVS, classificada pelo Safra como Outperform, com preço-alvo de R$ 50.

A preocupação central dos investidores é que a IA enfraqueça gradualmente o poder de precificação do software empresarial, atingindo primeiro camadas como CRM, mas sem poupar totalmente ERP. O simples fato de esse debate já estar colocado mostra como o mercado está olhando além do próximo balanço. A pergunta não é apenas se a companhia continuará entregando; é se continuará capturando valor econômico com a mesma qualidade estrutural daqui a vários anos.

O relatório reconhece que a tese de baixa é difícil de desmontar neste momento, sobretudo porque ainda não há resposta definitiva sobre como a IA reordenará a cadeia de valor do software corporativo.

Ainda assim, existe uma visão alternativa — minoritária, mas relevante. Ela sustenta que o ERP da TOTVS está profundamente entranhado na operação dos clientes e que esse grau de integração reduz a probabilidade de disrupção abrupta no curto prazo.

Esse ponto importa porque diferencia softwares “substituíveis” de softwares “embutidos”. A fricção de troca, os custos de implementação, o risco operacional e a dependência de processos internos podem funcionar como uma barreira defensiva mais forte do que a narrativa genérica de disrupção costuma admitir.

Se essa leitura prevalecer, parte relevante do de-rating recente poderá ser entendida não como deterioração estrutural do negócio, mas como ajuste de duration semelhante ao observado em nomes globais. Em outras palavras: menos colapso da tese, mais aumento da taxa de desconto.

Telecom no Brasil: menos euforia, mais disciplina de renda

Se software vive uma discussão de valor terminal, telecom no Brasil continua sendo lido de forma mais tradicional: ciclo, competição e dividendos.

O tom captado nas reuniões foi mais frio do que em 2025. O setor perdeu parte do conforto que vinha de um ambiente competitivo mais racional e voltou a ser analisado com maior sensibilidade a portabilidade, dinâmica de preço e participação líquida.

A TIM Brasil, com recomendação Outperform e preço-alvo de R$ 27, permanece como a principal tese do segmento dentro da leitura do Safra, mas claramente ancorada em remuneração ao acionista. A distribuição projetada para 2026, entre R$ 5,3 bilhões e R$ 5,5 bilhões, implica um rendimento próximo de 8%, o que sustenta interesse defensivo mesmo diante de um pano de fundo mais competitivo.

O debate sobre Starlink ainda é estrutural, não imediato

A entrada da Starlink no radar mostra que o investidor já começa a pensar em disrupção também para conectividade. Ainda assim, a avaliação captada pelo banco é de que a ameaça imediata é limitada. No curto prazo, a tecnologia por satélite preenche vazios de cobertura e atende áreas rurais, funcionando mais como complemento do que como substituto da rede móvel tradicional.

A ameaça mais séria dependeria da evolução para conexão direta ao celular em escala comercial relevante, o que ainda exigiria avanços de constelação, espectro e regulação. Por ora, portanto, Starlink é mais um vetor de atenção do que um catalisador de revisão imediata de tese.

Small caps: onde o mercado procura assimetrias que o consenso ainda não comprou

O fato de Bemobi e Méliuz terem concentrado tantas perguntas, mesmo fora da cobertura do Safra, revela outra camada importante do momento atual: à medida que os grandes consensos ficam mais conhecidos e mais caros, cresce o apetite por assimetrias periféricas.

A Bemobi chama atenção por combinar recorrência, geração de caixa e múltiplo ainda visto como descontado para um negócio em transição para pagamentos verticais e SaaS. Já a Méliuz surge como caso mais controverso: parte do mercado vê a operação principal subavaliada, enquanto outra parte não consegue dissociar a tese do ruído trazido pela tesouraria em Bitcoin e pelas implicações de governança dessa escolha.

Esse tipo de interesse é típico de um mercado maduro. Quando os consensos principais já foram amplamente comprados, o capital passa a procurar nomes em que o erro de precificação aparente seja maior — ainda que à custa de mais complexidade narrativa.

O que o relatório do Safra realmente diz sobre o estágio do ciclo

O documento pode ser lido como um simples resumo de preferências setoriais. Mas, para o assinante, a leitura mais útil é outra: ele funciona como um mapa do estágio atual do ciclo de IA.

A fase inicial, de compra ampla da narrativa, parece ter ficado para trás. O mercado agora diferencia:

  1. quem vende o insumo escasso;
  2. quem depende de monetizar a inovação;
  3. quem precisa provar que o valuation ainda comporta a tese;
  4. quem corre o risco de ver o valor terminal comprimido.

