Haddad defende prioridade para inteligência artificial na educação
Em debate no J.Safra Macro Day, ex-ministro da Fazenda defende a formação para a utilização da inteligência artificial desde o ensino básico
30/03/2026 3 minutos
“Precisamos formar as pessoas para aproveitar o potencial da tecnologia de inteligência artificial”, afirma Fernando Haddad | Foto: Divulgação
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que deixou o cargo para disputar a eleição para governador de São Paulo, defendeu investimentos dos governos estaduais e municipais em educação voltada para a utilização da inteligência artificial. Segundo ele, o Brasil está ficando para trás em relação a outros países.
Ele falou sobre o assunto durante o J. Safra Macro Day, evento destinado a oferecer aos investidores o acesso a informações de excelência e conteúdos relevantes para ajudá-los a tomar decisões estratégicas. O debate com o ex-ministro foi moderado por Alberto Monteiro, CEO do Banco Safra.
“Estamos perdendo uma grande oportunidade nos Estados, com as novas ferramentas de inteligência artificial que precisam ser acessíveis a todos, e não apenas para a elite”, afirmou. Ele comentou que não viu nem na Califórnia, nos Estados Unidos, o trabalho de capilaridade que a China está fazendo para democratizar o acesso à IA.
Formação para a inteligência artificial é fundamental
“Precisamos formar as pessoas para aproveitar o potencial dessa tecnologia. E a educação básica é assunto dos prefeitos e governadores, mas não vemos até agora ações para transformar a realidade das crianças nas escolas”. “Vamos defender uma forte pegada na formação dos estudantes para o uso da IA”, acrescentou, citando este como um dos temas que deve incluir no seu plano de governo.
Haddad criticou a política de militarização da educação básica implantada no Estado de São Paulo e outros estados governados por políticos associados ao bolsonarismo. “Estão trocando os pés pelas mãos, pois um problema de educação precisa ser resolvido por educadores, e um problema de segurança, pela polícia, mas estão trocando as bolas e colocando militares na educação”, comentou, defendendo que São Paulo deveria dar o exemplo no setor educacional.
Plano de governo
“São Paulo é um Estado espetacular, e temos de aproveitar as oportunidades”, afirmou, acrescentando que até julho deve apresentar o plano de governo.
“Estamos reunindo pessoas que consideramos altamente competentes nas diversas áreas, como educação, saúde publica e urbanismo, que são prioritários, e assim, vamos formar nossa equipe de governo. Espero estar com PSB, federação Rede-PSOL e PDT, que possuem nomes competentes nessas áreas, para modernizar a agenda de são Paulo”.
Haddad defende reformas com apoio do Congresso
Ao analisar o cenário da economia brasileira, Fernando Haddad disse acreditar que exista espaço para dicussão séria no Congresso sobre temas importantes que melhorem o ambiente de negócios. “Devemos enfrentar em bloco alguns temas fundamentais como penduricalhos, super-salários e corrupção, que causam impacto nas contas públicas”, afirmou.
O ex-ministro citou as últimas três grandes operações de combate à corrupção (máfia dos combustíveis, esquemas da corretora Reag e Banco Master). “Se dermos tratamento exemplar para esses temas, isso melhora seriamente o debate sobre as contas públicas”. E acrescentou: “A única maneira de construir uma democracia estável é recuperando a credibilidade das instituições e da classe política”.
Ao comentar a crítica do presidente do PSD, Giberto Kassab, que falou sobre o aumento da carga tributária no atual governo, Haddad lembrou que o o partido de Kassab ajudou muito no corte de gastos tributários que contribuíram para conter as despesas primárias do governo federal.
Ele citou o déficit de R$ 62 bilhões herdados da gestão Bolsonaro, além do aumento de gastos com o programa Bolsa Família e calote dos precatórios. E argumentou que o governo federal está chegando perto do equilíbrio fiscal sem prejudicar emprego, a base da pirâmice social e o crescimento conômico.
“Conseguimos preserva empregos, direitos sociais e as contas públicas simultaneamente”, comentou. “Temos toda condição de manter o ritmo de reformas e fazer os ajustes necessários, e acho que a gente consegue avançar mais em mais um mandato, quando poderemos estabilizar a relação dívida-PIB”.
Segundo ele, o atual governo melhorou o ambiente de negócios, e o Brasil apresenta vantagens competitivas em setores como energia, terras raras, agronegócio e outros. “Do ponto de vista geopolítico, o Brasil também está em situação de vantagem em relação a muitos outros países da Europa e da América Latina”, disse.
Brasil é a bola da vez, afirma ex-ministro
“O Brasil está na marca do pênalti para ser a bola da vez da economia global, mas precisamos garantir uma agenda consistente de reformas econômicas, combate à corrupção e outras, pois o País tem tudo para ganhar com isso”.
Ao falar sobre as eleições deste ano, Haddad defendeu um debate de alto nível: “Gostaria que tivéssemos um processo com debate técnico-programático e político da maneira mais honesta intelectualmente possível. Isso não significa não criticar, mas existem formas sérias de fazer críticas com respeitabilidade”.
“Tanto eu quanto o governador Tarcísio de Freitas saímos satisfeitos com o nível do debate nas últimas eleições. Fizemos um debate de ideias. Precisamos diminuir o calor do debate e jogar luz sobre os temas que realmente interessam. Podemos dignificar a vida pública com um debate de alto nível”, concluiu.
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