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Fed eleva juros pela primeira vez em três anos e prevê taxa maior até 2029

Banco central dos Estados Unidos retoma aperto monetário após mais de dois anos e revisa para cima as projeções de juros, crescimento e inflação

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Fed Fomc

Sede do Federal Reserve, em Washington: Fomc elevou a taxa básica dos Estados Unidos para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano e indicou política monetária mais restritiva nos próximos anos | Foto: Getty Images

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) ocorreu por unanimidade e marcou a primeira alta desde julho de 2023.

A medida ficou alinhada às expectativas do mercado. Antes do anúncio, os investidores atribuíam cerca de 88% de probabilidade a um aumento dessa magnitude.

O Fed mantinha os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano desde dezembro do ano anterior. A autoridade monetária decidiu retomar o aperto diante de uma inflação ainda elevada, embora a economia americana mantenha sinais de resiliência.

Segundo especialistas do Banco Safra, a política monetária dos Estados Unidos permanece relevante para os ativos brasileiros, sobretudo pelo impacto sobre o dólar e os fluxos globais de capital. Juros mais altos por mais tempo nos EUA podem ampliar a atratividade dos títulos americanos e pressionar moedas de países emergentes.

No entanto, o Banco Safra avalia que esse canal não deve alterar o rumo da queda de juros no brasil. Mesmo com a curva de juros americana elevada, os fundamentos domésticos sustentam a continuidade dos cortes graduais da Selic.

Projeção de juros sobe para os próximos anos

Além da decisão, o Fed revisou para cima a trajetória esperada para os juros. A mediana das projeções dos integrantes do Fomc passou a indicar taxa de 4,1% ao fim de 2026, acima dos 3,8% estimados em junho.

Para os anos seguintes, as revisões também apontaram uma política monetária mais restritiva:

  • 2027: projeção subiu de 3,6% para 4,1%;
  • 2028: estimativa avançou de 3,4% para 3,9%;
  • 2029: previsão passou de 3,1% para 3,6%.

A projeção para o longo prazo permaneceu em 3,2%.

Economia americana segue resiliente

No comunicado, o Fed afirmou que a atividade econômica continua em expansão em ritmo sólido. A autoridade destacou a resiliência dos gastos domésticos, mesmo em um ambiente de incerteza elevada, influenciado em parte por eventos geopolíticos.

O banco central também apontou crescimento forte da produtividade e investimentos de capital robustos. No mercado de trabalho, a criação de vagas acompanha o avanço da força de trabalho, enquanto a taxa de desemprego registra pouca variação.

As projeções atualizadas reforçaram uma perspectiva mais favorável para a economia americana. A estimativa mediana para o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu de 2,2% para 2,3%. Para 2027, a previsão avançou de 2,3% para 2,4%.

Em 2028, a projeção permaneceu em 2,2%. Para 2029, o Fed passou a estimar expansão de 2,1%, ante 2% na atualização de junho.

Desemprego deve ficar menor

O Fed também reduziu as projeções para a taxa de desemprego. A mediana para o quarto trimestre de 2026 caiu de 4,3% para 4,1%.

Para 2027, a previsão recuou igualmente de 4,3% para 4,1%. Em 2028, a estimativa passou de 4,2% para 4,1%, mesmo nível projetado para 2029, abaixo dos 4,2% previstos anteriormente.

Inflação mantém pressão sobre o Fed

A inflação permanece como o principal ponto de atenção da política monetária americana. O Fed afirmou que a decisão contribui para um retorno mais rápido dos preços à meta de inflação de 2%.

A projeção mediana para o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), medida preferida pelo Fed, subiu de 3,6% para 3,7% em 2026. Para 2027, a estimativa permaneceu em 2,3%.

Em 2028, a projeção para o PCE avançou de 2% para 2,1%, antes de retornar a 2% em 2029. A expectativa de longo prazo também continuou em 2%.

No núcleo do PCE, indicador que exclui alimentos e energia, a mediana para 2026 passou de 3,3% para 3,4%. Para 2027, a previsão permaneceu em 2,5%; para 2028, avançou de 2,1% para 2,2%; e, para 2029, ficou em 2%.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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