Nesse ranking implícito, semicondutores avançados e manufatura de ponta ocupam o topo da hierarquia. Software entra em zona de maior questionamento. Telecom permanece útil como tese de fluxo e renda, mas sem a centralidade anterior. E small caps funcionam como terreno de caça para assimetrias, não como núcleo de convicção.

Para o investidor, a mensagem é menos “comprar IA” e mais “comprar posição competitiva”

Esse talvez seja o principal takeaway. Em 2026, a tese de IA já não remunera simplesmente a exposição temática. Ela remunera qualidade de posicionamento dentro da cadeia.

Empresas como Nvidia e TSMC se destacam porque combinam centralidade tecnológica, escassez econômica e capacidade de captura relativamente visível. Já nomes de software, inclusive TOTVS, enfrentam um debate mais duro porque o benefício operacional da IA vem acompanhado de incerteza sobre apropriação de valor no longo prazo.

O investidor que antes queria apenas “estar no tema” agora precisa decidir em que elo da cadeia o retorno é mais defensável. E essa é uma transição decisiva: quando o mercado troca entusiasmo por seletividade, os múltiplos passam a depender menos da narrativa e mais da estrutura competitiva real.

Nvidia e TSMC ocupam posições centrais em pontos de estrangulamento da cadeia de IA. A Nvidia é vista como uma plataforma tecnológica, não apenas uma fabricante cíclica de chips, com sua arquitetura CUDA incentivando atualizações contínuas. A TSMC, por sua vez, controla a manufatura de ponta e combina crescimento em computação de alto desempenho com barreiras tecnológicas quase intransponíveis. Ambas controlam elos menos substituíveis da cadeia, o que as torna preferidas pelos investidores.

O mercado está passando por uma recomposição de duration no setor de software. Em vez de pagar antecipadamente por uma década de crescimento previsível, os investidores agora exigem mais evidência no presente e aplicam maior desconto aos fluxos de caixa futuros. Isso ocorre porque a IA pode reduzir barreiras de criação de produtos e corroer parte do poder de precificação que sustentava a tese clássica de software como ativo de longa duração.

O primeiro grupo de investidores está aumentando exposição a ações globais e alocando risco incremental na infraestrutura de IA, focando em fornecedores da corrida (chips, memória, data centers). O segundo grupo está menos focado em ampliar risco no exterior e mais empenhado em interpretar o que a revolução de IA significa para ativos brasileiros, buscando entender como a reprecificação de gigantes globais afeta empresas locais como TOTVS e telecoms.

Embora a maior parte do mercado continue comprada em memória, há cautela crescente. As margens brutas acima de 70% entre fabricantes como Micron, SK Hynix e Samsung são difíceis de conciliar com a história de uma indústria estruturalmente cíclica e comoditizada. O mercado reconhece que HBM trouxe avanços reais, mas ainda não comprou a tese de mudança estrutural completa, continuando a avaliar o setor por métricas patrimoniais em vez de lucro.

A preocupação central é que a IA enfraqueça gradualmente o poder de precificação do software empresarial, começando por camadas como CRM e potencialmente afetando ERP. Porém, existe uma visão alternativa que sustenta que o ERP da TOTVS está profundamente entranhado nas operações dos clientes, reduzindo a probabilidade de disrupção abrupta. Essa integração funciona como barreira defensiva, diferenciando softwares substituíveis de softwares embutidos.

Embora o investidor já comece a pensar em disrupção para conectividade, a avaliação é de que a ameaça imediata da Starlink é limitada. No curto prazo, a tecnologia por satélite preenche vazios de cobertura e atende áreas rurais, funcionando como complemento do que substituto da rede móvel tradicional. A ameaça mais séria dependeria de avanços em conexão direta ao celular em escala comercial, o que ainda exige evolução de constelação, espectro e regulação.

À medida que os grandes consensos ficam mais conhecidos e caros, cresce o apetite por assimetrias periféricas. A Bemobi chama atenção por combinar recorrência, geração de caixa e múltiplo descontado para um negócio em transição para pagamentos verticais e SaaS. A Méliuz surge como caso controverso, com parte do mercado vendo a operação subavaliada, enquanto outra parte questiona o impacto da tesouraria em Bitcoin na governança.

O mercado saiu da fase de adesão ampla à narrativa de IA e entrou na fase de discriminação. A pergunta já não é se vale a pena ter exposição ao tema, mas quais ativos devem concentrar capital. O investidor agora diferencia quem vende insumo escasso, quem depende de monetizar inovação, quem precisa provar que o valuation comporta a tese, e quem corre risco de ver o valor terminal comprimido. A mensagem central é menos comprar IA e mais comprar posição competitiva dentro da cadeia.
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