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Federal Reserve mantém a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%

Inflação nos EUA continua relativamente alta e o PIB segue crescendo em ritmo acelerado, o que levou o Federal Reserve a manter os juros

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A inflação total encerrou 2025 em 2,68% com o núcleo em 2,64%, apesar da desvalorização do dólar e do aumento das tarifas de importação | Foto: Getty Images

O Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, anunciou a decisão de manter a taxa básica de juros no atual patamar entre 3,50% e 3,75%, apesar das pressões do presidente Donald Trump. Com isso, o Fed interrompeu a queda dos juros após três cortes consecutivos.

A decisão não foi unânime, assim como ocorreu na reunião anterior. Os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) Stephen I. Miran e Christopher J. Waller votaram por uma redução mínima de 25 pontos-base, o que reforça a divisão dentro do Comitê.

A diretoria do Federal Reserve já vinha sinalizando a decisão de manter as taxas, assim como o comunicado oficial do Fed na última reunião. Barclays, Goldman Sachs e Bank of America projetam novo corte de juros apenas em junho.

Os dados da economia norte-americana sinalizam que a inflação está um pouco acima da meta, em 2,6% (a meta é 2%) e o PIB do terceiro trimestre mostrou um crescimento bom, o que indica a manutenção dos juros no atual patamar pelos próximos meses.

As informações sobre a atividade econômica referentes ao quarto trimestre de 2025 ainda estão sob efeito da paralisação das atividades do governo federal (shutdown). Além de ter havido um atraso nas divulgações, que estão sendo normalizadas apenas agora, houve um impacto qualitativo, devido à mudança dos períodos de coleta.

Alguns indicadores podem ser coletados retroativamente, como é o caso do índice de preços ao produtor (PPI) e da criação de empregos reportada pelos contratantes. Porém, outras divulgações dependem da coleta dos dados no período de referência, como é o caso da maior parte dos componentes do índice de preços ao consumidor (CPI) e da pesquisa com as famílias, de onde são extraídos os dados para a estimativa da taxa de desemprego.

Esses indicadores, além de não terem sido divulgados para outubro, ficaram prejudicados pelas lacunas nas coletas e sujeitos a distorções em novembro, já que o shutdown acabou apenas no dia 12 daquele mês.

Os dados do payroll apontaram a criação de 50 mil vagas em dezembro, um pouco abaixo da expectativa mediana do mercado (70 mil). Além do dado mais fraco, houve revisão baixista de 76 mil postos de trabalho entre os meses de outubro e novembro. Com isso, em 2025 foram criadas 584 mil vagas, desempenho consideravelmente abaixo dos cerca de 2 milhões em 2024 e 2,6 milhões em 2023.

A inflação de dezembro foi 0,31%, com o núcleo – que exclui alimentação e energia – subindo 0,24% no mês. No mês anterior esses números haviam sido mais baixos, já que a inflação total havia subido 0,20% e o núcleo 0,16% no acumulado de dois
meses.

Os efeitos do shutdown também influenciaram essas variações, já que o período de coleta restrito à segunda metade do mês de novembro incluiu a Black Friday, o que ampliou o efeito dos descontos sobre a inflação de bens. Além disso, a paralisação impediu a coleta dos preços para o aluguel auto imputado (OER), de modo que o BLS repetiu a variação mensal de agosto, que havia sido mais baixa.

A distorção relacionada à Black Friday já foi compensada em dezembro, mas por razões metodológicas o efeito sobre os aluguéis só deverá ser compensado em abril. Assim, dado o maior peso da inflação de habitação, o CPI acumulado em doze meses está temporariamente mais baixo.

Inflação e PIB explicam política monetária do Federal Reserve

A inflação total encerrou 2025 em 2,68% com o núcleo em 2,64%, apesar da desvalorização do dólar e do aumento das tarifas de importação.

O PIB do terceiro trimestre cresceu 4,3% anualizado e a projeção preliminar do Fed de Atlanta para o quarto trimestre indica uma nova aceleração, para mais de 5,0%. Essas estimativas podem mudar consideravelmente com os novos dados que ainda estão por sair. Mesmo assim, a economia americana deve encerrar 2025 em crescimento.

Portanto, os dados de dezembro de 2025 mostram uma inflação ainda relativamente alta e um mercado de trabalho em desaceleração, mas sem piora expressiva e com o PIB crescendo na margem em ritmo mais acelerado. Nesse cenário, o Fed teve motivos para manter a taxa básica de juros no atual patamar entre 3,50% e 3,75% por algum tempo, sem novos cortes até meados do ano, segundo a análise do Banco Safra.

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