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FGTS amplia investimento em habitação e reforça mercado para construtoras

Mudanças aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS elevam tetos de renda e de preço dos imóveis no programa habitacional, ampliando o público elegível e sustentando uma leitura positiva para as ações do setor

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FGTS Construtoras

Ampliação dos limites do Minha Casa Minha Vida melhora a acessibilidade para compradores e tende a preservar o ritmo de demanda das construtoras | Foto: Getty Images

O Conselho Curador do FGTS aprovou, em sua 204ª Reunião Ordinária, realizada no dia 24, uma nova rodada de ajustes no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), em medida que tende a beneficiar as construtoras listadas com maior exposição ao segmento habitacional de baixa renda.

As mudanças incluem a elevação dos tetos de renda elegível em todas as faixas do programa e o aumento dos limites de preço dos imóveis nas faixas superiores.

Para o mercado, a decisão tem implicação direta sobre a demanda potencial do setor. Ao ampliar o universo de famílias aptas a acessar o programa e ao adequar os valores máximos dos imóveis financiáveis, o governo melhora a acessibilidade do comprador final em um dos segmentos mais relevantes da construção residencial brasileira.

Novos limites do MCMV ampliam investimentos em habitação

Pelas novas regras, a Faixa 1 passa a contemplar renda de até R$ 3,2 mil, ante R$ 2,85 mil anteriormente. Na Faixa 2, o teto sobe de R$ 4,7 mil para R$ 5 mil. A Faixa 3 terá limite de renda de R$ 9,6 mil, acima dos R$ 8,6 mil anteriores, enquanto a Faixa 4 passa de R$ 12 mil para R$ 13 mil.

Também houve aumento dos tetos de preço dos imóveis nas faixas superiores. Na Faixa 3, o valor máximo passa de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Na Faixa 4, o limite sobe de R$ 500 mil para R$ 600 mil.

As alterações entram em vigor a partir de abril e, na avaliação dos especialistas do Banco Safra, reforçam um ambiente já favorável para o segmento de baixa renda, ao reduzir restrições de acesso e ampliar a aderência do programa à realidade atual de preços do mercado imobiliário.

Impacto orçamentário será coberto com recursos do Fundo Social

Segundo a análise do Safra, o impacto incremental das mudanças sobre o orçamento habitacional de 2026 deve ser de cerca de R$ 3,6 bilhões.

Esse valor deverá ser coberto por aproximadamente R$ 31 bilhões em recursos do Fundo Social, dos quais R$ 25 bilhões estão destinados a 2026 e cerca de R$ 6 bilhões correspondem a recursos não utilizados de 2025.

O Conselho Curador do FGTS também indicou que poderá avaliar, no segundo semestre de 2026, uma eventual medida para permitir o uso de recursos do Fundo Social no financiamento da Faixa 4. Hoje, esses recursos estão restritos à habitação social.

Leitura é positiva para ações das construtoras

Para investidores, a principal implicação está na manutenção de fundamentos operacionais mais resilientes para as companhias expostas ao segmento popular.

Na visão dos especialistas do Banco Safra, as medidas aprovadas, embora esperadas, são positivas porque elevam a acessibilidade dos compradores e devem continuar sustentando a demanda nos próximos trimestres.

Em termos de mercado de capitais, isso reforça a atratividade relativa das construtoras listadas com presença relevante em baixa renda, sobretudo em um ambiente em que políticas públicas e crédito direcionado seguem exercendo papel central na dinâmica comercial do setor.

Pressão externa não altera leitura construtiva no curto prazo

O Safra observa que as tensões geopolíticas recentes pesaram sobre o sentimento dos investidores, mas avalia que os orçamentos atuais das companhias já incorporam premissas conservadoras de inflação. Com isso, eventuais pressões de curto prazo sobre custos tendem a ser mitigadas.

Para o investidor, a decisão do FGTS não elimina os riscos macroeconômicos, mas melhora a visibilidade para um segmento que já vinha se destacando pela combinação entre demanda estrutural, apoio institucional e maior previsibilidade operacional.

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