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Fed mantém juros e adota cautela com inflação e choque do petróleo

Decisão unânime em Washington prolonga pausa no ciclo de cortes e reforça leitura de que o ambiente externo e a resiliência da economia dos EUA limitam ajustes no curto prazo

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Federal Reserve mantém juros

Manutenção dos juros reflete cautela do Fed diante da inflação persistente, da resiliência do mercado de trabalho e do impacto geopolítico sobre os preços de energia | Foto: Getty Images

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed) decidiu, nesta quarta-feira (18), manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, marca a segunda reunião consecutiva de estabilidade, após três cortes promovidos no segundo semestre do ano passado, em setembro, outubro e dezembro.

A decisão foi aprovada por 11 votos a 1. O único dissenso partiu de Stephen Miran, indicado pelo presidente Donald Trump em seu segundo mandato, que defendeu um corte de 0,25 ponto percentual.

Conjuntura econômica limita cortes no curto prazo

Em comunicado, o Fomc destacou que a incerteza quanto às perspectivas econômicas permanece elevada, refletindo, sobretudo, os desdobramentos da guerra no Irã e seus impactos ainda difíceis de mensurar sobre a inflação global e o crescimento.

A leitura é convergente com a avaliação do Banco Safra, que já projetava a manutenção dos Fed Funds neste encontro. Para os economistas da instituição, a combinação de inflação ainda resistente em alguns segmentos e a resiliência do mercado de trabalho reduz o espaço para flexibilização monetária no curto prazo.

Dados recentes mostram que, embora a inflação tenha desacelerado na margem em janeiro, o índice acumulado em 12 meses voltou a subir, de 2,8% para 2,9%. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego avançou para 4,4% em fevereiro, com fechamento líquido de 92 mil vagas, sinalizando moderação, mas não um enfraquecimento abrupto da atividade.

Petróleo e geopolítica complicam o cenário

A decisão ocorre em meio à forte alta do petróleo, impulsionada pela escalada do conflito no Irã. O barril do Brent, referência internacional, chegou a US$ 109,95, após ameaças a instalações petrolíferas e interrupções logísticas na região.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, os preços médios da gasolina e do diesel nos EUA acumulam alta superior a 25%, elevando os riscos de repasses inflacionários. Companhias aéreas já alertam para o aumento dos custos de viagem, enquanto a Casa Branca busca fornecedores alternativos de fertilizantes para mitigar impactos sobre os alimentos.

Economistas avaliam que os efeitos domésticos e globais dependerão da duração do conflito, do arranjo político no pós-guerra e da trajetória do petróleo — se os preços permanecerão acima de US$ 100 ou se recuarão para níveis inferiores a US$ 80.

Conclusão

O Fed reforça, com a decisão desta quarta-feira, uma estratégia de esperar para ver, em um ambiente marcado por inflação menos previsível, mercado de trabalho resiliente e choques geopolíticos relevantes. Para investidores, o recado é claro: a política monetária americana seguirá guiada por dados, com viés conservador e baixa tolerância a riscos inflacionários adicionais.

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